Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Forte de Nossa Senhora da Graça (Elvas)

Forte da Graça, ou de Lippe, em Elvas: fortaleza abaluartada de 1763–1792, antigo presídio militar, Monumento Nacional e parte do Património Mundial.

Perguntas frequentes Fontes
Portal do Forte da Graça com brasão, duas figuras armadas e lápide latina, e a casa do governador amarela de telhado vermelho ao fundo
Alvesgaspar, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Elvas, Portalegre
Construção
1763–1792

O Forte de Nossa Senhora da Graça, também chamado Forte da Graça ou Forte de Lippe, ocupa a elevação que domina Elvas pelo norte. É uma fortaleza abaluartada do século XVIII, construída quando as muralhas seiscentistas da cidade já não chegavam para responder à artilharia de maior alcance. Hoje é uma das peças centrais do conjunto classificado como Património Mundial e pode ser visitado.

Um monte que era preciso ocupar

A elevação tinha importância antes do forte. O Município de Elvas lembra que, no século XV, aí existia a pequena ermida de Santa Maria da Graça, de onde vem o nome. Durante a Guerra da Restauração, em 1658, as tropas espanholas construíram nesse ponto um reduto para atacar a cidade. A lição era clara: quem ocupasse a colina podia bater Elvas do alto.

A declaração de valor universal publicada no Diário da República em 2013 explica o mesmo problema noutros termos. No século XVIII, o Forte da Graça e outros fortins foram construídos para dar resposta ao desenvolvimento de uma artilharia de longo alcance. O forte veio assim completar o anel de muralhas iniciado em 1643 e o Forte de Santa Luzia.

Lippe, Étienne e Valleré

As obras começaram em 1763, por iniciativa de Wilhelm, conde de Schaumburg-Lippe, a quem D. José I tinha confiado a reorganização do exército português. Segundo o município, a direção dos trabalhos foi primeiro entregue ao engenheiro Étienne, pouco depois substituído pelo coronel Guillaume Louis Antoine de Valleré. A construção só terminou em 1792, quase trinta anos depois. O município refere quem dirigiu as obras, não quem fez o projeto; por isso, a autoria do traçado não deve ser atribuída a uma só pessoa.

O nome «de Lippe», que o município usa como alternativa a «Forte da Graça», guarda a memória desse impulso inicial.

Três corpos e um reduto no centro

O município descreve o forte como uma obra em três corpos: as obras exteriores, o corpo principal e o reduto central. O corpo principal tem quatro baluartes. A porta principal abre-se a meio da cortina sul e é o elemento mais decorado de um conjunto em que quase tudo serve a defesa.

A casa do governador ocupa o ponto mais alto do forte e sobressai acima das muralhas. O forte conserva ainda as casas dos oficiais, a cisterna, a capela, as galerias de tiro e a prisão. O município filia o desenho na arquitetura militar de tipologia Vauban. Para comparar soluções, veja a página sobre fortalezas abaluartadas e o percurso da Rota das Fortalezas Abaluartadas da Raia.

De fortaleza a presídio

O forte acompanhou a mudança da guerra. Em 1856 foi aí criada uma companhia de correção e, em 1894, um depósito disciplinar. Segundo o município, por ali passaram vários presos políticos desde a Primeira República até 1974. Essa fase prisional faz parte da história do monumento tanto como o projeto militar setecentista.

Recuperação e reabertura

O monumento foi alvo de uma intervenção de onze meses e foi inaugurado a 27 de novembro de 2015. O município refere a recuperação da casa do governador, das casas dos oficiais e de outros elementos arquitetónicos, com reposição das cores e materiais originais. Foram também recuperadas a cisterna, a prisão, as galerias de tiro e a capela, onde se descobriram frescos do século XIX, igualmente tratados.

Classificação e Património Mundial

O registo de Património Cultural, I.P. identifica o Forte de Nossa Senhora da Graça como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O mesmo registo integra o forte no conjunto «Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações», inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 30 de junho de 2012. O Aviso n.º 15171/2013 publicou a declaração de valor universal excecional e indica que o bem é declarado Monumento Nacional por força da Lei n.º 107/2001; o registo cita também o Aviso n.º 4499/2021.

O forte não tem uma inscrição UNESCO própria: é uma das componentes do bem de Elvas, ao lado do centro histórico com o castelo, do Forte de Santa Luzia, dos fortins e do Aqueduto da Amoreira.

Preparar a visita

O forte é gerido pelo Município de Elvas. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal indicava:

  • horário de inverno (outubro a abril): 10h00–17h00; horário de verão (maio a setembro): 10h00–18h00;
  • encerramento à segunda-feira, com saída do público meia hora antes do fecho;
  • preço geral de 5 €, visita guiada de 8 € e uma visita guiada especial, com inscrição prévia, de 15 €, que dá acesso à cisterna e às contraminas quatro vezes por ano;
  • descontos para cartão jovem, protocolos e famílias numerosas.

Confirme horários, preços e datas das visitas especiais na página do Forte da Graça, pelo telefone +351 268 639 741 ou por [email protected]. O forte fica fora do centro histórico; planeie a deslocação a partir da cidade. Para ver o sistema defensivo no seu conjunto, combine a visita com as fortificações de Portugal e com a página sobre a guarnição fronteiriça de Elvas.

Fotografia de Alvesgaspar, de 29 de dezembro de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Forte da Graça?
Segundo o Município de Elvas, as obras começaram em 1763, por iniciativa do conde de Schaumburg-Lippe, e só terminaram em 1792.
O Forte da Graça é Património Mundial?
Sim, como parte do bem «Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações», inscrito pela UNESCO em 2012. Não é uma inscrição separada: a declaração de valor universal publicada no Diário da República refere expressamente o Forte da Graça.
Qual é a classificação nacional do forte?
O registo de Património Cultural, I.P. identifica o Forte de Nossa Senhora da Graça como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). Está ainda integrado no conjunto classificado com a inscrição UNESCO.
Que horário tinha o forte em novembro de 2026?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o horário de inverno do Município de Elvas (outubro a abril) era das 10h00 às 17h00, com encerramento à segunda-feira. Confirme antes da visita na página municipal.

Fontes

  1. Município de Elvas — Forte da Graça
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Forte de Nossa Senhora da Graça (NINV 3530) e Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações (NINV 1382)
  3. Diário da República — Aviso n.º 15171/2013, 2.ª série, n.º 242, de 13 de dezembro de 2013
  4. Wikidata — Forte de Nossa Senhora da Graça (Q10283837)

Continue a explorar

Património por perto

Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.

Explorar o atlas