Monumentos
Castelo de Pinhel
Castelo de Pinhel: cerca oval de seis portas, foral de 1189 e duas torres com matacães e janelas manuelinas. Monumento Nacional, com centro interpretativo.
- Localização
- Pinhel, Guarda
- Construção
- Finais do séc. XII – séc. XIV; obras manuelinas c. 1510 e da Guerra da Restauração
Em Pinhel, no distrito da Guarda, duas torres medievais de granito sobressaem acima do centro histórico. São o que mais se vê do Castelo de Pinhel, uma fortaleza da raia beirã que vigiou durante séculos o caminho para a travessia do rio Côa, quando o rio marcava a fronteira entre Portugal e Leão. O castelo não é apenas um reduto: era uma cerca urbana de planta oval com seis portas, e o seu traçado ainda organiza a parte alta da cidade.
Do recinto pré-romano ao foral de 1189
Segundo o registo nacional do Património Cultural, I.P., existia no local um recinto fortificado desde a época pré-romana. Com D. Afonso Henriques, a zona ganhou peso na Reconquista. D. Sancho I reconheceu essa importância ao dar carta de foral a Pinhel em 1189, a que se seguiu a construção do castelo. A obra continuou no reinado de D. Afonso II. Com D. Dinis, o conjunto foi reconstruído e alargado, e a muralha envolvente foi restaurada.
O registo sintetiza a fase inicial assim: entre o último quartel do século XII e o primeiro quartel do século XIII construíram-se seis torres de planta quadrada, a que correspondiam seis entradas com arcos de volta perfeita e quebrados. As portas eram a Porta da Vila e as portas de Santiago, de Marrocos, de São João, de Alvacar e de Marialva. A última aponta para o Castelo de Marialva, outra praça desta rede de fronteira.
O castelo manuelino
Quando D. Manuel confirmou o foral de Pinhel, em 1510, as torres foram consolidadas. Por isso, segundo o registo, a construção de planta oval mostra hoje sobretudo uma linguagem manuelina. As duas torres que subsistem no recinto da cidadela, uma delas a torre de menagem, têm matacães e janelas rasgadas nessa época: uma janela mainelada e outra de lintel reto. No contexto da Guerra da Restauração, o castelo voltou a receber obras de melhoramento.
A classificação inclui uma moradia anexa, de carácter rústico, adossada a uma das torres. É um caso pouco comum: a casa ficou protegida juntamente com o monumento. O registo nacional não indica a data dessa construção.
Classificação e proteção
O Castelo de Pinhel e uma moradia anexa são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 37 801, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 78, de 2 de maio de 1950. A zona especial de proteção foi fixada por portaria de 15 de dezembro de 1962, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 8, de 10 de janeiro de 1963. O registo descreve-a como ZEP sem restrições.
O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. O Atlas do Património Classificado regista, no entanto, o Conjunto dos Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa, Monumento Nacional e património mundial, nos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo e Pinhel. Veja o Sítio Arqueológico do Vale do Côa. Pinhel também não pertence à rede das Aldeias Históricas de Portugal. Para comparar com outra fortaleza da raia, veja o Castelo de Castelo Rodrigo.
O Centro Interpretativo nas torres
Em 25 de agosto de 2021, o município inaugurou nas torres o Centro Interpretativo do Castelo e Territórios de Pinhel. O percurso usa as duas torres. Os painéis explicam a origem e a evolução do castelo e a sua importância regional. Um pequeno filme conta a Lenda do Falcão, que retrata a participação das gentes de Pinhel na batalha de Aljubarrota. O município apresenta Pinhel como “Cidade Falcão”. Há também referências ao património arqueológico e natural do vale do Côa.
Na Torre Manuelina, a exposição trata do sistema defensivo de Pinhel e do controlo que o castelo exercia sobre o caminho para a travessia do Côa. Uma reconstituição virtual mostra o castelo, com destaque para os espaços interiores da torre e para a vida quotidiana da época.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal do centro interpretativo indicava abertura de terça-feira a domingo. De outubro a março, o horário era das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00; de abril a setembro, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 19h00. O centro encerrava a 1 de janeiro, no domingo de Páscoa e a 25 de dezembro.
A página não indicava preços. Para confirmar condições, o município indica os contactos [email protected] e [email protected]. O município disponibiliza também mapas do centro histórico em português, espanhol e inglês.
Depois do castelo, vale a pena percorrer o centro histórico, com brasões, pelourinho e solares que o município destaca. Para enquadrar Pinhel na raia beirã, consulte o itinerário do Centro de Portugal e a rede dos castelos de Portugal.
Fotografia de David Perez, de 31 de dezembro de 2015. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construído o Castelo de Pinhel?
- O registo nacional associa o início da construção ao foral dado a Pinhel por D. Sancho I em 1189. O conjunto continuou com D. Afonso II e foi reconstruído e alargado por D. Dinis. Houve obras na confirmação do foral por D. Manuel, em 1510, e no contexto da Guerra da Restauração.
- Quais são as seis portas de Pinhel?
- O registo nacional enumera a Porta da Vila e as portas de Santiago, de Marrocos, de São João, de Alvacar e de Marialva, rematadas por arcos de volta perfeita e quebrados.
- O castelo está classificado?
- Sim. O Castelo de Pinhel e uma moradia anexa são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 37 801, publicado no Diário do Governo de 2 de maio de 1950. A zona especial de proteção foi fixada por portaria de 15 de dezembro de 1962.
- Como se visitam as torres?
- As duas torres acolhem o Centro Interpretativo do Castelo e Territórios de Pinhel, inaugurado em 2021. Na consulta de 5 de novembro de 2026, abria de terça a domingo, com horários de inverno e de verão publicados pelo município.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Pinhel e uma moradia anexa (70409)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Pinhel (NINV 2989)
- Diário do Governo — Decreto n.º 37 801 (I Série, n.º 78, 2-05-1950)
- Município de Pinhel — Centro Interpretativo do Castelo e Territórios de Pinhel
- Município de Pinhel — Descobrir e visitar
- Wikidata — Castelo de Pinhel (Q7195878)
- Aldeias Históricas de Portugal — Página inicial (lista das 12 aldeias)
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