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Arqueologia

Banhos Islâmicos de Loulé

Banhos Islâmicos de Loulé: hammam almóada do século XII encostado à muralha, descoberto em 2006, Monumento Nacional desde 2023 e hoje espaço museológico.

Perguntas frequentes Fontes
Estruturas de alvenaria escavadas do balneário islâmico de Loulé, vistas de uma passadiça de vidro e metal no interior do espaço museológico
Pedroz16, CC0 — Wikimedia Commons
Localização
Loulé, Faro
Construção
século XII (datação conjetural)

Sob um edifício do centro histórico de Loulé conserva-se um balneário público de época islâmica, o hammam da antiga al-Ulyã (o nome árabe de Loulé). Os Banhos Islâmicos de Loulé são hoje Monumento Nacional e um espaço museológico municipal. O inventário do SIPA classifica-os como excecionais pelo estado de conservação das estruturas, único em Portugal na sua tipologia.

Um banho público encostado à muralha

O SIPA data a construção do século XII, na fase almóada do domínio islâmico no Algarve, mas marca essa datação como conjetural. O balneário foi implantado adossado à muralha e a uma das suas torres, com cerca de 50 metros do limite sudoeste do edifício assentes na cerca urbana, e o inventário refere vestígios de uma torre albarrã no interior. Este posicionamento é descrito como quase inédito: normalmente os banhos públicos situavam-se junto das mesquitas ou das portas da cidade.

A planta é ligeiramente trapezoidal, com três naves de dimensões semelhantes, orientadas de nascente a poente. Correspondem à sala dos banhos quentes, à sala tépida e à sala fria, cada uma com um pequeno compartimento de apoio numa das extremidades. Os pavimentos estão suspensos sobre o hipocausto, o sistema de aquecimento por condutas de ar quente produzido por uma fornalha, e as paredes da sala quente incluem chaminés para a saída dos fumos. A sala fria está só em parte exposta, e a entrada original do edifício ainda não foi identificada, possivelmente numa zona por escavar.

Do fim da ocupação islâmica ao esquecimento

Depois da conquista cristã, D. Afonso III concedeu foral a Loulé em 1266, e o documento, segundo o SIPA, reservava para a Coroa os edifícios públicos, entre eles os banhos. O inventário aponta o uso do balneário até aos séculos XIV–XV; depois foi reconvertido ou desativado e enterrado, e o espaço aproveitado para novas construções. No interior ficaram arcos apontados de tijolo, sobre colunas de calcário com capitéis decorados, de construção medieval e posteriores à fase de uso como banho. Em 1985, Martins e Matos já tinham revelado a existência destes arcos, entaipados numa parede interior.

Descoberta e escavação

As estruturas dos banhos foram identificadas em 2006, durante a abertura de valas para uma caixa de recolha de águas pluviais nas obras do centro histórico. O imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Loulé em 2006, segundo a página do município, e o SIPA refere um protocolo com o Campo Arqueológico de Mértola para continuar as escavações e preparar um projeto de valorização e musealização. As publicações de Isabel Luzia e de Alexandra Pires, na revista Al-ulyã do Arquivo Municipal de Loulé, estão entre os estudos citados no inventário.

Classificação

O Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026, regista os Banhos Islâmicos de Loulé (NINV 75565) como Monumento Nacional, classificados pelo Decreto n.º 17/2023, Diário da República, 1.ª série, n.º 136, de 14 de julho de 2023. O registo não indica, nessa data, zona especial de proteção própria. Para o contexto, veja a arqueologia islâmica do Gharb al-Andalus, onde Mértola e Silves são os casos mais conhecidos, a arte islâmica em Portugal e o património mouro e islâmico.

Preparar a visita

O espaço, que partilha o edifício com a Casa Senhorial dos Barreto, fica na Rua Garcia de Orta, n.º 4, em Loulé, e está integrado no Museu Municipal. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do município indicava abertura de terça a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 18h00, com encerramento à segunda-feira, e não indicava preços. Contactos municipais: [email protected] e 289 400 953; marcações de visitas orientadas pelo 289 400 611. Confirme sempre na página do município.

Fotografia: Pedroz16, 9 de junho de 2026, Banhos Islâmicos de Loulé - 1.jpg, dedicada ao domínio público (CC0), redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que são os Banhos Islâmicos de Loulé?
São os restos de um balneário público de época islâmica, um hammam, situado no centro histórico de Loulé e adossado à antiga muralha da cidade. O SIPA descreve-o como construído no século XII, na época almóada, com datação indicada como conjetural.
Estão classificados?
Sim, como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 17/2023, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 136, de 14 de julho de 2023.
Quando foram descobertos?
As estruturas foram identificadas em 2006, durante a abertura de valas para uma caixa de recolha de águas pluviais nas obras do centro histórico, segundo o SIPA. Já em 1985 se sabia da existência de arcos apontados no interior do edifício.
Posso visitar?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do município indicava horário de terça a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 18h00, com encerramento à segunda-feira. Confirme na página municipal antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (Banhos Islâmicos de Loulé, NINV 75565)
  2. Diário da República — Decreto n.º 17/2023, de 14 de julho de 2023
  3. DGPC — SIPA, Banhos Islâmicos de Loulé / Hammam de Al-Ulyã / Casa das Bicas (IPA.00036182)
  4. Município de Loulé — Banhos Islâmicos de Loulé e Casa Senhorial dos Barreto
  5. Wikidata — Banhos Islâmicos de Loulé (Q109521540)

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