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Museu do Abade de Baçal
Museu do Abade de Baçal, em Bragança: antigo Paço Episcopal classificado como IIP, berrões e estelas romanas, arte sacra, pintura naturalista e horários.
- Localização
- Bragança, Bragança
- Construção
- Obras de 1734 e ampliação de 1764–1776; remodelações em 1937–1940 e a partir de 1994
O Museu do Abade de Baçal é um museu de arte e arqueologia gerido pela Museus e Monumentos de Portugal. Está instalado no antigo Paço Episcopal de Bragança, na Rua Abílio Beça. As coleções contam a história da região desde a pré-história: há berrões da Idade do Ferro, estelas funerárias romanas, arte sacra da antiga diocese de Miranda-Bragança e uma das coleções mais significativas de pintura naturalista portuguesa.
Um paço episcopal do século XVIII
Segundo o museu, o edifício poderá ter origem, em parte, nas antigas Casas da Mitra e no Colégio de São Pedro, que existiam no local no século XVII. O bispo D. João de Sousa Carvalho (1716–1737) mandou ampliar e enobrecer a residência. Em 1734, o mestre João Alves Lagido redefiniu a atual ala central. As armas do bispo ficaram no brasão de pedra da fachada e no teto de madeira da atual Sala da Ourivesaria Sacra.
A reforma mais profunda chegou com a mudança da sede episcopal de Miranda do Douro para Bragança, entre 1764 e 1776. Sob D. Frei Aleixo de Miranda Henriques, o paço recebeu mais dois corpos. Manuel Caetano Fortuna pintou então o teto em perspetiva da capela. O museu data provavelmente desta fase a fachada principal, horizontal e de decoração contida, ainda hoje visível.
A Primeira República expropriou o paço em 1912. O edifício passou para a Câmara Municipal, que ali instalou vários serviços do Estado, do Arquivo Distrital às Finanças. Entre 1937 e 1940, uma campanha de obras refez a fachada norte e os interiores. Foram colocados tetos vindos de conventos da cidade e de demolições, e plantado um jardim de buxo à francesa. O projeto de 1994, de António Portugal e Manuel Maria Reis, reorganizou a exposição permanente. As obras decorreram por fases até 2006.
Do leilão ao museu
No final de 1914, grande parte do recheio do paço ia ser vendida em leilão público. As autoridades foram alertadas a tempo, e o Estado adquiriu parte do acervo. Essas peças passaram para o Museu Regional de Obras de Arte, Peças Arqueológicas e Numismática de Bragança, criado formalmente a 13 de novembro de 1915.
O primeiro diretor, nomeado de imediato, entrou em conflito com a Câmara, e o museu ficou fechado durante anos. A viragem deu-se com Francisco Manuel Alves (1865–1947), pároco de Baçal, que dirigiu a instituição entre 1925 e 1935. Era autor das Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. No seu tempo chegaram doações e peças que ele próprio descobria nas aldeias do distrito, e o museu abriu formalmente ao público em 1927. Quando o Abade se jubilou, em 1935, o museu recebeu o seu nome.
Seguiu-se a direção de Raul Teixeira (1935–1955), a quem se deve grande parte da coleção de pintura. Depois chegaram vários legados:
- Sá Vargas, em 1939;
- Guerra Junqueiro, na década de 1950;
- o do coronel Ramires, em 1973, com cerca de duas mil moedas portuguesas;
- Eduardo Costa, cerca de vinte anos depois.
O que ver
A exposição permanente ocupa catorze salas. Começa na Sala do Território, com forais de povoações transmontanas, a bula papal que criou a diocese de Miranda do Douro e aguarelas de pelourinhos de Alberto de Sousa. Segue-se a Sala do Abade, dedicada aos fundadores.
As salas de arqueologia pré-romana e da romanização guardam algumas das peças mais características do museu. Mostram peças de bronze, uma fíbula de ouro de Macedo de Cavaleiros e várias esculturas zoomórficas de granito, os berrões. O museu liga-os a uma cultura comum a outros povos da Meseta. A epigrafia romana é numerosa: há estelas funerárias dos Zoelas, o povo que habitava a região de Bragança, sobretudo de Castro de Avelãs e do planalto mirandês. Há também marcos miliários das vias romanas. Para o contexto da Idade do Ferro, veja a página sobre a cultura castreja.
No andar superior visita-se a capela do antigo paço, com o teto setecentista. Seguem-se as salas de ourivesaria, mobiliário, faiança (coleção Cagigal) e numismática, além de peças compradas em hasta pública quando o museu foi criado. O percurso termina na pintura, sobretudo naturalista: Silva Porto, Marques de Oliveira, Veloso Salgado, Aurélia de Sousa, José Malhoa, Sarah Affonso, um núcleo de Abel Salazar e ilustrações de Almada Negreiros.
Fora do edifício, o jardim, antiga cerca do paço, tem cerca de quatro mil metros quadrados e acesso gratuito. O desenho atual, com uma espiral de buxo, um espelho de água e um relógio de sol, resulta da intervenção paisagística concluída no fim das obras.
Classificação
O registo do Património Cultural, I.P. identifica o edifício e jardim do antigo Paço Episcopal como imóvel de interesse público, pelo Decreto n.º 1/86, de 3 de janeiro de 1986. A proteção abrange o edifício e o jardim. O museu não está inscrito na Lista do Património Mundial nem faz parte de nenhum bem inscrito.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página de bilhética do museu indicava:
- terça-feira a domingo, 9h30–12h30 e 14h00–18h00;
- encerramento às segundas-feiras e a 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 22 de agosto e 25 de dezembro;
- bilhete normal de 5,00 € e de 2,50 € para maiores de 65 anos e jovens dos 13 aos 24 anos;
- entrada gratuita para crianças até aos 12 anos, entre outras situações.
Portugueses e residentes em Portugal têm 52 dias de entrada gratuita por ano, como explicado no guia sobre a entrada gratuita em museus e monumentos. As visitas guiadas para grupos exigem marcação.
Confirme horários e preços na página de bilhética ou pelo telefone +351 273 331 595. O museu integra a rede da Museus e Monumentos de Portugal. Na mesma visita a Bragança, suba à cidadela para ver o castelo e a Domus Municipalis, edifício cuja datação o próprio Abade de Baçal discutiu.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 2 de agosto de 2008. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem foi o Abade de Baçal?
- Francisco Manuel Alves (1865–1947), pároco de Baçal e investigador do nordeste transmontano, autor das Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. Dirigiu o museu entre 1925 e 1935, ano em que o museu passou a ter o seu nome.
- Quando foi fundado o museu?
- Foi criado formalmente a 13 de novembro de 1915, com o nome de Museu Regional de Obras de Arte, Peças Arqueológicas e Numismática de Bragança. Abriu formalmente ao público em 1927.
- O edifício é classificado?
- Sim. O edifício e o jardim do antigo Paço Episcopal são imóvel de interesse público pelo Decreto n.º 1/86, de 3 de janeiro de 1986.
- Quanto custa a entrada?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o bilhete normal custava 5 euros, com descontos e gratuitidades indicados na página de bilhética do museu. O jardim tem acesso gratuito.
Fontes
- Museu do Abade de Baçal — Museu (história)
- Museu do Abade de Baçal — Edifício
- Museu do Abade de Baçal — Jardim
- Museu do Abade de Baçal — Exposição permanente
- Museu do Abade de Baçal — Arqueologia / Epigrafia
- Museu do Abade de Baçal — O Abade de Baçal
- Museu do Abade de Baçal — Bilhética
- Museus e Monumentos de Portugal — Museu do Abade de Baçal
- Património Cultural, I.P. — Edifício e jardim do antigo Paço Episcopal, onde se encontra instalado o Museu do Abade de Baçal (74275)
- Diário da República — Decreto n.º 1/86, de 3 de janeiro
- Wikidata — Museu do Abade de Baçal (Q10333875)
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