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Monumentos
Fábrica Nacional da Cordoaria
Cordoaria Nacional, em Belém: fábrica de cordame da Marinha do século XVIII, Monumento Nacional desde 1996, com galeria municipal no Torreão Nascente.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- Segunda metade do século XVIII
A Fábrica Nacional da Cordoaria, também chamada Cordoaria Nacional, Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira ou Real Cordoaria da Junqueira, é um edifício fabril de planta muito longa, paralelo ao rio Tejo, entre a Rua da Junqueira e a Avenida da Índia, em Belém, Lisboa. Foi concebido para produzir o cordame, as velas e as bandeiras de que dependiam os navios da Marinha. Deixou de ser fábrica em 1992 e hoje funciona, em parte, como galeria de arte. Integra o património industrial setecentista da capital.
Uma fábrica para a Marinha
O registo nacional do Património Cultural, I.P. refere que a construção foi determinada por decreto do Marquês de Pombal, com provável traçado do arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos, e data da segunda metade do século XVIII. A atribuição ao arquiteto é apresentada como provável, não como documentada. Para o enquadramento da época, veja o estilo pombalino.
A Direção Cultural da Marinha recorda que, depois do terramoto de 1 de novembro de 1755, Pombal mandou criar uma cordoaria nas novas instalações do Arsenal Real da Marinha. Em julho de 1775, decretos nomearam António Baptista de Sá mestre de cordoaria, com a direção da cordoaria da Junqueira. A própria Marinha interpreta isso como sinal de que a fábrica da Junqueira estaria a funcionar por volta de 1775, e indica que a oficina da ala sul, a Cocha, estava concluída em 1778.
As Galerias Municipais de Lisboa situam a obra nos terrenos junto ao Forte de São João da Junqueira. Descrevem uma planta modular, com a oficina de cordoaria no longo corpo central e áreas para tinturaria, fiação, enxárcia, alfaiataria, tecelagem e produção de bandeiras, além de carpintaria, serralharia e administração.
O edifício
Segundo a Marinha, o conjunto compõe-se de duas alas paralelas, cada uma com 353,3 metros de comprimento e 12,27 metros de largura, separadas por um pátio ao longo de toda a extensão. Três torreões ligam as alas, nas extremidades e ao centro. A ala sul era a oficina da Cocha, onde se torciam as cordas para o cordame dos navios; a ala norte servia a fiação de seda e linho. O trabalho era manual ou feito com máquinas movidas à mão, e a fábrica empregou cegos, inválidos de guerra e presos.
O registo descreve uma arquitetura marcada pelo despojamento decorativo. Destaca, na fachada norte do corpo central, um portal de cantaria com janela de avental e verga curva e, na fachada sul, outro portal com verga em arco abatido. O edifício passou por várias campanhas de obras, motivadas pelos incêndios de 1826, 1881 e 1949, pela adaptação a serviços alheios à função original e pelas alterações da malha viária envolvente.
Uma parte do edifício teve outros usos. As Galerias Municipais indicam que, em 1902, se instalou ali a Escola de Medicina Tropical, rebatizada Instituto de Medicina Tropical em 1937. Entre 1924 e 1969, a Marinha refere que a fábrica foi dirigida por engenheiros construtores navais. Em 30 de outubro de 1992, segundo a Marinha, o Governo determinou a extinção da Cordoaria Nacional.
Classificação
O edifício está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2/96, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 56, de 6 de março de 1996, com a designação «Edifício da Fábrica Nacional da Cordoaria». O processo abriu por despacho de 31 de outubro de 1989 do presidente do então IPPC; seguiu-se o parecer do Conselho Consultivo de 8 de novembro de 1990 e a homologação de 8 de abril de 1991. O registo não o associa a nenhum bem Património Mundial. Fica perto do Mosteiro dos Jerónimos, da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos, que têm estatutos próprios.
Preparar a visita
O Torreão Nascente, com cerca de 1 250 m² de área expositiva, nasceu em 1995 de um protocolo entre a Marinha e a Câmara Municipal de Lisboa. As Galerias Municipais organizam ali exposições desde 2003. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a EGEAC indicava abertura das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento às segundas-feiras e a 1 de janeiro, 1 de maio, 25 e 31 de dezembro. Confirme a programação, os preços e as condições de acesso nas páginas das Galerias Municipais e da EGEAC.
A Marinha anuncia também a ala da Cocha como espaço disponível para eventos, o que mostra que nem todo o edifício tem uso público regular. A fachada e a extensão da ala veem-se bem da Avenida da Índia e da Rua da Junqueira.
Fotografia de Joaomartinho63, de 18 de setembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construída a Cordoaria Nacional?
- O registo nacional situa a construção na segunda metade do século XVIII, por determinação do Marquês de Pombal. A Direção Cultural da Marinha indica que a oficina da ala sul, a Cocha, estava concluída em 1778.
- A Cordoaria Nacional é monumento classificado?
- Sim. Foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 2/96, publicado no Diário da República de 6 de março de 1996.
- Para que serve hoje o edifício?
- O Torreão Nascente alberga uma galeria das Galerias Municipais de Lisboa, criada em 1995 por protocolo entre a Marinha e a Câmara Municipal de Lisboa. A Marinha indica que a fábrica foi extinta pelo Governo em 30 de outubro de 1992.
- Posso visitar a Cordoaria Nacional?
- O Torreão Nascente funciona como galeria das Galerias Municipais. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a EGEAC indicava horário das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento às segundas-feiras. Confirme na página oficial.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Edifício da Fábrica Nacional da Cordoaria (70634)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registo NINV 4770
- Diário da República — Decreto n.º 2/96, I Série-B, n.º 56, de 06-03-1996
- Direção Cultural da Marinha — National Rope Factory, “Cocha” Wing
- Galerias Municipais de Lisboa — Torreão Nascente da Cordoaria Nacional
- EGEAC — Torreão Nascente da Cordoaria Nacional
- Wikidata — Cordoaria Nacional (Q10260557)
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