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Castelo de Penamacor

Castelo de Penamacor: vila muralhada da raia beirã, doada aos Templários em 1189, com torre de menagem do séc. XVI e baluartes. Monumento Nacional desde 2013.

Perguntas frequentes Fontes
Torre de menagem do Castelo de Penamacor, de granito, com balcão de matacães no topo e escada exterior até à porta elevada, sobre afloramentos rochosos
Concierge.2C, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Penamacor, Castelo Branco
Construção
Finais do séc. XII – séc. XIV; torre de menagem com remate do séc. XVI; baluartes do séc. XVII

O Castelo de Penamacor ocupa o Cimo da Vila, uma elevação granítica que domina a raia da Beira Baixa, no distrito de Castelo Branco. O decreto de classificação sublinha que daqui se avista o Castelo de Monsanto: as duas fortalezas faziam parte da mesma linha de defesa da fronteira. Do que foi, segundo o mesmo texto, um dos mais poderosos castelos da Beira, resta pouco. Esse pouco basta para ler oito séculos de história militar e municipal: uma torre de menagem alta e fechada, a antiga Casa da Câmara sobre a porta da vila, troços de muralha e restos de baluartes.

Templários e coroa

O registo nacional do Património Cultural, I.P. liga as origens do castelo a 1189, ano em que D. Sancho I doou a vila ao mestre da Ordem do Templo, D. Gualdim Pais. A construção do recinto fortificado costuma situar-se nesse momento ou pouco depois. O registo admite que já existisse no local uma fortificação anterior, como sucedeu noutras doações aos Templários, mas as escavações no Cimo da Vila ainda não a confirmaram. O município, por seu lado, apresenta Penamacor como vila régia depois da Reconquista e data de 1209 a carta de foral de D. Sancho I.

Do castelo românico quase nada se conhece. Segundo o registo, os vestígios conservados pertencem já à Baixa Idade Média. No reinado de D. Dinis, fizeram-se obras de amuralhamento, e o decreto de 2013 atribui a esta campanha um perímetro mais alargado. A barbacã e outros elementos são já dos reinados de D. Fernando e D. João I. O burgo medieval tinha uma cerca ovalada, própria das vilas muralhadas góticas, e ainda se percebe ao longo da Rua de São Pedro.

A torre de menagem

O elemento mais forte do conjunto é uma torre de planta quadrangular, assente em afloramento granítico. Quase sem janelas, tem uma única porta, alta em relação ao solo, que exigia uma escada amovível. O município indica que essa porta fica a cerca de seis metros da base e que hoje se lhe chega por uma escada exterior. O coroamento era um balcão corrido de matacães sobre cachorrada, solução que o registo nacional considera relativamente rara em Portugal. O registo data-o dos inícios do século XVI, porque Duarte de Armas, que desenhou a vila por essa altura, anotou que a torre de menagem ainda não estava acabada.

O nome das torres não é consensual. O registo nacional considera esta torre a de menagem e lembra que foi durante muito tempo chamada, erradamente, “de vigia”. O município também a apresenta como torre de menagem e descreve-a como uma das últimas torres de perfil medieval erguidas em Portugal, com funções de vigilância e residência. O texto do decreto de 2013, porém, distingue uma Torre de Vigia isolada e identifica a antiga menagem com a atual Torre do Relógio. Esta última está adossada à muralha junto às portas da vila. O município data-a provavelmente de meados do século XIV e diz que as ameias e o campanário atuais resultam de uma reconstrução de meados do século XX, feita para receber o relógio instalado em 1956.

Da Casa da Câmara aos baluartes

Em 1568, segundo o registo nacional, a Casa da Câmara foi construída sobre a porta norte da vila, no alinhamento da muralha. O piso térreo é a própria passagem para o recinto, e a câmara controlava assim quem entrava e saía. O município descreve a entrada em túnel formada pela justaposição de um portal gótico ao portal românico primitivo. Os vereadores reuniram-se ali até ao século XIX. Depois, o edifício serviu de paiol militar e, segundo o município, a partir de 1949, de sede do núcleo inicial do Museu Municipal; o registo nacional aponta 1943 para a instalação do museu nos antigos Paços do Concelho.

Durante a Guerra da Restauração, as muralhas foram reforçadas. Sob o comando do marquês de Castelo Melhor, construíram-se seis baluartes em redor da fortificação medieval. O decreto nomeia, entre o que sobrevive, os redutos do Outeiro e do Cavaleiro. Junto ao conjunto fica o pelourinho, com a data de 1565 no brasão da vila. O município considera-o uma peça única no distrito, por conservar as argolas nos ganchos de ferro.

Desmantelamento e classificação

O registo nacional relata que as guarnições se mantiveram no século XVIII, mas a sua extinção, em 1834, precipitou a destruição do sistema militar. O castelo passou a servir de pedreira. Em 1867, foi demolida a porta de Santo António e, em 1874, a câmara autorizou o desmonte de um baluarte. O processo prolongou-se pela primeira metade do século XX.

A classificação teve um percurso longo. Em 1973, a proposta da Direção-Geral dos Assuntos Culturais foi apreciada pela Junta Nacional da Educação e homologada como Monumento Nacional. Só em 2013 foi publicado o decreto. O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 14/2013, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 119, de 24 de junho de 2013. O decreto entende o castelo como toda a área amuralhada do antigo burgo medieval e remete a fixação da zona especial de proteção para portaria posterior. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Atlas do Património Classificado não indicava portaria de ZEP para este monumento. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. O concelho de Penamacor integra, contudo, o território do Geoparque Naturtejo.

Preparar a visita

A visita faz-se a pé pelo Cimo da Vila, a partir do centro de Penamacor. Segundo o município, a torre de menagem expõe numa sala abobadada parte do espólio das escavações da alcáçova e do pelourinho, bem como uma maqueta do antigo burgo baseada nos desenhos de Duarte de Armas. Do topo, a vista alcança a Sierra de Gata, a Gardunha e Monsanto.

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal da torre indicava visitas por marcação e entrada gratuita, com o telefone 277 394 106 e o endereço [email protected]. Essa página não era atualizada desde dezembro de 2020. Confirme as condições com o município antes de ir.

Na vila, a Casa da Memória da Medicina Sefardita Ribeiro Sanches, inaugurada em dezembro de 2021, liga Penamacor à Rede de Judiarias de Portugal, da qual o município foi membro fundador. Para continuar pela raia, siga para Monsanto, consulte o itinerário do Centro de Portugal ou compare Penamacor com outros castelos de Portugal.

Fotografia de Concierge.2C, de 11 de junho de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Castelo de Penamacor?
O registo nacional liga as origens à doação da vila a D. Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, por D. Sancho I, em 1189. O que hoje se vê é sobretudo mais tardio: obras de D. Dinis, barbacã dos reinados de D. Fernando e D. João I, remate da torre de menagem do início do século XVI e baluartes da Guerra da Restauração.
O Castelo de Penamacor é Monumento Nacional?
Sim. Foi classificado pelo Decreto n.º 14/2013, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 119, de 24 de junho de 2013. A proposta de classificação vinha de 1973, ano em que foi homologada, mas o decreto só foi publicado em 2013.
O que resta do castelo?
Segundo o decreto de classificação, restam as torres de Menagem e de Vigia, os redutos do Outeiro e do Cavaleiro, troços da muralha e a antiga Casa da Câmara, levantada sobre a porta norte da vila. A malha medieval ainda se lê ao longo da Rua de São Pedro.
Pode visitar-se a torre de menagem?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal da Torre de Menagem e Antigos Paços do Concelho indicava visitas por marcação e entrada gratuita, com o contacto 277 394 106. Essa página não era atualizada desde 2020, pelo que convém confirmar antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Penamacor, também denominado Fortaleza de Penamacor (73056)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Penamacor (NINV 142)
  3. Diário da República — Decreto n.º 14/2013, de 24 de junho
  4. Município de Penamacor — Castelo de Penamacor, Torre de Menagem
  5. Município de Penamacor — Antiga Casa da Câmara
  6. Município de Penamacor — Torre do Relógio
  7. Município de Penamacor — Pelourinho
  8. Município de Penamacor — Torre de Menagem e Antigos Paços do Concelho
  9. Município de Penamacor — Museus
  10. Wikidata — Castelo de Penamacor (Q5049810)

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