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Biblioteca Joanina (Universidade de Coimbra)
Biblioteca Joanina, em Coimbra: Casa da Livraria de 1717–1728, talha dourada com chinoiseries, tetos pintados, prisão académica e visita com hora marcada.
- Localização
- Coimbra, Coimbra
- Construção
- 1717–1728
A Biblioteca Joanina é a antiga Casa da Livraria da Universidade de Coimbra, construída entre 1717 e 1728 junto à Capela de São Miguel, no Paço das Escolas. Por fora é um bloco sóbrio; por dentro guarda três salas de talha dourada, estantes pintadas com motivos orientais e tetos em perspetiva ilusionista. A Universidade apresenta-a como o «expoente máximo do Barroco português»; é uma obra central do barroco joanino e da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia.
Uma casa construída para os livros
O historiador Pedro Ferrão, no Boletim da Biblioteca Geral da Universidade, reconstitui a origem do edifício. Em 1716, o reitor escreveu ao rei a explicar que a Universidade não tinha instalações condignas para os livros e pediu autorização para adaptar um espaço. A resposta de D. João V, de 31 de outubro desse ano, foi mais longe e autorizou a construção de um edifício próprio no recinto universitário. Escolheu-se um terreno desnivelado junto à Capela de São Miguel, onde estavam as ruínas do antigo cárcere do paço, de finais do século XIV.
A primeira pedra foi lançada a 17 de julho de 1717, na presença do reitor Nuno da Silva Telles. A obra durou onze anos e ficou concluída em 1728. A biblioteca recebeu mais tarde o nome do rei que a patrocinou: Biblioteca Joanina.
O nome do arquiteto continua por esclarecer. Ferrão nota que os documentos são minuciosos quanto a contratos e pagamentos, mas não identificam o autor do projeto. Referem o mestre-de-obras João Carvalho Ferreira, substituído por Gaspar Ferreira, empreiteiro contratado inicialmente para as estantes. O mesmo autor considera provável a autoria do escultor francês Claude Laprade, sem a dar como certa.
O edifício foi pensado como uma caixa-forte. Segundo a Universidade, as paredes exteriores têm 2,11 metros de espessura. As estantes são de madeira de carvalho, escolhida pela densidade, pela durabilidade e pelo odor que afasta os insetos.
O piso nobre: talha, chinoiserie e tetos
O piso nobre é um longo retângulo dividido em três salas, ligadas por arcos de volta perfeita que repetem o desenho do portal. As paredes estão forradas por estantes de dois andares, com varandas, em madeira dourada e policromada. Cada sala tem um fundo de cor diferente: verde, vermelho e negro. Ferrão associa estas cores às faculdades representadas nos emblemas: Medicina e Matemática, Cânones e Leis, Teologia e Artes.
A pintura das estantes com chinoiseries, paisagens exóticas ao gosto oriental, foi obra do pintor Manuel da Silva, em quarenta meses, entre 1723 e 1727. A talha das estantes é atribuída a Gaspar Ferreira, e o douramento a Manuel da Silva. Os tetos em trompe-l’œil foram encomendados em 1723 aos pintores lisboetas Vicente Nunes e António Simões Ribeiro. Representam a Biblioteca, a Universidade e a Sapiência, com legendas latinas. Segundo Ferrão, os seis bufetes de leitura foram executados entre 1725 e 1727, em madeiras do Brasil, pelo italiano Francesco Realdino.
O eixo das salas conduz ao retrato de D. João V, atribuído a Domenico Duprà e datado de cerca de 1725. No exterior, o portal em arco de triunfo, com colunas jónicas e as armas reais, anuncia o mesmo programa. Para situar estas escolhas, continue em arquitetura barroca em Portugal e pintura barroca portuguesa.
Livros e morcegos
A Universidade indica cerca de 60 mil volumes nos três pisos. A biblioteca funcionou como Biblioteca da Universidade de 1777 até à primeira metade do século XX. A maioria dos livros está no catálogo eletrónico e continua a ser consultada.
A mesma fonte refere que, há pelo menos dois séculos e meio, vivem na biblioteca duas colónias de morcegos, que contribuem para o controlo de pragas. Por isso, no fim de cada dia, as mesas são cobertas com «toalhas» de couro, para as proteger dos dejetos.
O piso intermédio e a prisão académica
O piso intermédio serviu de apoio aos guardas da prisão académica e de depósito dos livros lidos no piso nobre. Foi integrado no circuito de visita a 1 de novembro de 2010. As escadas que hoje o ligam ao piso nobre só foram construídas no final do século XIX. Nas arcadas veem-se marcas de canteiro, que identificavam o trabalho de cada artífice.
No piso inferior fica a prisão académica. A Universidade teve foro próprio até 1834, e os membros da academia eram presos à parte dos criminosos comuns. A prisão funcionou num espaço que coincide aproximadamente com a antiga cadeia do Paço Real. A Universidade apresenta-a como o cárcere de origem medieval mais antigo que se preserva em Portugal. Restam duas celas estreitas e uma escada em caracol. Em 1782 acrescentaram-se celas comuns, sala de visitas, oratório e latrinas.
Classificação e Património Mundial
Não foi encontrada no Atlas do Património Classificado uma ficha de classificação autónoma para a Biblioteca Joanina. O seu local fica dentro do perímetro dos Paços da Universidade de Coimbra, Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). Fica também dentro do bem Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2013 e publicado pelo Aviso n.º 14917/2013. A biblioteca é parte desse bem, não uma inscrição separada. O enquadramento das bibliotecas históricas está em bibliotecas e universidades.
Preparar a visita
A visita é organizada pelo serviço de turismo da Universidade de Coimbra. A entrada na biblioteca tem dia e hora definidos no momento da compra; os outros espaços incluídos no bilhete podem ser vistos durante a sua validade. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Universidade indicava:
- Biblioteca Joanina: todos os dias, 09h00–13h00 e 14h00–17h00, com últimas entradas às 12h40 e 16h40;
- bilheteira e quiosque: todos os dias, 09h00–17h00;
- encerramentos anunciados a 24 e 25 de dezembro de 2026 e a 31 de dezembro de 2026 e 1 de janeiro de 2027;
- os portadores de bilhete devem estar no acesso à biblioteca, pela Prisão Académica, cinco minutos antes da hora de entrada; o ponto de encontro geral é a bilheteira, no Colégio de Jesus.
Os bilhetes não são reembolsáveis, salvo em caso de encerramento ocasional da biblioteca. Confirme preços, combinações de bilhete e regras de visita em visit.uc.pt. Para o contexto da cidade, comece na página da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia e na Sé Velha.
Fotografia de Xiquinho Silva (xiquinhosilva), de 24 de novembro de 2018. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construída a Biblioteca Joanina?
- A primeira pedra da Casa da Livraria foi lançada a 17 de julho de 1717 e a obra ficou concluída em 1728, no reinado de D. João V, que autorizou e patrocinou a construção.
- Quem desenhou a biblioteca?
- Os documentos da obra não identificam o arquiteto. Referem o mestre-de-obras João Carvalho Ferreira, substituído por Gaspar Ferreira. O historiador Pedro Ferrão considera provável a autoria do escultor francês Claude Laprade, sem a dar como certa.
- É verdade que há morcegos na biblioteca?
- Sim. A Universidade de Coimbra indica que, há pelo menos dois séculos e meio, vivem na biblioteca duas colónias de morcegos que ajudam a controlar pragas; por isso as mesas são cobertas com panos de couro ao fim do dia.
- Como se visita a Biblioteca Joanina?
- Com bilhete da Universidade de Coimbra e hora de entrada marcada no momento da compra. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a biblioteca abria todos os dias, 09h00–13h00 e 14h00–17h00. Confirme em visit.uc.pt.
Fontes
- Universidade de Coimbra — Visitar a UC: Biblioteca Joanina
- Universidade de Coimbra — Visitar a UC: Horário de funcionamento
- Pedro Miguel Ferrão — A Casa da Livraria da Universidade de Coimbra ao tempo de D. João V, Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 46/47 (2015/2016)
- Universidade de Coimbra — Diário de Coimbra, 27-09-2017: emissão filatélica dos 300 anos da Biblioteca Joanina
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Paços da Universidade de Coimbra (NINV 2555) e Universidade de Coimbra – Alta e Sofia (NINV 74436)
- Wikidata — Biblioteca Joanina (Q1773229)
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