Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Edifícios classificados da Alta e da Baixa de Coimbra

Cinco Monumentos Nacionais de Coimbra e a Rua da Sofia, IIP: colégios, claustro da Manga, portais, Arco de Almedina e a relação com a UNESCO.

Perguntas frequentes Fontes
Portal renascentista do Colégio de São Tomás, em pedra clara, com duas colunas estriadas, arco de volta perfeita e remate em nichos, aplicado numa parede branca do Museu Nacional Machado de Castro
Threeohsix, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Coimbra, Coimbra

Coimbra acumula classificações de épocas muito diferentes: algumas ligadas à universidade que D. João III fixou na cidade em 1537, outras à cerca medieval, outras ao grande mosteiro de Santa Cruz. Este guia reúne cinco Monumentos Nacionais pouco conhecidos, espalhados pela Alta e pela Baixa, e uma sexta entrada, a Rua da Sofia, que não é Monumento Nacional mas cuja relação com a UNESCO merece ser explicada com rigor.

Colégio de São Jerónimo

O Atlas (NINV 271) classifica-o como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 5/2002, publicado no Diário da República, I série-B, n.º 42, de 19 de fevereiro de 2002. O Arquivo da Universidade de Coimbra (AUC) resume a história. Alguns frades jerónimos já estavam em Coimbra em 1539, no Convento de São Domingos; em 1549 começou o processo de construção do seu edifício, depois de adquirirem casas e terrenos a norte do castelo. Instalados nos paços reais por convite de frei Diogo de Murça, tiveram de sair em 1562, por ordem da rainha D. Catarina, para o Colégio de São Paulo. As obras do novo edifício iniciaram-se em 1565, dirigidas por frei Diogo de Murça, e os frades mudaram-se em 1572 ou 1573, com o edifício parcialmente construído. O colégio entrou em decadência a partir de 1584; o terramoto de 1755 causou grandes estragos e obrigou ao seu abandono. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício passou em 1836 para a Universidade, que aí instalou vários serviços, entre eles o Hospital da Universidade, até 1986. Segundo o AUC, em 2010, albergava serviços administrativos e departamentais da Universidade.

Antigo claustro da Manga do Mosteiro de Santa Cruz

O registo (NINV 2546, código 69815) trata-o como jardim: o que resta do motivo central do antigo claustro da Manga, classificado pelo Decreto n.º 23 967, de 5 de junho de 1934. Tem cerca de 1400 m², organizado em torno de dois eixos centrados num templete sobrelevado, cercado por um tanque cruciforme; oito colunas de pedra de Ançã sustentam a cúpula, e quatro oratórios cilíndricos, ligados por pequenas pontes, rodeiam o conjunto, com canteiros de buxo e laranjeiras. É obra da Renascença, de traça atribuída a João de Ruão, iniciada por volta de 1533, quando se lavraram os contratos da obra de pedraria, e concluída em 1534/35. O nome, diz uma crónica de 1540 citada pelo registo, vem de o rei a ter mandado traçar na manga da roupa real. O registo refere intervenções da DGEMN a partir de 1936, com a demolição das oficinas da Escola Industrial de Avelar Brotero, e novas obras em 1955, 1957, 1994 e 1999–2000. Fica no que subsiste do Mosteiro de Santa Cruz, de que esta página não trata.

O registo preenche os campos «Abrangido em ZEP ou ZP» e «Outra classificação» com «Universidade de Coimbra — Alta e Sofia», mas o Atlas não o integra nesse conjunto; não afirmo, por isso, que faça parte do bem inscrito.

Portal do Colégio de São Tomás

O registo (NINV 2558, código 70314) descreve-o: em 1546 Frei Martinho de Ledesma, reitor de São Tomás, ordenou a obra do novo colégio, e em 1547 o portal foi desenhado por Diogo de Castilho, com pedreiros contratados para o executar. Depois da extinção das ordens, o colégio foi transformado, primeiro em residência do conde do Ameal e depois em Palácio de Justiça; o portal foi colocado por volta de 1912 na fachada norte do Museu Nacional Machado de Castro, no Largo de São Salvador. É um arco de volta perfeita com colunelos coríntios, enquadrado num alfiz, com cabeças aladas, medalhões dos apóstolos São Tiago e São Bartolomeu, friso de grotescos com esfera armilar e, no remate, nichos com São Gonçalo de Amarante, São Paio e São Tomás. É Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910. Para o contexto estilístico, veja o Renascimento em Portugal.

Portais da extinta igreja e convento de Santa Ana

O Atlas (NINV 2557) regista-os como Monumento Nacional, pelo decreto de 16 de junho de 1910, na freguesia de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu). Não consegui ler a ficha descritiva, pelo que não indico onde estão hoje nem a sua época.

Arco Pequeno de Almedina

O Atlas (NINV 2532) usa também o nome Arco de Almedina. Li a Portaria n.º 2:789, de 16 de junho de 1921, em que, sob proposta do Conselho de Arte e Arqueologia da 2.ª Circunscrição, o Ministro da Instrução Pública considerou monumento nacional o «chamado Arco Pequeno de Almedina, da cidade de Coimbra»; o Atlas junta-lhe ainda o decreto de 1910 e outro de 1921. Há um segundo registo, a Cerca de Coimbra, designadamente o Arco de Almedina (NINV 2536), com a designação alternativa de «Muralhas de Coimbra incluindo o Arco Pequeno de Almedina». Não li a ficha do arco, pelo que não descrevo a sua história.

Rua da Sofia: dois registos diferentes

O registo oficial (código 74886, NINV 2560) é de Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971, cujo artigo 2.º classifica «Rua da Sofia, no seu conjunto». Segundo o registo, foi rasgada em 1535, com amplitude e regularidade invulgares, para acolher os colégios da Universidade; ali se ergueram sete colégios, os de Carmo, Graça, São Pedro, São Tomás, São Bernardo e São Boaventura, e o das Artes, a par do Convento de São Domingos e do Palácio da Inquisição. O texto nota que boa parte do património edificado foi desvirtuada, e que a rua vale sobretudo pelo conjunto de soluções urbanísticas.

A relação com a UNESCO é esta: a Alta e a Sofia foram inscritas em 2013 como «Universidade de Coimbra — Alta e Sofia» (UNESCO, 1387). No Atlas, esse bem tem o NINV 74436, categoria «MN — monumento nacional / património mundial», com o Aviso n.º 14917/2013 (Diário da República, 2.ª série, n.º 236, de 5 de dezembro de 2013); a base tem para ele três polígonos, entre eles um denominado «Rua da Sofia» e outro «Alta de Coimbra». Há, portanto, duas entradas: a rua como IIP desde 1971, e a rua como componente do bem Monumento Nacional/Património Mundial desde 2013. Não são a mesma classificação, e a Rua da Sofia não é, por si só, uma inscrição UNESCO separada. O Atlas acrescenta que o bem foi ampliado em 2019 para incluir o Museu Machado de Castro. Para o conjunto, veja a Alta e Sofia, o Paço de Sub-Ripas e a Biblioteca Joanina.

Como ver

Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrei, em fontes oficiais, horários para o jardim da Manga, o antigo colégio de São Jerónimo ou os portais. O Portal de São Tomás vê-se no exterior do Museu Machado de Castro, e a Rua da Sofia e o Arco de Almedina são espaços urbanos. Confirme o acesso junto do município de Coimbra e da Universidade.

Fotografia de Threeohsix, de 6 de julho de 2025. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

A Rua da Sofia é Monumento Nacional?
A rua tem classificação própria como Imóvel de Interesse Público (NINV 2560, Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971). No Atlas aparece também, com Alta de Coimbra, num registo de Monumento Nacional/Património Mundial (NINV 74436) que corresponde ao bem «Universidade de Coimbra — Alta e Sofia», inscrito pela UNESCO em 2013.
O Portal do Colégio de São Tomás ainda está no colégio?
Não. Segundo o registo, o colégio foi muito alterado depois da extinção das ordens religiosas e o portal foi colocado, por volta de 1912, na fachada norte do Museu Machado de Castro.
O que resta do claustro da Manga?
O jardim de cerca de 1400 m², com um templete central sobre oito colunas, tanque cruciforme e quatro oratórios cilíndricos. O registo atribui o projeto a João de Ruão e data as obras de 1533 a 1534/35.
O Arco de Almedina e o Arco Pequeno de Almedina são a mesma coisa?
No Atlas há dois registos de Monumento Nacional: o Arco Pequeno de Almedina (NINV 2532, também chamado Arco de Almedina) e a Cerca de Coimbra, designadamente o Arco de Almedina (NINV 2536).

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 271, 2532, 2536, 2546, 2557, 2558, 2560 e 74436)
  2. Património Cultural, I.P. — Antigo claustro da Manga do Mosteiro de Santa Cruz (69815)
  3. Património Cultural, I.P. — Portal do Colégio de São Tomás (70314)
  4. Património Cultural, I.P. — Rua da Sofia (74886)
  5. Arquivo da Universidade de Coimbra — Colégio de S. Jerónimo (fundo PT/AUC/MC/CSJCBR)
  6. Diário do Governo, I série, n.º 274, de 22-11-1971 — Decreto n.º 516/71
  7. Diário do Governo, I série, n.º 121, de 1921 — Portaria n.º 2:789, de 16 de junho de 1921
  8. UNESCO — University of Coimbra – Alta and Sofia (1387)