Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Fábrica Nacional da Cordoaria

Cordoaria Nacional, em Belém: fábrica de cordame da Marinha do século XVIII, Monumento Nacional desde 1996, com galeria municipal no Torreão Nascente.

Perguntas frequentes Fontes
Corpo de dois pisos pintado de amarelo, com portal de cantaria e varanda, e a longa ala da Cordoaria Nacional em perspetiva, sob céu azul
Joaomartinho63, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
Segunda metade do século XVIII

A Fábrica Nacional da Cordoaria, também chamada Cordoaria Nacional, Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira ou Real Cordoaria da Junqueira, é um edifício fabril de planta muito longa, paralelo ao rio Tejo, entre a Rua da Junqueira e a Avenida da Índia, em Belém, Lisboa. Foi concebido para produzir o cordame, as velas e as bandeiras de que dependiam os navios da Marinha. Deixou de ser fábrica em 1992 e hoje funciona, em parte, como galeria de arte. Integra o património industrial setecentista da capital.

Uma fábrica para a Marinha

O registo nacional do Património Cultural, I.P. refere que a construção foi determinada por decreto do Marquês de Pombal, com provável traçado do arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos, e data da segunda metade do século XVIII. A atribuição ao arquiteto é apresentada como provável, não como documentada. Para o enquadramento da época, veja o estilo pombalino.

A Direção Cultural da Marinha recorda que, depois do terramoto de 1 de novembro de 1755, Pombal mandou criar uma cordoaria nas novas instalações do Arsenal Real da Marinha. Em julho de 1775, decretos nomearam António Baptista de Sá mestre de cordoaria, com a direção da cordoaria da Junqueira. A própria Marinha interpreta isso como sinal de que a fábrica da Junqueira estaria a funcionar por volta de 1775, e indica que a oficina da ala sul, a Cocha, estava concluída em 1778.

As Galerias Municipais de Lisboa situam a obra nos terrenos junto ao Forte de São João da Junqueira. Descrevem uma planta modular, com a oficina de cordoaria no longo corpo central e áreas para tinturaria, fiação, enxárcia, alfaiataria, tecelagem e produção de bandeiras, além de carpintaria, serralharia e administração.

O edifício

Segundo a Marinha, o conjunto compõe-se de duas alas paralelas, cada uma com 353,3 metros de comprimento e 12,27 metros de largura, separadas por um pátio ao longo de toda a extensão. Três torreões ligam as alas, nas extremidades e ao centro. A ala sul era a oficina da Cocha, onde se torciam as cordas para o cordame dos navios; a ala norte servia a fiação de seda e linho. O trabalho era manual ou feito com máquinas movidas à mão, e a fábrica empregou cegos, inválidos de guerra e presos.

O registo descreve uma arquitetura marcada pelo despojamento decorativo. Destaca, na fachada norte do corpo central, um portal de cantaria com janela de avental e verga curva e, na fachada sul, outro portal com verga em arco abatido. O edifício passou por várias campanhas de obras, motivadas pelos incêndios de 1826, 1881 e 1949, pela adaptação a serviços alheios à função original e pelas alterações da malha viária envolvente.

Uma parte do edifício teve outros usos. As Galerias Municipais indicam que, em 1902, se instalou ali a Escola de Medicina Tropical, rebatizada Instituto de Medicina Tropical em 1937. Entre 1924 e 1969, a Marinha refere que a fábrica foi dirigida por engenheiros construtores navais. Em 30 de outubro de 1992, segundo a Marinha, o Governo determinou a extinção da Cordoaria Nacional.

Classificação

O edifício está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2/96, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 56, de 6 de março de 1996, com a designação «Edifício da Fábrica Nacional da Cordoaria». O processo abriu por despacho de 31 de outubro de 1989 do presidente do então IPPC; seguiu-se o parecer do Conselho Consultivo de 8 de novembro de 1990 e a homologação de 8 de abril de 1991. O registo não o associa a nenhum bem Património Mundial. Fica perto do Mosteiro dos Jerónimos, da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos, que têm estatutos próprios.

Preparar a visita

O Torreão Nascente, com cerca de 1 250 m² de área expositiva, nasceu em 1995 de um protocolo entre a Marinha e a Câmara Municipal de Lisboa. As Galerias Municipais organizam ali exposições desde 2003. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a EGEAC indicava abertura das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento às segundas-feiras e a 1 de janeiro, 1 de maio, 25 e 31 de dezembro. Confirme a programação, os preços e as condições de acesso nas páginas das Galerias Municipais e da EGEAC.

A Marinha anuncia também a ala da Cocha como espaço disponível para eventos, o que mostra que nem todo o edifício tem uso público regular. A fachada e a extensão da ala veem-se bem da Avenida da Índia e da Rua da Junqueira.

Fotografia de Joaomartinho63, de 18 de setembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Cordoaria Nacional?
O registo nacional situa a construção na segunda metade do século XVIII, por determinação do Marquês de Pombal. A Direção Cultural da Marinha indica que a oficina da ala sul, a Cocha, estava concluída em 1778.
A Cordoaria Nacional é monumento classificado?
Sim. Foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2/96, publicado no Diário da República de 6 de março de 1996.
Para que serve hoje o edifício?
O Torreão Nascente alberga uma galeria das Galerias Municipais de Lisboa, criada em 1995 por protocolo entre a Marinha e a Câmara Municipal de Lisboa. A Marinha indica que a fábrica foi extinta pelo Governo em 30 de outubro de 1992.
Posso visitar a Cordoaria Nacional?
O Torreão Nascente funciona como galeria das Galerias Municipais. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a EGEAC indicava horário das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento às segundas-feiras. Confirme na página oficial.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Edifício da Fábrica Nacional da Cordoaria (70634)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registo NINV 4770
  3. Diário da República — Decreto n.º 2/96, I Série-B, n.º 56, de 06-03-1996
  4. Direção Cultural da Marinha — National Rope Factory, “Cocha” Wing
  5. Galerias Municipais de Lisboa — Torreão Nascente da Cordoaria Nacional
  6. EGEAC — Torreão Nascente da Cordoaria Nacional
  7. Wikidata — Cordoaria Nacional (Q10260557)

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