Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Igreja de Santa Catarina (Paulistas), Lisboa

Igreja de Santa Catarina ou dos Paulistas, em Lisboa: convento fundado em 1647, igreja refeita após 1755, talha joanina, estuques, órgão. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Nave da Igreja de Santa Catarina, em Lisboa, com a abóbada coberta de estuques, os altares laterais em talha dourada e o retábulo-mor ao fundo
GualdimG, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
Convento de 1647; igreja de 1654, reconstruída após 1755 (concluída em 1763)

A Igreja de Santa Catarina, mais conhecida em Lisboa como Igreja dos Paulistas, fica na Calçada do Combro, na freguesia da Misericórdia, entre o Bairro Alto e a Madragoa. Por fora é uma fachada urbana de três corpos, encostada à linha da rua; por dentro, reúne um dos conjuntos de talha dourada e de estuque mais ricos da Lisboa reconstruída depois do terramoto de 1755. Era a igreja de um convento de eremitas, e é hoje igreja paroquial e Monumento Nacional.

Os Paulistas na Calçada do Combro

Segundo o texto do Centro Social Paroquial de Santa Catarina, o convento foi fundado em 1647 como retiro dos eremitas da Ordem de São Paulo Primeiro Eremita, os Paulistas, com a obra dirigida por Frei Diogo da Ponte. Os primeiros religiosos instalaram-se em 1649, e a igreja, ao lado do convento, é datada de 1654. O próprio registo oficial reflete esta ligação: o Atlas do Património Classificado designa o monumento como Igreja de Santa Catarina, com remissão para o Antigo Convento dos Eremitas de São Paulo da Serra de Ossa (Paulistas), incluindo a cerca.

O terramoto de 1 de novembro de 1755 destruiu a abóbada de pedra e danificou o convento. A reconstrução da igreja ficou concluída em 1763. Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, acabou a vida conventual; o edifício conventual foi depois adaptado a tribunais e a serviços militares. Em 1835 a igreja passou a paroquial, sob a invocação de Santa Catarina, função que mantém.

Arquitetura

A fachada tem três secções, divididas por pilastras emparelhadas; a central, com dois andares, termina num frontão curvo decorado com uma custódia do Santíssimo Sacramento, e dois campanários com balaústres ladeiam o conjunto. Ao nível do chão há um galilé de três arcos de volta perfeita, e o portal central tem frontão triangular. A planta é de cruz latina, com nave única, capelas laterais, transepto saliente e capela-mor profunda, e forma com o convento uma planta em U.

A listagem da Open House Lisboa associa a obra a vários nomes ao longo do tempo (autores seiscentistas por identificar, Joaquim de Oliveira no século XVIII e Valentim José Correia no século XIX) mas não detalha a sua intervenção; o texto da paróquia não nomeia arquiteto da igreja. Não encontrei fonte oficial consultável que o esclareça.

O que ver no interior

O texto paroquial destaca o retábulo-mor em talha joanina, um exemplo do gosto que a página de barroco joanino descreve em geral, e a abóbada da nave, decorada com estuques do terceiro quartel do século XVIII, atribuídos a Giovanni Grossi (João Grossi), que terá trabalhado com Toscanelli. O estuque data, portanto, da reconstrução posterior ao terramoto e sobrevive até hoje.

O órgão tem caixa de talha dourada e, segundo o mesmo texto, foi construído no início do século XVIII, provavelmente entre cerca de 1710 e 1720, tendo sobrevivido a 1755 e sido modificado no século XIX; o texto, sem data, refere-o silencioso desde os anos 1950 e pede o restauro. Para o contexto dos instrumentos históricos, veja órgãos históricos portugueses.

Quanto ao azulejo, a fonte paroquial refere apenas os painéis seiscentistas dos corredores do antigo convento, não o interior da igreja. Por isso esta página não afirma que a nave tenha revestimento azulejar.

Classificação

O Atlas do Património Classificado regista o monumento como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 5 046, Diário do Governo, I Série, n.º 268, de 11 de dezembro de 1918, o mesmo diploma que classificou outros imóveis lisboetas. A zona especial de proteção consta da Portaria n.º 398/2010 (Diário da República, 2.ª série, n.º 112, de 11 de junho de 2010), com declaração de retificação n.º 874/2011. Não é inscrição da UNESCO. Para comparar com outra igreja barroca lisboeta de interior opulento, veja a Igreja de São Roque.

Preparar a visita

A igreja fica na Calçada do Combro, 82. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Centro Social Paroquial de Santa Catarina publicava apenas contactos (telefones 213 224 150 e 910 189 318), sem horário de visita nem preço. A Open House Lisboa indica acessibilidade reduzida e fotografia permitida, sem dar horários. O texto paroquial adverte ainda que o antigo convento alberga serviços da GNR, pelo que a visita a essa parte pode ser restrita. Confirme tudo diretamente com a paróquia antes de ir.

Fotografia de GualdimG, de 23 de março de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama Igreja dos Paulistas?
Porque pertenceu ao convento dos Eremitas de São Paulo da Serra de Ossa, conhecidos como Paulistas, que se instalaram na Calçada do Combro em meados do século XVII. A designação de Santa Catarina vem da invocação adotada em 1835, quando a igreja passou a paroquial.
A igreja é Monumento Nacional?
Sim. O Atlas do Património Classificado regista-a como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 5 046, publicado no Diário do Governo n.º 268, de 11 de dezembro de 1918, com a designação que remete também para o antigo convento e a cerca.
O que sobreviveu ao terramoto de 1755?
O abalo destruiu a abóbada de pedra e danificou o convento. A igreja foi reconstruída e as obras ficaram concluídas em 1763; os estuques da nave datam desse período. O órgão, do início do século XVIII, é referido como tendo sobrevivido.
Posso visitar o interior?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Centro Social Paroquial de Santa Catarina publicava apenas contactos, sem horários de visita. Confirme por telefone ou com a paróquia antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3287)
  2. Diário do Governo — Decreto n.º 5 046, I Série, n.º 268, de 11 de dezembro de 1918
  3. Centro Social Paroquial Santa Catarina Lisboa — O Património (Igreja de Santa Catarina / Convento dos Paulistas)
  4. Trienal de Arquitectura de Lisboa / Open House Lisboa — Igreja de Santa Catarina
  5. Wikidata — Igreja de Santa Catarina (Q1657860)

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