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Castelo de Mogadouro

Castelo de Mogadouro: fortaleza templária de Trás-os-Montes, depois comenda da Ordem de Cristo e paço dos Távoras, Monumento Nacional desde 1946, hoje em ruína.

Perguntas frequentes Fontes
Torre de menagem ameada do Castelo de Mogadouro sobre o afloramento rochoso, com o muro de xisto da cerca em primeiro plano
Reis Quarteu, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Mogadouro, Bragança
Construção
séc. XII (torre de menagem templária); reforma gótica e residência nos sécs. XIV–XV

O Castelo de Mogadouro ocupa um afloramento rochoso no centro da vila de Mogadouro, no Nordeste de Trás-os-Montes. Do conjunto que os Templários reformaram no século XII e que a Ordem de Cristo e os Távoras transformaram em residência resta pouco: a torre de menagem e parte das muralhas. Mesmo assim, o castelo resume bem a história da raia de Trás-os-Montes. Foi praça militar, comenda de uma ordem religiosa, paço senhorial e, por fim, ruína.

Origens ainda em discussão

O registo nacional do Património Cultural, I.P. sublinha que as origens do castelo são muito discutidas. Escavações junto da atual igreja matriz detetaram um nível de ocupação de época romana, que poderá estar ligado a um núcleo proto-histórico mais antigo, mas sem contextos conservados. A área escavada foi pequena, e o registo nota que o local aguarda um programa de estudo integral.

O primeiro dado seguro é de 1145. Nesse ano, segundo o registo nacional, Fernão Mendes de Bragança doou Mogadouro aos Templários, juntamente com a fortaleza vizinha de Penas Róias. A página do Município apresenta a doação como feita pelo rei D. Afonso Henriques, no segundo quartel do século XII. Em qualquer dos casos, a doação pressupõe um reduto militar já existente, provavelmente das primeiras décadas desse século.

A fortaleza templária

A Ordem do Templo terá reformado integralmente esse primeiro reduto, segundo a arquitetura militar do tempo. Dessa campanha conserva-se, apenas em parte, a torre de menagem românica. O Município descreve-a assente no afloramento rochoso e isolada no interior do recinto muralhado. O traçado original não pode ser reconstituído, mas o registo admite que não seria muito diferente do de Penas Róias. Ali, uma inscrição de 1172 documenta a obra templária: torre isolada no centro do recinto e muralha defendida por torres quadrangulares. A mesma lógica aparece noutros castelos templários, como Tomar e Almourol.

Em 1197, D. Sancho I trocou Mogadouro e Penas Róias por territórios na raia da Beira Baixa. Algumas décadas depois, a vila volta a aparecer como pertença do Templo. D. Afonso III deu-lhe dois forais, em 1272 e 1273. Em 1319, Mogadouro passou para a Ordem de Cristo, cuja história se acompanha no Convento de Cristo, em Tomar.

Reforma gótica e paço dos comendadores

Atribui-se a esta fase uma reforma gótica. O registo nacional apoia-se no perfil ovalado da cerca, tal como Duarte de Armas a desenhou no início do século XVI. Esse desenho, o mais antigo que se conhece do castelo, mostra a torre de menagem no centro do pátio, aparentemente ligada a um caminho de ronda mais alto. O registo considera prematura qualquer conclusão sobre as transformações finais da Idade Média.

Como sede de comenda, o castelo foi adaptado a residência dos comendadores. Nos séculos XIV e XV construíram-se vários edifícios no interior, sobretudo no tempo dos Távoras, na primeira metade do século XV. Duarte de Armas desenhou uma residência de três corpos perpendiculares, de dois pisos. As antigas dependências do século XIV serviam de estrebarias, e as construções chegaram a envolver a própria torre de menagem.

Em termos militares, o castelo desenhado no início do século XVI tinha apenas três torres: a de menagem e duas adossadas à muralha, uma pentagonal e outra quadrangular. Uma barbacã mais baixa rodeava todo o reduto. O registo nacional menciona ainda um pequeno espaço cinegético onde se guardavam coelhos.

Do paço à ruína

O Município indica que os Távoras mantiveram o castelo como residência palaciana até 1759, quando os seus bens foram confiscados pela Coroa. A partir daí, e até 1834, foi residência dos juízes de fora, entrando depois em ruína. O registo nacional cita uma designação do século XVIII, “Palácio, a que chamam castelo”. Descreve também a destruição progressiva do conjunto durante a época moderna, acentuada nos últimos séculos. Chegou aos nossos dias como uma ruína de que se conservam a torre de menagem e parte das muralhas. A bibliografia do registo inclui um artigo de 2006 sobre uma intervenção no castelo, mas a ficha não descreve as obras.

Classificação e proteção

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35 443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. O decreto classifica o “Castelo da vila”, no concelho de Mogadouro. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por Portaria de 15 de novembro de 1965, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 29, de 4 de fevereiro de 1966. Não integra nenhum bem do Património Mundial.

Preparar a visita

O castelo fica no centro da vila e é visível do espaço público. A página municipal apresenta-o em conjunto com a Torre do Relógio. Na consulta de 5 de novembro de 2026, essa página não publicava horários, preços nem condições de acesso ao interior da torre. O posto de turismo de Mogadouro funciona na Casa das Artes e Ofícios, no Centro Cívico da vila, segundo a página de contactos do Município. Confirme aí, ou na página municipal do castelo, se é possível subir à torre.

Para completar o percurso templário do concelho, siga até ao Castelo de Penas Róias, doado à Ordem no mesmo ano. No distrito, o Castelo de Bragança mostra outra escala de fortificação raiana. A cidade de Bragança e o Norte servem de ponto de partida, e a rede nacional está em castelos de Portugal.

Fotografia de Reis Quarteu, de 18 de setembro de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem construiu o Castelo de Mogadouro?
O registo nacional do Património Cultural, I.P. indica que já existia um reduto em 1145, quando Fernão Mendes de Bragança doou Mogadouro e Penas Róias aos Templários. A Ordem do Templo terá depois reformado a fortaleza; dessa obra românica resta, em parte, a torre de menagem.
O que resta hoje do castelo?
Segundo o registo nacional, conserva-se apenas a torre de menagem e parte das antigas muralhas. Os edifícios residenciais que os comendadores e os Távoras construíram no interior desapareceram ao longo da época moderna.
O Castelo de Mogadouro está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35 443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. Tem zona especial de proteção, com zona non aedificandi, fixada por Portaria de 15 de novembro de 1965.
Há horários de visita?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal sobre o castelo não publicava horários nem condições de visita. Confirme junto do posto de turismo da Câmara Municipal de Mogadouro antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Mogadouro (70650)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Mogadouro (NINV 2416)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 35 443, de 2 de janeiro de 1946
  4. Município de Mogadouro — Castelo de Mogadouro e Torre do Relógio
  5. Município de Mogadouro — Contactos e localização
  6. Wikidata — Castelo de Mogadouro (Q5049790)

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