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Monumentos
Forte de São Sebastião (Castro Marim)
Forte de São Sebastião, em Castro Marim: fortaleza da Restauração iniciada em 1641 sobre o Guadiana, frente a Ayamonte, ligada ao castelo por uma cerca.
- Localização
- Castro Marim, Faro
- Construção
- Iniciado em abril de 1641; cerca de ligação ao castelo a partir de 1660
Em Castro Marim, a vila do extremo sueste do Algarve ergue-se sobre dois montes. Num está o castelo medieval. No outro, a sul, fica o Forte de São Sebastião, uma fortificação abaluartada do século XVII construída durante a Guerra da Restauração. Do alto das suas muralhas vê-se o sapal, o Guadiana e, na margem espanhola, a praça de Ayamonte. O forte e a cerca que o liga ao castelo transformaram a vila na mais importante praça de guerra do Algarve.
Um forte para proteger o castelo
As plantas quinhentistas de Castro Marim mostram desocupada a colina fronteira ao castelo, conhecida como cerro do Cabeço. Segundo o catálogo que o município publicou sobre a praça, as Visitações da Ordem de Santiago de 1565 já referem aí uma ermida inacabada dedicada a São Sebastião. A colina era um perigo: em caso de cerco, um inimigo instalado no cume podia bater as muralhas medievais a curta distância.
Quando a guerra com Espanha começou, em 1640, o casario fora das muralhas estava desprotegido. A construção do forte começou em abril de 1641, data que o decreto de classificação regista e que, segundo o catálogo municipal, consta da epígrafe do arco de entrada. A ermida foi absorvida pela nova obra. Como compensação, D. João IV mandou fazer a atual Igreja de São Sebastião, junto à entrada poente da vila. A inscrição da porta, citada no mesmo catálogo, é explícita: a ermida foi feita “por lhe tomar outra para forte”, no ano de 1650.
O decreto de classificação descreve o forte como uma obra prioritária da estratégia nacional para a linha mais meridional da fronteira. A planta é irregular e adapta-se ao cerro. O decreto e o catálogo contam quatro meios baluartes; a página do município fala em cinco baluartes. As fontes divergem nesta contagem. A entrada principal está virada a norte, para o castelo.
Nem todos os contemporâneos ficaram impressionados. Em 1653, o engenheiro francês Pierre de Saint Colombe, ao serviço de Portugal, escreveu que o forte “não presta de pequeno”, com uma altura quase igual ao comprimento. O catálogo atribui a fragilidade à falta de mão de obra e de recursos numa frente secundária da guerra, longe do Alentejo e da Beira.
A cerca seiscentista e o castelo
Um forte isolado não chegava. Em outubro de 1660, o governador do Algarve, Martim Correia da Silva, escreveu à rainha regente D. Luísa de Gusmão que já se trabalhava numa linha para cobrir o arrabalde. O objetivo era impedir que o inimigo se metesse entre a praça e o forte. Nasceu assim a cerca seiscentista, com dois troços de muralha que descem da colina do forte e sobem a do castelo.
O decreto de 2012 enumera os elementos que integram o monumento: a Cortina de São Sebastião, o Baluarte de São Sebastião, o Baluarte do Enterreiro, o próprio forte, o Baluarte Cheio, a Cortina das Lezírias, o Baluarte das Lezírias, a Cortina de Santo António, a Cortina do Forte, o paiol e o Revelim de Santo António. Os dois primeiros baluartes formam um hornaveque. Os nomes das Lezírias vêm do esteiro vizinho. Só com esta ligação ao recinto medieval, sublinha o decreto, se criou uma zona de proteção efetiva para a vila.
O castelo é um monumento distinto, classificado à parte. Sobre ele, veja a página de Castro Marim e a rede nacional de castelos.
Terramoto, guerras e quartel
O terramoto de 1755 arruinou o forte e a muralha, que foram reparados. Segundo o catálogo municipal, a Guerra das Laranjas, em 1801, motivou nova remodelação, com a adaptação a armas de fogo mais modernas e a elevação das paredes. Entre 1819 e 1829, o forte serviu de quartel ao Batalhão de Caçadores 4. Para o alojar, construíram-se a Cortina do Forte e casamatas, que fecharam um pátio interior conhecido como Cidadela do Forte. A partir daí, só a cidadela recebeu manutenção, e a cerca seiscentista foi ficando ao abandono.
No interior ainda se observa uma pequena capela abobadada, herdada da ermida, e a moldura do antigo campanário.
Restauro e classificação
O forte e a cerca foram objeto de um programa de recuperação e consolidação. O catálogo municipal publica uma vista aérea depois da obra, datada de 2007, e cita um relatório final de reconstrução de 2008. Segundo o decreto, a intervenção devolveu ao conjunto a volumetria, os perfis e as cotas originais.
O processo de classificação foi proposto pela Câmara de Castro Marim em 1986 e homologado em 1997. A classificação como Monumento Nacional chegou com o Decreto n.º 31-B/2012, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31 de dezembro de 2012. A designação oficial é longa: “Forte de São Sebastião e demais elementos arquitetónicos que subsistem dos baluartes e revelins que o ligavam ao castelo”.
A zona especial de proteção ainda não está fixada. Segundo o registo nacional, uma proposta de revisão foi publicada em anúncio em 2022, mas foi devolvida à CCDR do Algarve em abril de 2024 para completar a instrução. O conjunto está abrangido pela zona de proteção do castelo. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do Município de Castro Marim indicava que o forte se visita mediante marcação prévia por correio eletrónico. Não encontrámos horário regular nem preço publicados. Os troços exteriores da cerca e os baluartes veem-se a partir das ruas da vila. Confirme as condições junto da Câmara antes de ir.
Para enquadrar o forte, compare-o com as fortalezas abaluartadas da raia alentejana e com o castelo de Alcoutim, rio acima. O itinerário regional está em Algarve e a história militar mais ampla em fortificações.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construído o Forte de São Sebastião?
- A obra começou em abril de 1641, no início da Guerra da Restauração, data que o decreto de classificação e o município registam. A cerca que liga o forte ao castelo foi começada mais tarde, em 1660, segundo o catálogo municipal sobre a praça de Castro Marim.
- Porque foi construído naquele monte?
- A colina onde existia uma ermida de São Sebastião dominava o castelo medieval a curta distância de tiro. Ocupá-la com um forte evitava que um inimigo a usasse para bater as muralhas e reforçava a defesa da fronteira do Guadiana, frente à praça espanhola de Ayamonte.
- O forte está classificado?
- Sim. O Forte de São Sebastião e os elementos que restam dos baluartes e revelins que o ligavam ao castelo são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-B/2012, de 31 de dezembro. A zona especial de proteção ainda não estava fixada por portaria na consulta de 5 de novembro de 2026.
- Pode visitar-se o interior?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página do Município de Castro Marim indicava visitas mediante marcação prévia por correio eletrónico. Não encontrámos horário regular publicado para o forte.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Forte de São Sebastião e demais elementos arquitetónicos que subsistem dos baluartes e revelins que o ligavam ao castelo (70936)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Forte de São Sebastião (NINV 349)
- Diário da República — Decreto n.º 31-B/2012, de 31 de dezembro
- Município de Castro Marim — Forte de São Sebastião
- Município de Castro Marim / CEPHA-UAlg — Castro Marim, baluarte defensivo do Algarve (catálogo)
- Wikidata — Forte de São Sebastião de Castro Marim (Q10284064)
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