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Castelo de Monção

Castelo de Monção: da cerca de D. Dinis à praça-forte abaluartada do século XVII sobre o rio Minho, com as portas de Salvaterra e do Rosal. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Baluarte de pedra das muralhas de Monção, com relvado no fosso, o rio Minho à esquerda e montanhas ao fundo
Krzysztof Golik, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Monção, Viana do Castelo
Construção
Século XIV (cerca de D. Dinis); praça abaluartada a partir de 1656

O Castelo de Monção é hoje, sobretudo, uma praça-forte: um perímetro de muralhas baixas e baluartes que envolve o centro histórico da vila, sobre a margem esquerda do rio Minho. Do outro lado do rio, já na Galiza, fica Salvaterra de Miño. Do castelo medieval resta pouco, mas o conjunto mostra bem como uma vila de fronteira do Alto Minho foi fortificada primeiro na Idade Média e depois adaptada à guerra de artilharia do século XVII. Está classificado como Monumento Nacional sob o nome de Castelo de Monção.

Uma vila fortificada no século XIII

O registo nacional do Património Cultural, I.P. considera obscuras as origens de Monção. A hipótese mais aceite é que fosse uma terra reguenga sem grande importância nos primeiros tempos do reino. Os documentos de D. Afonso Henriques para o Alto Minho referem os castelos de Pena da Rainha, Froião, Valadares e Melgaço, mas não Monção.

A vila afirma-se mais tarde. Nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258, Monção já aparece como vila. Três anos depois, em 1261, recebeu foral. Nesse mesmo ano, uma referência aos miles de Monçom mostra que a povoação já estava fortificada em meados do século XIII. No início do século XIV recebeu carta de feira e começou a construção da igreja matriz.

O castelo de D. Dinis

A tipologia do castelo medieval é claramente gótica. O registo descreve uma cerca de perfil ovalado, quase circular, com a torre de menagem associada a uma das portas e ruas dispostas em malha ortogonal. A memória recolhida por Rui de Pina no início do século XVI atribuía a D. Dinis a construção ou reforma integral da fortaleza. A Câmara Municipal data a obra de 1306, num período de guerra prolongada com Castela, e descreve um castelo com torre de menagem e cerca em redor da vila.

A cerca tinha só duas portas. A principal, defendida pela torre, abria para o terreiro da feira. A outra, mais pequena, levava à zona ribeirinha. A rua direita ligava as duas entradas e a igreja matriz. No século XV, talvez no reinado de D. João I, acrescentou-se uma couraça: muros paralelos que protegiam os acessos ao interior.

A praça-forte da Restauração

A grande reforma militar de Monção aconteceu durante as Guerras da Restauração. Segundo o registo nacional, as obras começaram em 1656, com projeto de Miguel de l’Escole e direção do mestre João Alves do Rego. Não bastaram para travar o ataque espanhol de 1659. A nova praça reaproveitou e transformou parte das muralhas medievais, sobretudo na frente do rio. No essencial, porém, foi um projeto novo, pensado para envolver a vila que já há muito tinha saído do núcleo medieval.

O novo perímetro tinha nove baluartes, a maioria em cunha, e cinco portas. A mais notável é a Porta de Salvaterra, com as armas nacionais. Dentro das muralhas ficaram amplos espaços livres, úteis para movimentar tropas, e uma nova centralidade: o rossio, onde se ergueram depois o pelourinho e a igreja da Misericórdia. Esta lógica de fortificação abaluartada é a mesma de Valença, rio abaixo. É explicada em fortalezas abaluartadas.

O que se vê hoje

A Câmara Municipal resume o estado atual: do castelo de D. Dinis só é visível um troço junto ao passeio dos Néris. Perto dele fica o paiol, coberto de lajes e rodeado por um muro alto. Conservam-se a Porta de Salvaterra e a Porta do Rosal. O passeio pelo perímetro das muralhas oferece vistas sobre o rio, a zona ribeirinha, o parque termal e a margem galega.

Deu-la-Deu Martins

A figura mais associada às muralhas é Deu-la-Deu Martins, a heroína lendária da vila. Segundo a Câmara Municipal, era mulher do capitão-mor Vasco Gomes de Abreu e defendeu Monção dos castelhanos no século XIV, durante as guerras de D. Fernando com D. Henrique de Castela. A sua memória está em vários pontos do centro histórico. Em 1869, o brasão de Monção com a sua figura foi colocado no chafariz da Danaide, de 1837, na Praça Deu-la-Deu. Desde 2008, uma escultura de João Cutileiro no miradouro dos Néris representa-a debruçada sobre o rio. A igreja matriz tem uma capela em sua memória.

Classificação e proteção

O Castelo de Monção é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O Atlas do Património Classificado não indica zona especial de proteção própria. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

As muralhas fazem parte do espaço público da vila e percorrem-se a pé. Não encontrámos indicação de horários ou bilhetes para o conjunto. O roteiro municipal do centro histórico propõe um percurso que liga a Loja Interativa de Turismo, o Museu do Alvarinho, a Praça Deu-la-Deu, a escultura de Cutileiro e a igreja matriz. Na consulta de 5 de novembro de 2026, esse roteiro estava disponível no site da Câmara Municipal de Monção.

Monção dá nome, com Melgaço, a uma sub-região do Vinho Verde conhecida pelo Alvarinho, e a visita pode continuar no Palácio da Brejoeira. Para outros exemplos da raia minhota e transmontana, consulte os castelos de Portugal e a região Norte.

Fotografia de Krzysztof Golik, de 19 de fevereiro de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que resta do castelo medieval de Monção?
Pouco. Segundo a Câmara Municipal, do castelo de D. Dinis só é visível um troço junto ao passeio dos Néris. O que hoje se percorre é sobretudo a praça-forte abaluartada construída a partir de 1656, que reaproveitou parte das muralhas medievais.
Quem construiu a fortaleza abaluartada?
Segundo o registo nacional, as obras começaram em 1656, no contexto das Guerras da Restauração, com projeto de Miguel de l'Escole e direção do mestre João Alves do Rego. O novo perímetro tinha nove baluartes e cinco portas.
O Castelo de Monção está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.
Quem foi Deu-la-Deu Martins?
É a heroína lendária de Monção. Segundo a Câmara Municipal, era mulher do capitão-mor Vasco Gomes de Abreu e defendeu a vila dos castelhanos no século XIV, durante as guerras de D. Fernando com D. Henrique de Castela. A sua figura está no brasão da vila e numa escultura de João Cutileiro.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Monção (70678)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Monção (NINV 4133)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Câmara Municipal de Monção — Fortaleza de Monção
  5. Câmara Municipal de Monção — Praça Deu-la-Deu
  6. Câmara Municipal de Monção — Escultura a Deu-la-Deu Martins
  7. Câmara Municipal de Monção — Estátua da Danaide/Brasão Deu-la-Deu Martins
  8. Câmara Municipal de Monção — Roteiro Centro Histórico de Monção
  9. Wikidata — Castelo de Monção (Q5049797)

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