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Monumentos
Padrão dos Descobrimentos
Padrão dos Descobrimentos, em Belém: monumento de 1940 refeito em 1960, Rosa-dos-Ventos, classificação em curso, leituras críticas e informação prática.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- 1940 (versão efémera); 1960 (versão permanente)
O Padrão dos Descobrimentos ergue-se na margem do Tejo, em Belém, perto do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém. É uma proa de pedra com o Infante D. Henrique à frente e figuras da expansão portuguesa alinhadas atrás dele. É um monumento do século XX dedicado ao século XV. A própria entidade gestora lembra que foi construído, e reconstruído em 1960, durante o Estado Novo.
De cenário de 1940 a monumento de 1960
A gestão do monumento atribui o projeto ao arquiteto Cottinelli Telmo (1897–1948) e ao escultor Leopoldo de Almeida (1898–1975). A primeira versão foi erguida em 1940, de forma efémera, na Exposição do Mundo Português. Tinha uma estrutura leve de ferro e cimento, e as esculturas eram moldadas em estafe, uma mistura de gesso e estopa sobre armação.
O contexto dessa exposição e da arte oficial do regime é desenvolvido em arquitetura e arte do Estado Novo. O site do monumento reproduz um texto de Leitão de Barros, publicado em 1960 na revista Turismo, sobre a génese da forma. Segundo esse relato, depois de ver o plano da exposição no atelier de Cottinelli Telmo, Leitão de Barros disse ao ministro Duarte Pacheco que lhe faltava um sentido de partida. O ministro mandou-o voltar ao atelier nessa noite; Telmo esboçou o perfil do Padrão e Leopoldo de Almeida foi chamado para lhe dar volume.
Em 1960, para as comemorações dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Padrão foi reconstruído em betão e cantaria de pedra rosal de Leiria. As esculturas passaram a ser de calcário de Sintra. Em 1985 abriu como Centro Cultural das Descobertas, com interior remodelado pelo arquiteto Fernando Ramalho: miradouro, auditório e salas de exposição.
Ler o monumento
A composição representa uma caravela estilizada. O Infante, com 9 metros, vai à proa; atrás dele seguem 32 figuras de navegadores, cartógrafos, guerreiros, evangelizadores, cronistas e artistas, cada uma com 7 metros. A gestão do monumento indica 56 metros de altura, 20 de largura e 46 de comprimento.
Na face norte, duas inscrições em letras metálicas dedicam o monumento ao Infante e aos portugueses que descobriram os caminhos do mar e assinalam o quinto centenário henriquino (1460–1960). Duas esferas armilares em metal, sobre plataformas, ladeiam o monumento.
No terreiro, a Rosa-dos-Ventos tem cerca de 50 metros de diâmetro e é feita em calcário lioz, negro e vermelho. Um planisfério com 14 metros de largura marca datas, naus e caravelas das rotas da expansão nos séculos XV e XVI. A gestão do monumento assinala que alguns nomes e datas são hoje discutidos pelos historiadores. Foi desenhada no atelier de Luís Cristino da Silva e inaugurada a 5 de agosto de 1960. Uma inscrição no topo sul recorda a oferta da União da África do Sul, em 1960, e outra o restauro de 1994. O fundo de ondas em “mar largo” liga-a à tradição da calçada portuguesa.
Um monumento discutido
O Padrão é também um lugar de debate sobre a memória colonial. Em setembro de 2021, o Diário de Notícias descrevia-o como associado à estética dos Descobrimentos do Estado Novo e considerado por muitos uma exaltação do colonialismo português. O jornal lembrava que o deputado socialista Ascenso Simões tinha defendido, num artigo publicado no Público em fevereiro de 2021, que o Padrão, “num país respeitável, devia ter sido destruído”. Para o deputado, o monumento representava mitos construídos pelo salazarismo. O mesmo jornal ouviu Paulo Ferrero, da associação Fórum Cidadania Lx, que considerou óbvio tratar-se de um monumento. A associação pediu a sua classificação em fevereiro de 2021.
A própria entidade gestora inscreve este debate na sua missão. Propõe-se promover a discussão sobre o tema do monumento e sobre os mentores que, nos planos político, cultural e artístico, o tornaram possível. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a exposição PADRÃO. Casa-Obsessão, patente até 30 de dezembro de 2026, apresentava representações do monumento desde 1940. Segundo a apresentação, as leituras acumuladas são umas mais críticas do que outras. Para comparar com outros casos, veja os monumentos comemorativos em Portugal.
Situação de proteção
O procedimento de classificação abriu por despacho de 9 de maio de 2023, publicado como Anúncio n.º 130/2023, de 28 de junho. Desde então, o Padrão e a calçada envolvente com a Rosa-dos-Ventos estão em vias de classificação, com uma zona geral de proteção de 50 metros. O Anúncio n.º 368/2025, de 4 de dezembro de 2025, publicou o projeto de decisão para os classificar como monumento de interesse público e abriu consulta pública.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o registo nacional continuava a indicar o bem como em vias de classificação, sem diploma final de classificação registado. O registo situa-o também nas zonas de proteção do Mosteiro de Belém e do edifício do Museu de Arte Popular. O Padrão não faz parte do bem Património Mundial formado pelo Mosteiro dos Jerónimos e pela Torre de Belém.
Preparar a visita
O edifício é propriedade da Câmara Municipal de Lisboa e é gerido pela EGEAC, empresa municipal. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o horário publicado era das 10h00 às 18h00 de outubro a fevereiro e das 10h00 às 19h00 de março a setembro. A última entrada era meia hora antes do fecho. Encerrava a 1 de janeiro, 1 de maio e 24, 25 e 31 de dezembro.
O bilhete para miradouro, exposição e filme custava 10,00 €, e o bilhete só para a exposição 5,00 €. Havia reduções e isenções, incluindo entrada gratuita para residentes no concelho de Lisboa aos domingos e feriados até às 14h00. O miradouro não é acessível a cadeiras de rodas: o elevador vai até ao 6.º piso, seguido de uma escada estreita de 42 degraus. Confirme estas condições na página oficial antes de ir.
Fotografia de Gerd Eichmann, de 3 de junho de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem desenhou o Padrão dos Descobrimentos?
- O arquiteto Cottinelli Telmo e o escultor Leopoldo de Almeida. A primeira versão, efémera, foi construída para a Exposição do Mundo Português, em 1940.
- Porque foi reconstruído em 1960?
- Para as comemorações dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique. A versão de 1960 foi feita em betão e cantaria, com as esculturas em calcário de Sintra.
- O Padrão dos Descobrimentos está classificado?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o registo nacional indicava-o como em vias de classificação. O Anúncio n.º 368/2025 publicou o projeto de decisão para o classificar como monumento de interesse público, juntamente com a calçada e a Rosa-dos-Ventos.
- Quem ofereceu a Rosa-dos-Ventos?
- Segundo o Padrão dos Descobrimentos, foi desenhada no atelier de Luís Cristino da Silva e inaugurada a 5 de agosto de 1960. Uma inscrição no topo sul recorda a oferta da União da África do Sul.
Fontes
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — O monumento
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Rosa dos Ventos
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Missão
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Contactos e horários
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Bilheteira
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Acessibilidade
- Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — Exposição PADRÃO. Casa-Obsessão
- Património Cultural, I.P. — Padrão dos Descobrimentos e calçada envolvente que inclui a Rosa-dos-Ventos
- Diário da República — Anúncio n.º 130/2023, 2.ª série, n.º 124, de 28-06-2023
- Diário da República — Anúncio n.º 368/2025, 2.ª série, n.º 234, de 04-12-2025
- Diário de Notícias — Padrão dos Descobrimentos não é monumento nacional, nem sequer municipal (08-09-2021)
- Wikidata — Padrão dos Descobrimentos (Q1133712)
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