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Mercado do Bolhão
Mercado do Bolhão, no Porto: o edifício de Correia da Silva (projeto de 1914), a classificação de 2013, a reabilitação reaberta em 2022 e como visitar.
- Localização
- Porto, Porto
- Construção
- Projeto de 1914; reabilitação 2018–2022
O Mercado do Bolhão ocupa um quarteirão inteiro da Baixa do Porto, entre as ruas de Sá da Bandeira, Formosa, Alexandre Braga e Fernandes Tomás. É ao mesmo tempo um mercado de frescos em funcionamento, um edifício do início do século XX e um Monumento de Interesse Público. Fechou em 2018 para uma reabilitação profunda e reabriu em 15 de setembro de 2022. Continua a ser gerido pelo município e a vender peixe, fruta e legumes, entre outros produtos.
Do lameiro ao edifício de 1914
A portaria de classificação resume a origem. O primeiro mercado surgiu em meados do século XIX, numa praça aberta sobre um lameiro onde brotava a Fonte do Bolhão, ao mesmo tempo que se rasgava a Rua de Sá da Bandeira. Era uma estrutura precária. Foi substituída pelo edifício atual, projetado pelo arquiteto António Correia da Silva num projeto datado de 1914, durante a primeira vereação republicana do Porto. A mesma portaria atribui a essa vereação alguns dos projetos de urbanização mais ousados da cidade.
O atelier responsável pela reabilitação refere a construção do edifício entre 1914 e 1917. Na mesma página, porém, indica 1914–1920 na ficha técnica. As fontes consultadas não fixam, por isso, uma data de conclusão segura.
Uma arquitetura entre a Beaux-Arts e o betão
O edifício segue a lição francesa da arquitetura Beaux-Arts. A portaria descreve-o como um bom exemplo nacional do estilo eclético Beaux-Arts, com linhas e decoração de inspiração neoclássica tardia. Junta-lhes uma tendência racional e moderna: betão armado, vidro e estruturas metálicas, ao lado de coberturas de madeira e cantarias tradicionais de granito. É, por isso, um caso de transição entre a arquitetura do ferro oitocentista e as estruturas de betão do século XX. Embora seja contemporâneo da Arte Nova portuense, a classificação não o inclui nesse estilo.
Por fora, a monumentalidade vem dos torreões cilíndricos nas esquinas, que contrastam com a horizontalidade das fachadas. A fachada principal termina num frontão brasonado, ladeado por alegorias do Comércio e da Agricultura atribuídas a Bento Cândido da Silva. Lojas viradas para as ruas envolventes ligam o mercado à vida do quarteirão.
Por dentro, o espaço organiza-se num piso térreo e em galerias superiores, ligadas por escadarias em volta de um grande espaço central. Este divide-se em dois pátios com bancas cobertas a ardósia. Entre eles, uma galeria coberta construída nos anos 1940 liga a Rua Alexandre Braga à Rua de Sá da Bandeira, as entradas nascente e poente. A portaria sublinha também o valor sociológico do lugar, onde as formas tradicionais de venda das feiras convivem com o comércio moderno.
Classificação e proteção
O Mercado do Bolhão foi classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 613/2013, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 182, de 20 de setembro de 2013. A mesma portaria fixou uma zona especial de proteção, definida a partir das frentes edificadas com relação visual direta com o mercado, marcadas por edifícios anteriores à segunda metade do século XX. O Atlas do Património Cultural regista o imóvel com o n.º de inventário 70059.
Na altura, a portaria considerava o edifício «inalterado». Essa descrição refere-se a 2013, antes das obras que se seguiram.
A reabilitação de 2018–2022
A obra foi consignada a 15 de maio de 2018, com um prazo inicial de dois anos. Pouco antes, a 2 de maio, abrira um mercado temporário na Rua Fernandes Tomás, a cerca de 200 metros, com 5600 m² e 82 comerciantes, segundo a agência Lusa. O projeto de reabilitação é do arquiteto Nuno Valentim, que trabalhou nele entre 2014 e 2022. O dono de obra foi a GO Porto, a empresa municipal de gestão e obras, e a empreitada coube ao consórcio Lúcios & ACA – Bolhão ACE.
O prazo derrapou: a conclusão prevista para maio de 2020 passou para setembro de 2022. Segundo a Lusa, as galerias superiores tiveram de ser totalmente demolidas e reconstruídas, porque estavam em pior estado do que os estudos prévios indicavam. A obra acrescentou também uma cave logística e uma ligação direta à estação de metro do Bolhão. A mesma fonte indica um contrato de 22,379 milhões de euros e um custo final cerca de 15 % superior.
O mercado reabriu a 15 de setembro de 2022. Segundo o mercado, ultrapassou as 600 mil entradas no primeiro mês, quando antes da obra a meta era de 5 mil entradas no melhor dia. Em outubro de 2026 foi apresentado em Paris um livro sobre a reabilitação, com ensaio fotográfico de André Cepeda.
O mercado hoje
O piso térreo continua dedicado aos frescos. Na reabertura, a página oficial anunciava mais de 70 comerciantes, 38 lojas viradas para o exterior e dez restaurantes no piso superior. A Lusa contava 81 bancas. A gestão está delegada pela Câmara Municipal do Porto na GO Porto. Segundo a página oficial, o mercado tem acesso pelas quatro portas do edifício e dez elevadores.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site oficial indicava este horário: segunda a sexta, 8h–19h; sábado, 8h–18h; restaurantes de segunda a sábado até às 24h; encerrado aos domingos e feriados. As lojas exteriores têm horário próprio. As visitas guiadas de 45 minutos realizavam-se às quartas, sextas e sábados, em português e inglês, com bilhete geral de 12 €, até 15 pessoas e reserva no balcão ou por correio eletrónico. Na primeira sexta-feira de cada mês havia também uma visita com intérprete de Língua Gestual Portuguesa. Confirme horários, preços e condições na página oficial.
A estação de metro do Bolhão tem ligação direta ao mercado. A morada oficial é Rua Formosa, 322. A visita combina bem com o Centro Histórico do Porto, a Torre dos Clérigos e o Palácio da Bolsa. Para enquadrar o edifício, veja mercados municipais.
Fotografia de Joseolgon, de 21 de dezembro de 2023. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem projetou o Mercado do Bolhão?
- O arquiteto António Correia da Silva, num projeto datado de 1914, segundo a portaria de classificação. A reabilitação de 2018–2022 teve projeto do arquiteto Nuno Valentim.
- O Mercado do Bolhão está classificado?
- Sim. É Monumento de Interesse Público, com zona especial de proteção, pela Portaria n.º 613/2013, publicada no Diário da República de 20 de setembro de 2013.
- Quando reabriu o mercado?
- A 15 de setembro de 2022, depois de uma obra iniciada em maio de 2018. Durante as obras, os comerciantes trabalharam num mercado temporário na Rua Fernandes Tomás.
- Qual é o horário?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site oficial indicava segunda a sexta das 8h às 19h, sábado das 8h às 18h, restaurantes até às 24h, e encerramento aos domingos e feriados. Confirme antes da visita.
Fontes
- Diário da República — Portaria n.º 613/2013, de 20 de setembro (classificação do Mercado do Bolhão)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Mercado do Bolhão (NINV 70059)
- Mercado do Bolhão — História e apresentação
- Mercado do Bolhão — Contactos e horário
- Mercado do Bolhão — Perguntas frequentes
- Mercado do Bolhão — Visitas guiadas
- Mercado do Bolhão — Bolhão celebra primeiro mês com mais de 600 mil visitas (15-10-2022)
- Mercado do Bolhão — Livro sobre a reabilitação apresentado em Paris (27-10-2026)
- Nuno Valentim Arquitectura — Reabilitação do Mercado do Bolhão
- 24noticias / Lusa — Obra de 2 anos no Mercado do Bolhão consignada hoje (15-05-2018)
- Diário de Notícias / Lusa — Mercado do Bolhão renovado reabre portas à cidade do Porto (15-09-2022)
- Wikidata — Mercado do Bolhão (Q10328805)
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