- Início
- Tipologias do património edificado
- Igrejas matrizes e paroquiais de Portugal
- Igreja de Santa Maria do Olival, Tomar
Monumentos
Igreja de Santa Maria do Olival, Tomar
Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar: panteão dos mestres templários, nave gótica de meados do século XIII, túmulo de Diogo Pinheiro e como visitar.
- Localização
- Tomar, Santarém
- Construção
- século XII (igreja primitiva); igreja atual de meados do século XIII
A Igreja de Santa Maria do Olival (também chamada Santa Maria dos Olivais) fica num outeiro a leste do centro de Tomar, junto à estrada de Marmelais de Baixo. É um templo gótico de pedra clara, com uma grande rosácea na fachada, e foi, na Idade Média, o lugar onde os mestres da Ordem do Templo escolheram ser sepultados. Esta função funerária liga-o ao Convento de Cristo, que fica do outro lado da cidade, e à rede de monumentos da ordem em Tomar.
Um cemitério para os freires
Segundo o registo do Património Cultural, I.P., a igreja ergue-se sobre uma parcela da cidade romana de Sellium: as escavações puseram a descoberto alicerces romanos, reaproveitados mais tarde como muros de uma extensa necrópole medieval associada ao templo. Esse registo regista enterramentos entre os séculos V e XVI, mas lembra que falta ainda um estudo arqueológico monográfico rigoroso, pelo que estes números devem ser lidos com cautela.
A primitiva igreja terá sido edificada no século XII, por iniciativa de D. Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, como cemitério dos freires. O próprio Gualdim Pais foi sepultado no interior; do seu túmulo resta a inscrição funerária, datada de 1195. O município de Tomar acrescenta que ali foram também sepultados o mestre D. Gil Martins, primeiro mestre da nova Ordem de Cristo, e o mestre Lourenço Martins, e que a lápide de Gualdim Pais se encontra hoje na parede da segunda capela, para onde os restos mortais foram transferidos depois de retirados os túmulos por ordem de D. João III. Desconhece-se como seria esse templo primitivo e que relações teria com a charola românica do Convento de Cristo.
A ideia de “panteão templário” tem, portanto, base documental, mas convém separá-la do edifício que hoje se vê. O panteão é a função; a construção atual é posterior.
A igreja gótica de meados do século XIII
A igreja atual começou a ser construída em meados do século XIII, presumivelmente no reinado de D. Afonso III, e cedo se impôs como obra emblemática da arquitetura gótica nacional. O registo nacional descreve um edifício de três naves de alturas diferentes, a central mais elevada, divididas em cinco tramos, com cobertura de madeira e sem transepto. A cabeceira é a única parte abobadada: uma capela-mor de dois tramos, o último de sete faces, ladeada por duas absidíolas retangulares.
O modelo foi muito repetido. O registo cita Paulo Pereira para chamar-lhe uma “tipologia de longa duração”, seguida em templos paroquiais, catedralícios e conventuais de norte a sul do reino. O município refere, por seu lado, que a organização espacial serviu de modelo à Igreja de São João Baptista, também em Tomar. Discute-se se o plano evoluiu de modelos românicos (Paulo Pereira) ou não (Pedro Dias); a maioria dos autores filia o edifício no grande estaleiro de Alcobaça, concluído por essa altura.
A fachada principal tem três panos e segue o esquema conhecido como ad triangulum: os panos laterais ajustam-se obliquamente ao central. No pano central, de dois andares, abre-se um portal de arco apontado, com arquivoltas e gablete; no segundo andar, uma rosácea filtra a luz para a nave. O município assinala também a torre de atalaia adaptada a campanário e a loggia lateral. Segundo a mesma fonte, a rosácea sobre o altar-mor, com o selo de Salomão, é recente, e foi introduzida no grande restauro de 1940.
Capelas, túmulos e o bispo do Funchal
Nos séculos seguintes a igreja manteve o papel de mausoléu, e no século XVI foram acrescentadas, na face sul, várias capelas privadas de feição maneirista. Pouco antes, entre 1525 e 1528, sepultou-se na capela-mor D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, num túmulo renascentista muito decorado, saído da oficina de João de Ruão. O município atribui a obra a Diogo Pires-o-Moço; a atribuição é divergente da do registo nacional, que aponta a oficina de João de Ruão. Este túmulo dá nome à designação oficial do monumento classificado.
O município refere ainda uma imagem de Nossa Senhora do Leite, do século XVI, na capela-mor, e a importância que a igreja teve no tempo da Ordem de Cristo: segundo a bula de 13 de março de 1455, foi igreja matriz com jurisdição sobre as igrejas dos territórios de além-mar. É uma informação do município, não do registo nacional, e convém ler-se como tal. Frente ao edifício há uma torre de que se diz ter existido um túnel para o castelo templário; trata-se de uma crença, não de um facto comprovado. Para o castelo, veja o Castelo de Tomar.
Classificação
A igreja é Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910), com a designação «Igreja de Santa Maria do Olival, compreendendo os túmulos, designadamente o de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal». A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por portaria de 30 de agosto de 1946. Não tem inscrição própria na UNESCO. O Convento de Cristo, que o visitante associa naturalmente a este templo, é Património Mundial, mas a UNESCO não inclui o Olival nessa inscrição, pelo que a igreja não deve ser apresentada como parte dela. Para outras páginas sobre Tomar, consulte também a Sinagoga de Tomar.
Preparar a visita
A morada indicada pelo município é a Rua Aquiles da Mota Lima, Tomar. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Turismo de Tomar publicava o seguinte horário:
- de abril a setembro: terça-feira a domingo, 10h00–13h00 e 14h00–18h00;
- de outubro a março: terça-feira a domingo, 10h00–12h00 e 14h00–17h00;
- encerrada a 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro.
A mesma página indica o telefone +351 249 329 823 para marcação de visitas e +351 249 312 611 para missas e outras celebrações. A igreja é paroquial, pelo que o acesso pode variar em dias de culto. Confirme sempre na página do município antes de se deslocar; não encontrámos publicado o preço de entrada, se existir.
Fotografia de Threeohsix, de 6 de agosto de 2023. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- A Igreja de Santa Maria do Olival foi um panteão templário?
- Sim, segundo o registo do Património Cultural, I.P. e o município de Tomar: a igreja primitiva, do século XII, terá sido mandada erguer por D. Gualdim Pais, mestre do Templo, para cemitério dos freires, e o próprio Gualdim Pais foi sepultado nela (inscrição datada de 1195). Desconhece-se como era esse primeiro templo.
- O edifício atual é do tempo dos templários?
- Não. A igreja atual começou a ser construída em meados do século XIII, presumivelmente no reinado de D. Afonso III, e é uma obra gótica; do templo do século XII não se conhece a forma.
- A igreja é Monumento Nacional?
- Sim. Está classificada como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910), com a designação «Igreja de Santa Maria do Olival, compreendendo os túmulos, designadamente o de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal». Não é uma inscrição da UNESCO; o Convento de Cristo, em Tomar, é que é Património Mundial.
- Como se marcam as visitas?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Turismo de Tomar indicava o telefone +351 249 329 823 para marcação de visitas e publicava horário de terça-feira a domingo, com encerramento a 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro. Confirme na página do município antes de se deslocar.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja de Santa Maria do Olival, compreendendo os túmulos, designadamente o de D. Diogo Pinheiro (70610)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3972)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Município de Tomar / Turismo de Tomar — Igreja de Santa Maria do Olival
- Wikidata — Igreja de Santa Maria dos Olivais (Q267013)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresTomarTomar, no distrito de Santarém, é a histórica cidade dos Templários, com o Convento de Cristo classificado pela UNESCO e a Festa dos Tabuleiros.
unesco culturalConvento de Cristo em TomarO Convento de Cristo em Tomar, antiga sede templária e da Ordem de Cristo, Património Mundial da UNESCO desde 1983, com a Charola e a Janela do Capítulo.
castelosCastelo dos Templários (Tomar)Castelo dos Templários de Tomar, fortaleza fundada por Gualdim Pais em 1160 que abraça o Convento de Cristo, Património Mundial no distrito de Santarém.
mosteirosCharola do Convento de CristoA Charola do Convento de Cristo, em Tomar, é a rotunda templária do século XII, oratório de planta centrada e núcleo originário do conjunto monumental.
sinagogasSinagoga de TomarExplore a Sinagoga de Tomar: sala medieval, memória judaica, Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto e informação municipal para preparar a visita ao monumento.
periodosArquitetura e Arte Gótica em PortugalO gótico em Portugal, do despojamento cisterciense de Alcobaça à exuberância flamejante da Batalha, passando pela arquitetura mendicante dos séculos XIII e XIV.