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Monumentos
Castelo de Penas Róias
Castelo de Penas Róias, em Mogadouro: torre de menagem templária com inscrição de 1172 ou 1182, num penedo de Trás-os-Montes, Monumento Nacional desde 1945.
- Localização
- Penas Roias, Mogadouro, Bragança
- Construção
- séc. XII (torre de menagem templária, inscrição de 1172 ou 1182)
No alto de um monte a norte da aldeia de Penas Róias, no concelho de Mogadouro, uma torre quadrada ergue-se sobre penedos de granito. É o que resta do Castelo de Penas Róias, que o registo nacional do Património Cultural, I.P. considera uma das mais importantes fortalezas medievais de Trás-os-Montes. No século XII, defendeu esta zona raiana numa época em que o novo reino de Portugal se afirmava tanto perante o Islão como perante o vizinho reino de Leão. A ruína é hoje um dos testemunhos mais claros da presença dos Templários no Nordeste do país.
Antes do castelo
As origens da ocupação do sítio são mal conhecidas. O registo nacional refere numerosos materiais proto-históricos, que podem corresponder a um povoado fortificado. Este estender-se-ia a zonas vizinhas, como o Valado, no sopé da encosta, e o abrigo rupestre da Fraga da Letra. Segue-se um vazio de época romana, sinal de que o local deixou de interessar, ao contrário de muitos outros povoados fortificados romanizados. A Alta Idade Média também não deixou rasto. Só no século XII, ou pouco antes, voltam a aparecer referências e vestígios de ocupação.
A doação aos Templários
Em 1145, Penas Róias foi doada aos Templários por Fernão Mendes de Bragança, que então governava a Terra de Bragança. A mesma doação incluiu o vizinho Castelo de Mogadouro. O registo nacional entende que, por essa altura, já haveria aqui um reduto defensivo com alguma importância; de outro modo, a doação não se justificaria.
Esse reduto anterior pode explicar os vestígios de torreões de planta circular que ainda se veem nos vértices do castelo. Torres circulares são invulgares na arquitetura militar medieval do Norte de Portugal, que preferiu em geral as plantas quadrangulares. Alguns autores associaram-nas à tradição leonesa, comum nos castelos da margem direita do Côa. Os estudos de Mário Barroca, citados pelo registo, também as consideram anteriores à obra templária. Barroca liga-as, porém, a uma maior qualidade construtiva, e não a uma influência leonesa. A página do Município afirma que os dois torreões visíveis indiciam uma construção nos inícios do século XII.
A torre de menagem e a sua inscrição
A obra templária está documentada por uma inscrição integrada na torre de menagem. Está muito degradada, e as linhas inferiores são difíceis de ler. O registo nacional, seguindo Mário Barroca, lê a data como Era de 1210 ou de 1219, ou seja, 1172 ou 1182. Afasta assim a data de 1166, tradicionalmente apontada. Alguns autores do século XX quiseram ver na inscrição o nome do mestre Gualdim Pais. O registo considera essa leitura não inteiramente verificável, mas não duvida de que a campanha teve o patrocínio direto da Ordem.
Penas Róias insere-se assim num conjunto de castelos românicos templários assinalados por inscrições, a que pertencem também Tomar e Almourol. A torre, de planta quadrangular, ficava no centro do pátio muralhado. Tinha pelo menos três pisos, e entrava-se por uma porta elevada, através de uma escada amovível. O Município refere ainda uma cruz templária gravada no lintel da entrada. Para o contexto estilístico, veja a arquitetura românica em Portugal.
Da Ordem do Templo à ruína
Os Templários não ficaram muito tempo com o castelo. O registo nacional indica que o trocaram por territórios mais a sul, na Beira Interior: Idanha-a-Velha, em 1197, e uma parcela junto a Vila Velha de Ródão, em 1199. Segundo a página do Município, depois de várias trocas entre a Coroa e os Templários, Álvaro Pires de Távora adquiriu o castelo em 1457.
No início do século XVI, Duarte de Armas desenhou Penas Róias para o Livro das Fortalezas. O desenho ainda mostra a muralha e um pequeno povoado, um pouco afastado do castelo. O Município situa o desenho em 1509 e descreve a fortaleza como ainda em relativo bom estado. Dois séculos e meio depois, segundo o registo nacional, já não restava nenhum pano da muralha exterior. O Município acrescenta que o castelo voltou à Coroa em 1759 e que a ruína se acelerou depois da extinção do antigo concelho de Penas Róias, em 1836.
Classificação
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 34 452, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 59, de 20 de março de 1945. O registo nacional não indica uma zona especial de proteção própria. A página do Município remete para a zona geral de proteção prevista no artigo 43.º da Lei n.º 107/2001. O castelo não integra nenhum bem do Património Mundial.
Preparar a visita
O castelo fica no cimo do monte a norte da povoação, sobre afloramentos rochosos, e o terreno em volta é irregular. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do Município de Mogadouro não publicava horários, regras de acesso nem indicações sobre o percurso até à torre. Confirme as condições junto do posto de turismo municipal, na Casa das Artes e Ofícios de Mogadouro, antes de ir.
A visita combina bem com o Castelo de Mogadouro, a poucos quilómetros, que partilha a mesma história templária. No distrito, o Castelo de Bragança completa o retrato da fronteira transmontana. Para mais fortalezas, consulte os castelos de Portugal e o guia do Norte.
Fotografia de Pedro from Maia (Porto), Portugal, de 15 de junho de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- De quando é o Castelo de Penas Róias?
- A torre de menagem resulta de uma obra dos Templários comemorada por uma inscrição. O registo nacional lê nela a Era de 1210 ou de 1219, ou seja, o ano de 1172 ou de 1182, e afasta a data tradicional de 1166. Antes disso, em 1145, o castelo já existia, pois foi doado aos Templários.
- Foi Gualdim Pais quem mandou construir a torre?
- Alguns autores leram o nome do mestre templário Gualdim Pais na inscrição, mas o registo nacional considera que isso não é inteiramente verificável. Admite, no entanto, que a obra contou com patrocínio direto da Ordem.
- O que resta hoje?
- Resta sobretudo a torre de menagem quadrangular, que tinha pelo menos três pisos e porta elevada, e vestígios de torreões circulares. Da muralha exterior, que Duarte de Armas ainda desenhou no início do século XVI, já não restava nenhum pano dois séculos e meio depois.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 34 452, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 59, de 20 de março de 1945.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Penas Róias (69828)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Penas Róias (NINV 2418)
- Diário do Governo — Decreto n.º 34 452, de 20 de março de 1945
- Município de Mogadouro — Castelo de Penas Roias
- Município de Mogadouro — Contactos e localização
- Wikidata — Castelo de Penas Róias (Q5049813)
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