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Monumentos
Forte da Praia da Consolação (Peniche)
Forte da Consolação, em Peniche: forte abaluartado da Restauração, erguido entre 1641 e 1645 num rochedo da praia e Monumento Nacional desde 1978.
- Localização
- Consolação, Atouguia da Baleia, Peniche, Leiria
- Construção
- 1641–1645; ampliado em 1657 e 1675
No extremo sul da praia da Consolação, na freguesia de Atouguia da Baleia, um pequeno forte branco assenta num maciço rochoso entre o areal e o mar. É o Forte da Praia da Consolação, também chamado Forte de Nossa Senhora da Consolação. Foi construído nos primeiros anos da Guerra da Restauração para defender a enseada de Peniche. Do outro lado da baía, a cerca de oito quilómetros, fica a Fortaleza de Peniche, com a qual devia cruzar fogo.
Uma peça da defesa da costa depois de 1640
O registo nacional do Património Cultural, I.P. indica que o forte foi erguido entre 1641 e 1645, por iniciativa de D. Jerónimo de Ataíde, conde de Atouguia. A enseada de Peniche, em frente à vila de Atouguia da Baleia, estava muito exposta a ataques de corsários. Um segundo ponto fortificado, no lado sul da baía, permitia bater os navios que se aproximassem com o fogo cruzado das duas fortalezas.
O mesmo registo enquadra a obra no plano de defesa da fronteira marítima a seguir à Restauração. As fortalezas costeiras existentes eram, na sua maioria, do século XVI. O plano reforçou-as com uma rede de pequenos pontos fortificados, sobretudo fortins e baterias, que davam mobilidade às tropas. Sobre esta rede, veja os fortes costeiros portugueses e o Forte de São João Baptista, na Berlenga, que completava o sistema defensivo de Peniche.
Planta em estrela sobre o rochedo
A entrada principal está virada a terra e separada dela por um fosso, que se atravessa por uma ponte assente em dois arcos de volta perfeita. A planta é estrelada, com quatro baluartes triangulares: dois maiores virados a nascente, do lado de terra, e dois mais pequenos apontados ao mar. Entre estes últimos corre uma cortina com cinco plataformas lajeadas, onde se instalavam as bocas de fogo.
Em torno do terrapleno alinham-se os antigos aquartelamentos e a capela, hoje sem culto. Estes edifícios, paralelos entre si, formam um pátio retangular aberto para o mar. A porta de armas é um grande arco de volta perfeita com moldura em aparelho rusticado, ladeado por duas pilastras. Por cima, no eixo da porta, há uma lápide com inscrição sobre a fundação e a construção do forte, encimada pelo escudo nacional coroado.
Ampliações e restauros
O forte não ficou como foi desenhado. Segundo o registo nacional, foi ampliado em 1657 e em 1675. O terramoto de 1755 destruiu parte da bateria virada ao mar, que teve de ser refeita. As cinco plataformas de artilharia entre os baluartes do lado do mar ficaram concluídas em 1796. Em 1800 construiu-se, no exterior, a nascente, uma bateria com quinze canhoeiras, para formar um campo entrincheirado que impedisse a aproximação por terra. Em 1832, em plena guerra civil entre liberais e absolutistas, a estrutura voltou a ser restaurada.
De colónia de férias a Monumento Nacional
O forte perdeu as funções militares na primeira metade do século XX. Em 1947 foi ocupado por uma colónia de férias infantil das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, e os edifícios interiores foram reformados em 1954 para esse uso. Em 1974 instalou-se aí a sede da Associação Recreativa Forte Clube da Consolação.
O forte é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro de 1978. O processo tinha sido instruído em 1975 e homologado em janeiro de 1976. O registo nacional não indica zona especial de proteção fixada. O forte não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
A arriba e o projeto municipal
A arriba onde o forte assenta é frágil. Segundo a agência Lusa, numa notícia de abril de 2017, uma derrocada em 2010 pôs o forte em risco e levou a Câmara a pedir uma intervenção urgente. A consolidação da arriba decorreu entre 2014 e 2015.
Em 2017, o Estado cedeu o forte à Câmara Municipal de Peniche por 25 anos. O registo nacional e a mesma notícia descrevem o projeto: um polo museológico, ou centro de interpretação, dedicado ao património militar da região e ao património geológico do concelho, com um espaço multiusos. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos informação oficial sobre a execução desse projeto nem sobre a abertura do interior ao público.
Preparar a visita
O forte está no extremo sul da praia da Consolação. O exterior, o fosso, a ponte e a porta de armas veem-se a partir do areal e dos caminhos vizinhos. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos horário oficial de visita ao interior. Confirme junto da Câmara Municipal de Peniche antes de ir.
Na mesma viagem, pode visitar a Fortaleza de Peniche, onde funciona o Museu Nacional Resistência e Liberdade. Para comparar com outras obras do mesmo período, veja as fortalezas abaluartadas. O enquadramento regional está em Centro e a rede nacional em castelos de Portugal.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 2 de julho de 2021. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir o Forte da Consolação?
- Segundo o registo nacional do Património Cultural, o forte foi erguido entre 1641 e 1645 por iniciativa de D. Jerónimo de Ataíde, conde de Atouguia, no quadro da defesa da costa a seguir à Restauração de 1640.
- Para que servia?
- Defendia a enseada de Peniche, exposta a corsários, cruzando fogo com a fortaleza da vila de Peniche, do outro lado da baía, a cerca de oito quilómetros.
- Que classificação tem?
- É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro de 1978.
- Pode visitar-se?
- O exterior, a ponte e o fosso veem-se a partir da praia e dos caminhos vizinhos. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos horário oficial de visita ao interior nem confirmação de que o centro de interpretação previsto já esteja aberto.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Forte da praia da Consolação (71113)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Forte da praia da Consolação (NINV 3119)
- Diário da República — Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro
- Diário de Notícias (Lusa) — Câmara de Peniche vai gerir Forte da Consolação por 25 anos (28-04-2017)
- Wikidata — Forte da Praia da Consolação (Q10283741)
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