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Santarém, Capital do Gótico Português
Santarém, capital do gótico português no Ribatejo: igrejas medievais, as Portas do Sol sobre o Tejo e o túmulo de Pedro Álvares Cabral.
Debruçada sobre uma colina que domina a planície da Lezíria e o curso do Tejo, Santarém é a sede de distrito do Ribatejo e uma das cidades mais densamente marcadas pela história medieval portuguesa. A sua reputação de capital do gótico não é um rótulo turístico recente: reflete a invulgar concentração de igrejas, túmulos e portais erguidos entre os séculos XIII e XV, quando a vila foi palco frequente de cortes e residência preferida de vários monarcas.
Da Scalabis romana à reconquista
Antes de ser Santarém, a cidade chamava-se Scalabis e foi um dos principais centros da Lusitânia romana, ponto de passagem de vias e capital de conventus jurídico. O nome atual deriva, segundo a tradição, da mártir Santa Iria, cujo culto se fixou na região. A posição estratégica sobre o Tejo fez dela uma praça muito disputada: o castelo muçulmano foi tomado por D. Afonso Henriques numa célebre escalada noturna a 15 de março de 1147, episódio que o primeiro rei narrou ele próprio na carta de doação à Ordem de São Bernardo.
Esse domínio do rio explica a fisionomia da cidade alta, organizada em torno da antiga alcáçova. Hoje convertida no Jardim das Portas do Sol, a cerca amuralhada conserva troços de muralha e torres, e oferece o melhor miradouro sobre a lezíria — o ponto natural por onde começa qualquer visita.
Um museu de pedra gótica
O conjunto monumental de Santarém distingue-se pela coerência e pela qualidade. A Igreja da Graça, iniciada por volta de 1380 e concluída no segundo quartel do século XV, é o exemplar maior do gótico flamejante em Portugal: a sua rosácea, talhada num único bloco de pedra, e o portal profusamente rendilhado contam-se entre as obras mais delicadas do estilo. No interior repousam os mausoléus da família Meneses, fundadora do templo, e a lápide de Pedro Álvares Cabral, o navegador associado à chegada ao Brasil.
A poucos passos, a Igreja de São João de Alporão — hoje núcleo do museu arqueológico — combina origem românica com uma cabeceira gótica que figura entre as primeiras aplicações do estilo no país. Frente a ela ergue-se a Torre das Cabaças, antigo relógio da vila. Completam o roteiro a Igreja de Santa Maria de Marvila, célebre pelos revestimentos de azulejo seiscentista, e a Sé seminarista, já barroca, que recorda a importância eclesiástica da cidade.
Em nenhum outro lugar de Portugal o gótico se concentra de forma tão didática: percorrer Santarém é folhear, rua a rua, três séculos de evolução de uma linguagem artística.
Coração do Ribatejo
Santarém é também a porta da cultura ribatejana, terra de campinos, de toiros e da feira agrícola que todos os anos reúne o mundo rural português. Esta vocação fluvial e agrícola liga-a a outros marcos do território que pode explorar nas páginas dedicadas à arquitetura gótica em Portugal e à região da Lisboa e Vale do Tejo.
Quem segue o Tejo a montante encontra, à beira-rio, o cenográfico Castelo de Almourol, erguido numa ilha pela Ordem do Templo, e, mais adiante, o Convento de Cristo em Tomar, sede dos Templários e dos Cavaleiros de Cristo. Juntos, estes lugares desenham um itinerário que prolonga a herança medieval de Santarém por todo o vale do rio que lhe deu vida.
Häufige Fragen
- Porque é Santarém chamada a capital do gótico?
- Santarém concentra o maior conjunto de arquitetura gótica de Portugal, com igrejas e túmulos medievais erguidos sobretudo entre os séculos XIII e XV, quando a cidade era um importante centro de corte e administração.
- Quem está sepultado na Igreja da Graça de Santarém?
- A Igreja da Graça guarda o túmulo de Pedro Álvares Cabral, navegador a quem se atribui a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, além dos mausoléus da família Meneses, fundadora do templo.
- O que são as Portas do Sol?
- São o antigo recinto da alcáçova de Santarém, hoje um jardim-miradouro rodeado de muralhas e torres, com vista panorâmica sobre o rio Tejo e a Lezíria.