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Castelo de Longroiva (Langóbria)

Castelo de Langóbria, ou de Longroiva, em Mêda: castelo templário com torre de menagem datada de 1174, depois comenda da Ordem de Cristo. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Torre de menagem ameada do Castelo de Longroiva sobre um troço de muralha com portão em arco e uma cruz de pedra, num cabeço rochoso
Lusitana, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Longroiva, Mêda, Guarda
Construção
Torre de menagem templária datada epigraficamente de 1174; paço do comendador da Ordem de Cristo em 1505

O Castelo de Longroiva fica na aldeia de Longroiva, no concelho de Mêda, distrito da Guarda. No registo nacional do Património Cultural, I.P. e no decreto que o classificou como Monumento Nacional, em 1943, chama-se Castelo de Langóbria. Castelo de Longroiva é a outra designação aceite pelo registo e o nome usado pela Câmara Municipal de Mêda. Do castelo medieval resta pouco, mas o registo considera-o uma das mais importantes obras de arquitetura militar templária da Beira Interior e um dos melhores testemunhos de castelo românico da região.

Dois nomes para o mesmo lugar

A Câmara Municipal de Mêda liga o nome Langóbria à época romana. Segundo o município, durante a ocupação romana formou-se aqui a povoação de “Langóbria”, com a romanização do castro primitivo. O município refere também que os muçulmanos terão arrasado a fortificação e que a região foi reconquistada no século XI por Fernando Magno, rei de Leão. O registo nacional é mais prudente: diz apenas que um castelo primitivo, de forma e estilo desconhecidos, é referido pela primeira vez em 960.

Um castelo dos Templários

O castelo românico de Longroiva nasceu da defesa de Coimbra, então capital do reino. D. Afonso Henriques confiou aos Templários a proteção dos acessos a sul e a leste do Mondego. Em 1145 a Ordem recebeu, entre outras terras, Mogadouro e Penas Róias, em Trás-os-Montes.

Nessa mesma década, o castelo primitivo de Longroiva estava nas mãos da família dos Braganções. Segundo o registo nacional, foi Fernão Mendes de Bragança quem o doou aos Templários. A Câmara Municipal de Mêda atribui a entrega da terra à Ordem do Templo a D. Afonso Henriques, por volta de 1145. Os Templários construíram aqui uma fortificação exemplar.

A torre de menagem de 1174

O único elemento original que resta é a torre de menagem, datada por inscrição de 1174. É uma data cedo para este tipo de torre em Portugal. O registo cita o historiador Mário Barroca, para quem foram os Templários que introduziram a torre de menagem nos castelos portugueses, primeiro em Tomar, no início da década de 1160. Longroiva pertence assim ao conjunto de fortalezas promovidas por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem em Portugal. É contemporânea de Almourol e de Pombal, ambas da década de 1170.

Uma Visitação de 1505 mostra que a torre era então uma estrutura isolada no pátio central, característica plenamente românica. Tinha três andares e já tinha a janela manuelina com mainel que ainda conserva. Na torre veem-se também os apoios de um hurdício: uma galeria de madeira em toda a volta, que protegia o topo e permitia atacar na vertical quem chegasse ao pé da muralha.

Comenda da Ordem de Cristo

Com a extinção da Ordem do Templo, no reinado de D. Dinis, Longroiva passou para a Ordem de Cristo. Segundo a Câmara Municipal de Mêda, essa posse manteve-se pelo menos até meados do século XVI. Em 1505, o pátio românico estava quase todo ocupado pelo paço do comendador. A Visitação diz que algumas partes eram novas, o que aponta para uma obra da mesma época da janela manuelina. O arquiteto José Daniel Santa Rita tentou uma reconstituição esquemática desse paço.

Segundo o município, D. Teresa deu foral a Longroiva em 1124, confirmado por D. Afonso II em 1220, e D. Manuel I concedeu novo foral em 1510.

Ruína, pedreira e cemitério

Longroiva perdeu importância na Idade Moderna. Dois séculos depois de 1505, as casas do paço estavam destelhadas e em ruína. A cisterna estava entupida e as portas do castelo já não tinham grade nem portão.

Na viragem para o século XIX, o castelo passou a servir de pedreira, e as muralhas foram sendo desmontadas. Segundo o registo, isso coincidiu com a extinção do concelho de Longroiva. O município data essa extinção de um decreto de 6 de novembro de 1836. Mais tarde, o pátio central foi transformado em cemitério da povoação.

No século XX, as investigações revelaram algumas estruturas originais, como a cisterna. Apesar de algumas tentativas de reabilitação, o monumento chegou até nós em ruína. O município refere que os trabalhos de conservação permitiram manter partes das muralhas e a torre de menagem.

Classificação e proteção

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 32 973, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 175, de 18 de agosto de 1943. O decreto inscreve-o como “Concelho de Meda. — Castelo de Langóbria”. O Atlas do Património Classificado não indica zona especial de proteção própria. Na mesma freguesia, o Pelourinho de Longroiva e a Ponte Romana de Longroiva são Imóveis de Interesse Público. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

O castelo fica na própria aldeia de Longroiva. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do Município de Mêda não publicava horários nem condições de visita.

No mesmo concelho fica o Castelo de Marialva, na aldeia histórica de Marialva. Para outros castelos templários e de fronteira, consulte os castelos de Portugal e a região Centro.

Fotografia de Lusitana, de 6 de dezembro de 2008. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Castelo de Langóbria e Castelo de Longroiva são o mesmo monumento?
Sim. O registo do Património Cultural, I.P. e o decreto de classificação de 1943 usam a designação Castelo de Langóbria; o registo dá Castelo de Longroiva como outra designação, e é este o nome usado pela Câmara Municipal de Mêda. Fica na freguesia de Longroiva, concelho de Mêda.
Quem construiu o castelo?
Segundo o registo nacional, um castelo primitivo, referido pela primeira vez em 960, foi doado aos Templários por Fernão Mendes de Bragança na década de 1140. Os Templários fizeram uma nova fortificação, de que resta a torre de menagem, datada por inscrição de 1174.
O que resta do castelo?
A torre de menagem, único elemento original que subsiste, e partes das muralhas. Na viragem para o século XIX o castelo serviu de pedreira e o pátio central foi transformado em cemitério da povoação.
O castelo está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 32 973, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 175, de 18 de agosto de 1943, que o inscreve como Castelo de Langóbria, no concelho de Mêda.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Langóbria (71169)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Langóbria (NINV 2978)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 32 973, de 18 de agosto de 1943
  4. Município de Mêda — Castelo e Aldeia de Longroiva
  5. Município de Mêda — Freguesia de Longroiva
  6. Wikidata — Castelo de Longroiva (Q5049787)

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