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Monumentos
Castelo de Santiago do Cacém
Castelo de Santiago do Cacém: fortaleza de origem islâmica da Ordem de Santiago, com torres, barbacã e antigo cemitério interior. Monumento Nacional desde 1910.
- Localização
- Santiago do Cacém, Setúbal
- Construção
- Origem islâmica, anterior à conquista cristã de 1157–1158; alcaidaria dos séc. XIII–XIV
O Castelo de Santiago do Cacém ocupa o topo do cerro que domina a cidade e a planície do litoral alentejano. Segundo o município, forma com a Igreja Matriz, também Monumento Nacional, um conjunto monumental sobre o centro histórico. A fortaleza de origem islâmica passou pelos Templários e pela Ordem de Santiago e acabou por servir de cemitério. Conserva ainda um circuito de muralhas com torres e uma barbacã quase completa.
De Cacém a Santiago do Cacém
O território é ocupado desde muito cedo. A cidade romana de Miróbriga, na colina vizinha, é o testemunho mais conhecido dessa ocupação. O registo nacional do Património Cultural, I.P. descreve um declínio a partir do século IV e a chegada dos muçulmanos em 712. O nome Cacém poderá vir de um governador árabe chamado Kassen. Uma lenda local conta que um nobre vindo do Mediterrâneo oriental matou Kassen, tomou o castelo no dia de São Tiago e lhe chamou Sant’Iago de Kassen. O registo regista a hipótese e a lenda sem as confirmar.
A conquista cristã é datada de forma diferente pelas fontes oficiais. O registo nacional fala da tomada pelos Templários em 1157, de uma perda em 1185 e da recuperação no ano seguinte pela Ordem de Santiago, que recebeu a vila por doação régia. A página de turismo do município data a conquista de 1158, por D. Afonso Henriques com os cavaleiros templários, e a doação à Ordem de Santiago de 1186. Os Almóadas voltaram a tomar a praça em 1191, segundo o registo, ou em 1190, segundo o município. A posse cristã definitiva chegou em 1217, com D. Afonso II, que confirmou a doação à Ordem de Santiago. É desta ligação à Ordem que vem o nome Santiago do Cacém.
Senhores do castelo
O registo nacional refere que, mais de um século depois da conquista, o castelo pertenceu à princesa D. Vetácia (grafia do registo), próxima da Rainha Santa Isabel, e voltou à Ordem quando ela morreu. A página municipal precisa que a vila e o castelo foram seus entre 1310 e 1336, por troca com o mestre da Ordem, e identifica-a como a princesa bizantina D. Vataça Lascaris. Segundo o município, durante a crise de 1383–1385, o castelo esteve entre as praças alentejanas ocupadas pelas tropas castelhanas e recuperadas por D. Nuno Álvares Pereira. O registo nacional acrescenta a doação aos Duques de Aveiro, em 1594, e a passagem para a Coroa em 1759, quando o castelo já estava muito danificado.
Ruína e cemitério
Segundo o município, o castelo começou a perder a função defensiva no início do século XVI. Em 1605 já não era habitado e, em 1700, estava muito arruinado. A Câmara escolheu o interior para o cemitério municipal em 1838; o registo nacional situa esse uso a partir do século XIX. O registo atribui também parte da destruição das muralhas à construção da Igreja Matriz, no século XIII. A página municipal refere que uma das torres foi destruída em 1796, quando a matriz foi reedificada. O tema continua em cemitérios históricos.
O que se vê
O castelo tem a forma de um paralelogramo. O registo nacional dá-lhe 190 metros de comprimento e dez torres e cubelos, com seteiras, caminho de ronda e barbacã conservada quase na totalidade. A página municipal conta nove torres e cubelos, porque considera a décima perdida em 1796. Entra-se pela única porta que subsiste. Na porta, um conjunto brasonado mostra a cruz do estandarte da Ordem de Santiago, a cruz espatária e um escudo com as cinco quinas do reino. No interior, ficam as ruínas da antiga alcaidaria ou alcácer, com origem nos séculos XIII–XIV e remodelada nos séculos XV–XVI. Lá dentro esconde-se uma tulha medieval para guardar cereal.
Muito do aspeto atual resulta dos restauros feitos a partir dos anos 1930 pela Direção dos Serviços dos Monumentos Nacionais, segundo o município.
Classificação
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O diploma chama-lhe “Castelo de São Tiago do Cacém”. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, é comum ao castelo e à Igreja Matriz. Foi fixada pela Portaria de 27 de outubro de 1949, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 265, de 15 de novembro de 1949. Segundo o Atlas do Património Classificado, o castelo está afeto ao Património Cultural, I.P. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
O castelo fica no alto do centro histórico, que se estende pela encosta nascente do cerro, com ruas estreitas e íngremes. Na consulta de 5 de novembro de 2026, as páginas do município não publicavam horários para o castelo. A página dos postos de turismo indicava o Posto de Turismo de Santiago do Cacém, na Praça do Mercado Municipal, aberto de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30, e ao sábado, das 9h00 às 15h00, com encerramento aos domingos e feriados (telefone 269 826 696). A mesma página listava um posto da junta de freguesia, no centro histórico, mas mostrava também um aviso de “encerrado” sem deixar claro a qual dos postos se referia; confirme por telefone. Confirme as condições de acesso ao castelo na página de turismo do município antes de ir.
A visita combina bem com Miróbriga. Para comparar com outros castelos da Ordem de Santiago, veja os de Alcácer do Sal, Palmela e Sesimbra. O enquadramento regional está em Alentejo e a rede nacional em castelos de Portugal.
Fotografia de Koos van den beukel, de 30 de agosto de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC0 1.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Qual é a origem do castelo?
- O registo nacional e o município atribuem a primeira fortificação ao período islâmico. A conquista cristã é datada de 1157 pelo registo nacional e de 1158 pelo município; a posse cristã definitiva só chegou em 1217, sob D. Afonso II.
- Porque é que o castelo serviu de cemitério?
- Com a perda da função militar, o recinto ficou em ruína. O registo nacional refere o uso do interior como cemitério da vila a partir do século XIX; o município indica que a Câmara o escolheu para cemitério municipal em 1838.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção, partilhada com a Igreja Matriz, foi fixada por portaria de 27 de outubro de 1949.
- Qual a relação com Miróbriga?
- São lugares distintos. Miróbriga é a cidade romana na colina vizinha da Cumeada, classificada separadamente; o castelo coroa o cerro da atual cidade de Santiago do Cacém.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Santiago do Cacém (70441)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Santiago do Cacém (NINV 4022)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Município de Santiago do Cacém, Turismo — Património Arquitetónico Militar
- Município de Santiago do Cacém, Turismo — Centros Históricos
- Município de Santiago do Cacém, Turismo — Postos de Informação Turística
- Wikidata — Castelo de Santiago do Cacém (Q5049824)
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