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Castelo de Paderne

Castelo de Paderne, em Albufeira: fortaleza almóada de taipa sobre a ribeira de Quarteira, conquistada em 1248, Imóvel de Interesse Público, com ponte antiga.

Perguntas frequentes Fontes
Muralha alaranjada de taipa e torre albarrã ligadas por um arco junto à entrada do Castelo de Paderne
Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Paderne, Albufeira, Faro
Construção
2.ª metade do séc. XII – inícios do séc. XIII

Quem passa pela Via do Infante vê, a sul da estrada, as ruínas avermelhadas do Castelo de Paderne, num cabeço sobre a margem esquerda da ribeira de Quarteira, cerca de 2 km a sul da aldeia de Paderne, no concelho de Albufeira. O castelo é um dos melhores exemplos de fortaleza rural islâmica em taipa no Sul de Portugal. A sua planta, as torres e a porta em cotovelo mostram como o Algarve muçulmano se defendeu do avanço cristão.

Uma fortaleza almóada de taipa

O registo nacional situa a construção numa fase tardia da presença islâmica no Algarve, no século XI ou já no século XII. O Geoparque Algarvensis é mais preciso: aponta para a época almóada, entre a segunda metade do século XII e as primeiras décadas do século XIII. Nesse período, a defesa deixou de se concentrar apenas nas cidades do litoral. Formou-se uma segunda linha de fortalezas de média dimensão no Barrocal e na Serra, de caráter claramente rural. Paderne é um dos testemunhos mais importantes dessa rede.

A técnica construtiva é a taipa: terra compactada dentro de cofragens, em blocos sucessivos que ainda se leem nas paredes. Nas portas e nas fundações aparece pedra irregularmente talhada. A planta é trapezoidal irregular e ajusta-se ao relevo. A entrada é protegida por uma torre albarrã, e o acesso faz-se por uma porta em cotovelo, que obrigava quem entrava a mudar de direção. Helena Catarino, cujos estudos o registo nacional cita, identifica estes elementos como típicos das fortificações almóadas do interior algarvio. Para enquadrar a técnica, veja arte islâmica em Portugal.

Uma vila planeada dentro das muralhas

O recinto não era apenas militar. O Geoparque descreve uma pequena povoação planeada de raiz, com ruas estreitas de traçado ortogonal e um sistema de esgoto que conduzia as águas sujas e pluviais para fora da muralha. Os quarteirões eram formados por casas de pátio central. Entre as ruínas das habitações, duas cisternas testemunham os dois grandes períodos de ocupação, o islâmico e o cristão.

Conquista, Ordem de Avis e abandono

O Geoparque Algarvensis indica que a conquista cristã ocorreu em 1248, por D. Paio Peres Correia. Outras publicações apresentam datas diferentes, e o registo nacional não fixa um ano. Depois da conquista, os novos ocupantes adaptaram o modelo urbano islâmico. No reinado de D. Dinis, houve uma tentativa de dar ao castelo um território administrativo, com a doação à Ordem de Avis.

Do século XIV datam construções no interior do recinto, a que poderá corresponder a primeira fase da ermida de Nossa Senhora da Assunção, junto à porta e hoje em ruína. Com a defesa concentrada no litoral, o castelo perdeu importância. A população mudou-se para a atual aldeia de Paderne no século XVI, mas, segundo o Geoparque, as romarias ao local continuaram até ao século XIX.

Restauro e proteção

O castelo é Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 516/71, publicado no Diário do Governo de 22 de novembro de 1971. A sua zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 978/99, de 14 de setembro de 1999. O registo nacional reúne fotografias da muralha de taipa depois do restauro, em 2007, e da ermida depois da consolidação, em 2014. O mesmo registo nota que as intervenções arqueológicas não têm sido sistemáticas. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. O castelo está, no entanto, no território do Geoparque Algarvensis, reconhecido pela UNESCO como geoparque.

A ponte antiga e a envolvente

A sudoeste do castelo, sobre a ribeira de Quarteira, fica a ponte antiga de Paderne, que pertencia à ligação entre Loulé e Silves. O Geoparque classifica-a como medieval, mas uma inscrição sobre o arco central tem a data de 1771, que o mesmo texto aponta como data de construção. Conserva três arcos, dois talhamares em prisma triangular e troços da calçada original. O percurso pedestre PR1, que passa pela Estação de Biodiversidade da Ribeira de Quarteira, permite ligar a ponte ao castelo.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Geoparque Algarvensis indicava o castelo como visitável às quartas e sextas-feiras, sem horas publicadas. Indicava também acesso a pé, de bicicleta ou de carro, com acessibilidade para mobilidade reduzida no local. A página municipal sobre o castelo não estava disponível nessa consulta. Confirme os dias, as horas e eventuais obras junto da Câmara Municipal de Albufeira ou na página do Geoparque.

Para continuar pelo Algarve islâmico, compare Paderne com o Castelo de Silves, também de taipa avermelhada, e com o património mouro e islâmico da região. O itinerário regional está em Algarve e a rede nacional em castelos de Portugal.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 19 de abril de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

De que época é o Castelo de Paderne?
É uma fortaleza do período islâmico. O Geoparque Algarvensis data-a da época almóada, entre a segunda metade do século XII e as primeiras décadas do século XIII; o registo nacional admite uma construção iniciada no século XI ou já no século XII.
Quando foi conquistado pelos cristãos?
O Geoparque Algarvensis indica a conquista cristã em 1248, por D. Paio Peres Correia. Outras publicações apontam datas diferentes, pelo que convém tratar o ano com prudência.
O castelo está classificado?
Sim. É Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971, e tem zona especial de proteção fixada pela Portaria n.º 978/99, de 14 de setembro de 1999.
Quando se pode visitar?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Geoparque Algarvensis indicava o castelo como visitável às quartas e sextas-feiras, sem horas publicadas. Confirme junto da Câmara Municipal de Albufeira antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Paderne (74129)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Paderne (NINV 2817)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro
  4. Geoparque Algarvensis — Castelo de Paderne
  5. Geoparque Algarvensis — Ponte do Castelo
  6. Wikidata — Castelo de Paderne (Q8342497)

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