Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Café Majestic

Café Majestic, na Rua de Santa Catarina, Porto: café Arte Nova de 1921–1922, o jardim de inverno de 1925, o restauro de 1992–1994 e a classificação IIP de 1983.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada Arte Nova do Café Majestic na Rua de Santa Catarina, com portadas de madeira e vidro, figuras de crianças junto ao letreiro e calçada portuguesa à frente
Frank Kovalchek, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Porto, Porto
Construção
1921–1922; jardim de inverno 1925; restauro 1992–1994

O Café Majestic fica no n.º 112 da Rua de Santa Catarina, a rua pedonal e comercial da Baixa do Porto. A fachada de pedra clara e o interior de espelhos, madeiras e estuques fazem dele um dos exemplos mais conhecidos da Arte Nova na cidade. Continua a funcionar como café e restaurante e é também Imóvel de Interesse Público desde 1983. Quase fechou nos anos 1980 e reabriu em 1994, depois de um restauro.

Elite ou Majestic: as datas de abertura

As fontes não contam a origem da mesma maneira, e convém distingui-las.

A nota histórico-artística do registo do património cultural, redigida em 2008, diz que o café abriu ao público em dezembro de 1921 com o nome Café Elite, e que mudou para Majestic no ano seguinte, numa evocação da vida parisiense.

A história publicada pelo próprio café é mais detalhada e cita documentos. Em 17 de dezembro de 1921, um grupo de comerciantes constituiu a sociedade Café Elite, Limitada e alugou o rés-do-chão dos n.os 110 a 116 da Rua de Santa Catarina. O contrato começava a 1 de junho de 1922. A inauguração ao público, já como Majestic Café, terá sido a 2 de dezembro de 1922, segundo o Commércio do Porto desse dia. Em 1924, a sociedade proprietária passou a chamar-se Majestic Café, Lda.

O mesmo desacordo existe quanto à autoria. O registo oficial atribui o edifício ao arquiteto João Queirós, também autor do cinema Olympia. O café, citando o jornal de 1922, atribui o projeto inicial ao arquiteto José Pinto de Oliveira. Atribui a João Queiroz o projeto, de 1925, do bar virado à Rua de Passos Manuel, e diz que o prédio é de 1916.

A fachada e a sala Arte Nova

A fachada de mármore divide-se pelas três portadas de madeira envidraçadas, que abrem largamente a sala para a rua. Tem grinaldas vegetalistas e figuras fantásticas: mascarões laterais e duas crianças, os «meninos silvestres» do registo, que parecem convidar a entrar. Um pequeno frontão contracurvado coroa a entrada principal, e um friso superior inclui um medalhão com as iniciais da casa.

O interior mantém a decoração Arte Nova. Molduras de madeira e vidro, grandes espelhos que ampliam visualmente a sala, candeeiros de metal, florões, máscaras e figuras humanas em estuque dão-lhe um ambiente de luxo da época. A história do café refere ainda os bancos de couro gravado que substituíram os originais de veludo vermelho e o piso inferior, antes ocupado pelo bilhar e hoje usado para exposições.

O jardim de inverno e a frente de Passos Manuel

Em 1925, o mestre Pedro Mendes da Silva dirigiu a construção de um pátio interior pensado como jardim de inverno, com uma pequena escadaria e um bar. A obra abriu uma segunda frente para a Rua de Passos Manuel, em linguagem mais simples e regional, próxima do que Raul Lino viria a chamar casa portuguesa. Ali funcionou uma pequena tabacaria. Segundo a história da casa, o jardim recebe hoje concertos durante o verão.

Tertúlias, declínio e restauro

Desde o início, o Majestic definiu-se como café de tertúlia. A sua história nomeia frequentadores como José Régio, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra e o pintor Júlio Resende, além de alunos e professores da Escola de Belas Artes do Porto. Em 2020, J.K. Rowling escreveu que o Majestic tinha sido provavelmente o café mais bonito em que alguma vez escrevera, segundo o Observador.

A partir dos anos 1960, o café entrou em degradação progressiva, que nos anos 1980 o registo descreve como quase irreversível. Com novos proprietários, fechou em 1992 para um restauro completo, dirigido, segundo a história da casa, pela arquiteta Teresa Mano Mendes Pacheco. Foram substituídos os pavimentos e reposto o mobiliário original, com a ajuda de fotografias antigas. Reabriu a 15 de julho de 1994.

Classificação e proteção

O café foi classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto do Governo n.º 8/83, publicado no Diário da República, I série, n.º 19, de 24 de janeiro de 1983, que o identifica como «Café Majestic, situado na Rua de Santa Catarina, 112, no Porto». A história do café refere um decreto de 31 de agosto de 1981, mas o registo oficial indica apenas o diploma de 1983. O Atlas do Património Cultural regista-o com o n.º de inventário 3703.

O processo inclui propostas de zona especial de proteção conjunta, de 2008 e 2010, com o Coliseu do Porto, a Igreja de Santo Ildefonso e outros imóveis. Na planta incluída no registo, essa zona conjunta aparece como não estando em vigor. O registo indica também que o café está abrangido pela zona de proteção do Coliseu do Porto.

Preparar a visita

O Majestic é um café e restaurante em funcionamento, não um museu. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site do café indicava abertura de segunda-feira a sábado, das 9h00 às 23h00. O telefone publicado é o +351 222 003 887. Confirme horários e eventos em cafemajestic.com. A fachada e as portadas observam-se da rua; a sala, o jardim de inverno e o piso inferior pertencem ao espaço do café.

Na mesma rua fica a Capela das Almas, com as fachadas cobertas de azulejos de 1929. Na mesma zona da Baixa ficam o Mercado do Bolhão e a Igreja de Santo Ildefonso, na Praça da Batalha.

Fotografia de Frank Kovalchek, de 15 de setembro de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando abriu o Café Majestic?
As fontes divergem. O registo do património cultural indica dezembro de 1921, com o nome Café Elite. A história publicada pelo próprio café data de 17 de dezembro de 1921 a constituição da sociedade Café Elite e de 2 de dezembro de 1922 a inauguração ao público, já como Majestic Café.
Quem foi o arquiteto?
O registo oficial atribui o edifício a João Queirós. O café, citando o jornal Commércio do Porto de 1922, atribui o projeto inicial a José Pinto de Oliveira e o bar de 1925, virado à Rua de Passos Manuel, a João Queiroz.
O Café Majestic está classificado?
Sim. É Imóvel de Interesse Público pelo Decreto do Governo n.º 8/83, publicado no Diário da República de 24 de janeiro de 1983, que o identifica na Rua de Santa Catarina, 112.
Qual é o horário?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site do café indicava abertura de segunda-feira a sábado, das 9h00 às 23h00. Confirme antes da visita.

Fontes

  1. Diário da República — Decreto do Governo n.º 8/83, de 24 de janeiro (classificação como IIP)
  2. Património Cultural, I.P. — Café Majestic (74502)
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Café Majestic (NINV 3703)
  4. Majestic Café — História
  5. Majestic Café — Como chegar e contactos
  6. Observador — Afinal, a Lello não inspirou Harry Potter: J.K. Rowling diz que nunca entrou na livraria (21-05-2020)
  7. Wikidata — Café Majestic (Q3208239)

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