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Monumentos
Igreja de Castro de Avelãs
Igreja de Castro de Avelãs, em Bragança: cabeceira românica de tijolo com arcarias cegas, ligada ao mosteiro beneditino extinto em 1545. Monumento Nacional.
- Localização
- Castro de Avelãs, Bragança
- Construção
- Cabeceira românica, entre os finais do séc. XII e o segundo quartel do séc. XIII (datação em discussão)
A Igreja de Castro de Avelãs é o que resta do mosteiro beneditino de São Salvador, na freguesia de Castro de Avelãs, no concelho de Bragança. Sobrevive apenas a cabeceira, mas é uma das peças mais singulares do românico português: ergueu-se em tijolo, um material raro numa arquitetura medieval de granito, com grandes arcarias cegas e decoração geométrica. O registo do Património Cultural, I.P. descreve-a como um dos monumentos mais simbólicos do Nordeste transmontano, que ilustra ao mesmo tempo a arte românica e a vida monástica da região. Para o enquadramento geral, veja arquitetura românica em Portugal.
O mosteiro e o seu fim
O mosteiro beneditino beneficiou, desde os tempos de D. Afonso Henriques, de uma primeira proteção régia e ganhou importância ao longo de toda a Baixa Idade Média. Reuniu um património imenso e chegou a exercer, nas palavras de Gerhard Graf citadas no registo, uma «influência despótica na região de Bragança», razão da sua decadência forçada no século XVI.
Em 1545, uma bula papal ordenou a extinção da comunidade e a passagem dos seus bens para a futura diocese de Bragança e Miranda. Depois disso, a população destruiu grande parte da igreja, e o corpo original do templo perdeu-se irremediavelmente. Do edifício românico subsiste a cabeceira, e foram identificados no local vestígios de um estabelecimento mais antigo, de época romana.
A cabeceira de tijolo
A cabeceira é tripartida, escalonada em altura e em dimensão: uma capela-mor semicircular de dois tramos e dois absidíolos. O registo considera-a uma obra única na arte românica portuguesa. Ao contrário do que foi comum em Portugal, usou-se o tijolo, material muito mais barato do que a pedra. Os muros exteriores têm grandes arcaturas cegas, de arco duplo a pleno centro, que marcam horizontalmente todos os alçados, com decoração estritamente geométrica de molduras salientes e frisos em dentes de serra.
Estas características pertencem a um grupo estilístico importante em terras leonesas, a que se chama «românico mudéjar» pelas reminiscências islâmicas da decoração geométrica e do emprego do tijolo. Manuel Monteiro apontou, em 1950, as grandes semelhanças com San Tirso de Sahagún, e concluiu que esta tinha sido feita em tijolo por pedreiros recrutados em Toledo. Carlos Alberto Ferreira de Almeida alargou as analogias à meseta leonesa, de Toro a Valladolid e Salamanca.
Uma cronologia por fechar
A datação da cabeceira continua em aberto. Numa primeira fase da investigação, os finais do século XII eram a data consensual, em ligação com os apoios do primeiro rei; Ferreira de Almeida situou depois a obra no segundo quartel do século XIII. A falta de paralelos em Portugal dificulta uma conclusão, e o registo lembra que se espera ainda um estudo rigoroso do conjunto, com intervenção arqueológica.
Certo é que a igreja era monumental. Previa um plano de três naves, de que resta o arranque de uma nave lateral, e uma fachada harmónica com duas torres a ladear um corpo central. O projeto não terá sido concluído, provavelmente por ser demasiado ambicioso para a comunidade. A sua importância foi, ainda assim, suficiente para inspirar o convento franciscano de São Francisco de Bragança, cuja cabeceira primitiva segue fielmente o mesmo modelo.
No interior, no absidíolo direito, está o túmulo de D. Nuno Martins de Chacim, mandado executar por volta de 1262 e decorado apenas com motivos heráldicos e um epitáfio inacabado.
Classificação
A igreja é Monumento Nacional, classificada pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O registo menciona, quanto à zona de proteção, uma proposta de 17 de setembro de 2005 e um parecer favorável do Conselho Consultivo de 28 de outubro de 2009; não encontrámos a publicação da zona especial de proteção. O registo não a associa a nenhum bem da UNESCO.
Preparar a visita
A igreja fica no Lugar da Igreja, em Castro de Avelãs, e é conhecida também como Igreja Paroquial de Castro de Avelãs ou Igreja de São Bento. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de visita publicado numa fonte oficial. Confirme as condições de acesso junto da Câmara Municipal de Bragança ou da diocese antes de ir. Em Bragança, o Museu do Abade de Baçal guarda coleções de arqueologia regional, e a Domus Municipalis, na cidadela, é outro monumento românico da cidade, junto ao castelo.
Fotografia de Turismoenportugal, de 9 de junho de 2012. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Porque é a Igreja de Castro de Avelãs tão rara?
- Porque a cabeceira românica foi feita em tijolo, em vez de pedra, com grandes arcaturas cegas e decoração geométrica. O registo do Património Cultural, I.P. considera-a uma obra única na arte românica portuguesa e filia-a no românico mudéjar leonês.
- O que aconteceu ao mosteiro?
- Uma bula papal de 1545 ordenou a extinção da comunidade beneditina e a passagem dos bens para a futura diocese de Bragança e Miranda. A população destruiu então grande parte da igreja e perdeu-se o corpo original do templo.
- Quando foi construída a cabeceira?
- A datação não é segura. Os finais do século XII foram a data consensual numa primeira fase da investigação, e depois propôs-se o segundo quartel do século XIII. O registo nacional aguarda ainda um estudo com intervenção arqueológica.
- É Monumento Nacional?
- Sim, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O registo não a associa a nenhum bem da UNESCO.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja de Castro de Avelãs (70573)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2356)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Wikidata — Igreja de Castro de Avelãs (Q18748362)
- Wikimedia Commons — Turismoenportugal, Castro de avelas 08 (CC BY-SA 3.0)
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