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Monumentos
Castelo dos Mouros
Castelo dos Mouros, em Sintra: fortificação de fundação islâmica, igreja de São Pedro de Canaferrim, restauro romântico de D. Fernando II e dados de visita.
- Localização
- Sintra, Lisboa
- Construção
- séc. X (fundação islâmica); cisterna do séc. XIII; restauro romântico no séc. XIX
O Castelo dos Mouros ocupa um dos cumes da serra de Sintra, com muralhas de granito que acompanham a crista entre penedos e penhascos. De lá vê-se a vila, o Palácio da Pena e, ao longe, o Atlântico. É uma fortificação de origem islâmica, mas o que hoje se percorre resulta de mil anos de usos, abandono, escavação e restauro. Para compreender o monumento, convém separar essas camadas.
Uma fortificação do período islâmico
A Parques de Sintra – Monte da Lua, entidade que gere o monumento, apresenta-o como uma fortificação fundada no século X, durante a presença muçulmana na Península Ibérica. A declaração de valor universal da UNESCO é mais prudente quanto às origens: admite uma possível origem visigótica e afirma que o lugar foi seguramente utilizado no século IX. Para a Parques de Sintra, a posição era estratégica na defesa do território local e dos acessos marítimos a Lisboa.
Junto às muralhas existiu uma povoação, hoje designada Bairro Islâmico. As escavações identificaram ali alicerces de casas, silos e as fundações de um forno comunitário. A cerâmica recolhida, com panelas, cântaros, taças e garrafas, corresponde à cultura material muçulmana dos séculos X a XII. Apareceram também fusos em liga de cobre, cossoiros e fragmentos de rocas de fiar em marfim. Os silos, cavidades escavadas na rocha dentro e fora da muralha, serviam para guardar cereais e leguminosas. Este é um dos lugares onde a arte e a cultura material islâmicas em Portugal se leem a partir de objetos do quotidiano, e não só da arquitetura.
Da entrega de 1147 à vila medieval
Segundo a Parques de Sintra, os muçulmanos habitaram o castelo até 1147, quando Sintra foi entregue a D. Afonso Henriques, na sequência da conquista de Lisboa e de Santarém. A administração da vila e do seu termo foi depois doada a Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, e Sintra recebeu foral em 1154.
Com a fixação de população cristã, o bairro islâmico desapareceu e deu lugar a uma vila medieval, ocupada até ao século XV. Entre as duas cinturas de muralhas ergueu-se a Igreja de São Pedro de Canaferrim, construída no século XII e considerada a primeira igreja paroquial de Sintra. Terá permanecido ao culto até ao século XIV, e a abside conserva vestígios de pintura gótica do século XV. Sobre o antigo bairro instalou-se a necrópole cristã da igreja, usada durante cerca de três séculos (XII–XIV), com sepulturas que reuniam vários indivíduos.
A cisterna, com capacidade de cerca de 600 m³ e cobertura em abóbada, garantia água em caso de cerco. A porta de arco quebrado e a escassez de marcas de canteiro permitem situá-la no século XIII. Os blocos de granito parecem reaproveitados de uma estrutura anterior. A partir do século XV, terminados os conflitos da fronteira, a população deixou de precisar de se abrigar junto à fortificação, e a vila foi progressivamente abandonada.
O restauro romântico de D. Fernando II
No século XIX, D. Fernando II promoveu obras de restauro no castelo, no espírito do Romantismo e dos revivalismos. A partir de 1840, a igreja de São Pedro de Canaferrim foi transformada numa ruína romântica integrada na floresta do Parque da Pena. Junto à chamada Torre Real, o rei terá encontrado um lugar de lazer e de inspiração, com o palácio da Pena em fundo.
Essas obras danificaram parte da necrópole cristã. Os ossos então recolhidos foram reunidos num túmulo com um crescente, uma cruz e o epitáfio «O que o Homem juntou, só Deus poderá separar», porque não se sabia se eram restos de cristãos ou de muçulmanos. Por isso, o castelo que hoje se percorre não deve ser lido como uma fortificação medieval intacta: inclui intervenções do século XIX.
Arqueologia recente
O castelo é objeto de escavações arqueológicas desde 1976. Em 2000, a Parques de Sintra assumiu a sua gestão e, em 2009, criou um Campo de Investigação Arqueológica. As escavações de 2009–2013 alimentam o Centro de Interpretação, instalado na própria igreja de São Pedro de Canaferrim. Ali se apresentam as ocupações do lugar desde o Neolítico até à Idade Média. Entre os achados mais antigos conta-se um vaso completo característico do V milénio a.C., recolhido na área da necrópole.
Classificação e Património Mundial
O registo nacional identifica o Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna como Monumento Nacional, pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 670/99, publicada a 30 de junho de 1999.
O castelo integra também a Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial em 1995. A declaração de valor universal da UNESCO refere expressamente o castelo, a antiga igreja paroquial de São Pedro de Canaferrim e o Parque da Pena, que inclui o castelo. Esta inscrição abrange a paisagem no seu conjunto e não constitui uma inscrição separada do castelo. Para o enquadramento geral, veja a página da Paisagem Cultural de Sintra. No mesmo território ficam o Palácio Nacional de Sintra, que a UNESCO situa provavelmente sobre o antigo alcácer islâmico, e o Convento dos Capuchos. Para comparar com outras fortificações, consulte a página dos castelos portugueses.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava abertura das 09h30 às 18h00, com último bilhete e última entrada às 17h30. A bilheteira fechava entre as 12h00 e as 13h00, havendo um ponto de venda automática. Os preços publicados eram 12 € (adulto, 18–64 anos), 10 € (jovem, 6–17 anos, e sénior, mais de 65 anos) e 33 € (bilhete família, dois adultos e dois jovens). Confirme horários, preços e eventuais encerramentos na página da Parques de Sintra antes de ir.
A mesma fonte indicava que o trânsito em viatura particular não é permitido nos acessos ao monumento. Recomenda percursos pedestres ou transportes públicos a partir da estação, do centro histórico ou dos parques de estacionamento periféricos. A partir da estação ferroviária de Sintra, apontava o autocarro 434. A Parques de Sintra informava também que os cães são admitidos no castelo. Para condições de acessibilidade, consulte a área «Planear a Visita» do mesmo site.
Fotografia de Ввласенко, de 24 de abril de 2012. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O Castelo dos Mouros é mesmo de origem muçulmana?
- A Parques de Sintra, entidade gestora, apresenta-o como uma fortificação fundada no século X, durante a presença muçulmana. A declaração de valor universal da UNESCO admite uma possível origem visigótica, mas afirma que o local foi seguramente usado no século IX.
- Que proteção legal tem o castelo?
- Está classificado como Monumento Nacional, com a designação «Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna», pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Integra ainda a Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial em 1995.
- As muralhas atuais são todas medievais?
- Não necessariamente. O castelo foi objeto de obras de restauro no século XIX, por iniciativa de D. Fernando II, que reavivaram o imaginário medieval do lugar. A cisterna é atribuída ao século XIII e a igreja de São Pedro de Canaferrim ao século XII.
- Pode-se chegar de carro ao castelo?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Parques de Sintra indicava que o trânsito em viatura particular não é permitido nos acessos ao monumento e recomendava percursos pedestres ou transportes públicos a partir da vila de Sintra.
Fontes
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Castelo dos Mouros
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Castelo dos Mouros: história
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Igreja de São Pedro de Canaferrim
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Bairro Islâmico
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Cisterna
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Necrópole medieval cristã
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Silos
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Túmulo
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Torre Real
- Diário do Governo — n.º 136, de 23 de junho de 1910 (decreto de 16 de junho de 1910)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna (NINV 71811)
- UNESCO — Cultural Landscape of Sintra (723)
- Wikidata — Castelo dos Mouros (Q1049008)
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