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Mosteiro de Odivelas

Mosteiro de Odivelas: fundado por D. Dinis em 1295, casa cisterciense feminina, túmulo do rei, cabeceira gótica, Instituto de Odivelas e visitas guiadas.

Perguntas frequentes Fontes
Cabeceira gótica da igreja do Mosteiro de Odivelas, em cantaria, com janelas ogivais e telhados de telha de canudo, vista do largo fronteiro
GualdimG, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Odivelas, Lisboa
Construção
1295–c. 1305; igreja reconstruída após 1755

O Mosteiro de Odivelas (também chamado Mosteiro de São Dinis e São Bernardo) ergue-se no largo de D. Dinis, no centro da cidade de Odivelas, junto a Lisboa. Foi uma das grandes casas femininas de Cister em Portugal e é hoje sobretudo conhecido por albergar o túmulo do rei D. Dinis. Do edifício medieval resta pouco, mas esse pouco é um bom exemplo do gótico dionisino, e o conjunto passou por um longo uso como instituto de ensino antes de entrar na gestão municipal.

Fundação por D. Dinis

Segundo o registo nacional do património, a edificação do mosteiro começou em 1295, com o apoio da coroa e da nobreza. Dez anos depois, por volta de 1305, já podia receber as primeiras monjas bernardas, isto é, da Ordem de Cister. A obra prolongou-se por mais anos sob a direção dos arquitetos Antão e Afonso Martins, cujas siglas ainda se encontram em numerosos silhares. O Município de Odivelas acrescenta que o mosteiro foi fundado na Quinta de Vale de Flores, do rei.

O mesmo registo lembra uma lenda que explica a escolha do lugar: o rei, a passear sozinho junto à ribeira, teria sido atacado por um urso, e a fundação seria uma ação de graças. A qualidade dos solos, a ribeira e o isolamento do sítio na época foram, para o registo, razões práticas de peso. Do primitivo mosteiro, o Município sublinha ainda um facto invulgar: a casa foi habitada exclusivamente por mulheres do século XIII ao século XXI, primeiro por monjas, depois pelas alunas do instituto.

O que resta do mosteiro gótico

Como em qualquer casa cisterciense, tudo se organiza em torno do claustro, aqui condicionado pela rede de águas do local. Por esse motivo, a igreja ficou do lado sul do claustro, uma disposição pouco comum. Da construção primitiva sobrevivem a cabeceira da igreja, com o portal lateral sul e o seu nártex, e parte do claustro.

A cabeceira é um exemplo claro do chamado gótico dionisino: tripartida, com uma capela-mor mais ampla e alta do que os absidíolos, planta exterior poligonal e contrafortes nos ângulos, que permitem abrir grandes janelas verticais de duplo vão nos panos da capela-mor. No interior, a hierarquia dos espaços lê-se na luz: a capela-mor é muito iluminada, os absidíolos recebem apenas estreitas frestas e cobrem-se com abóbada baixa de cruzaria de ogivas. Para o contexto geral deste estilo, veja arquitetura gótica em Portugal.

Séculos XV a XVIII

Em 1424, a rainha D. Filipa de Lencastre instituiu uma capela anexa ao absidíolo sul, ligada ao portal lateral da igreja, com linguagem semelhante à da cabeceira mas elementos decorativos próprios. O século XVI trouxe o Claustro da Moura e várias obras na parte conventual, além de elementos manuelinos dispersos pelo edifício. Seguiram-se obras nos séculos XVII e XVIII; o Município refere alterações significativas nos reinados de D. João IV e de D. João V.

A última grande campanha seguiu-se ao terramoto de 1755, que fez ruir o corpo da igreja e afetou várias dependências. A nova nave privilegiou um espaço amplo e sem divisórias, com arcos de volta perfeita e abatidos a suportar uma abóbada de lunetas. As invasões francesas deixaram também danos, segundo o registo.

Os túmulos de D. Dinis e do Infante

É na nave reconstruída que se veem dois túmulos góticos do século XIV. O de D. Dinis, com jacente e faces decoradas com edículas trilobadas onde se integram religiosos, é considerado pelo registo nacional uma obra cimeira da arte tumular medieval portuguesa. O rei morreu em 1325.

A designação oficial do monumento fala dos túmulos «de D. Dinis e de sua filha». O Município de Odivelas e a imprensa descrevem, porém, o segundo túmulo como o de um Infante, neto do rei, e um estudo académico defende que o ocupante é o Infante Dinis. A diferença entre a designação de 1910 e a investigação recente é um bom lembrete de que as classificações antigas nem sempre acompanham o conhecimento atual.

Dada a degradação do túmulo do rei, iniciou-se no final de 2016 um projeto de conservação e restauro, com o apoio da Câmara Municipal de Odivelas, do Colégio Militar e da Direção-Geral do Património Cultural. Segundo a agência Lusa, o túmulo foi aberto em 2020, revelando uma espada, uma fivela de prata e vários têxteis, e voltou a ser encerrado a 28 de junho de 2023. Em fevereiro de 2026 foi publicado o decreto que classifica o espólio dos túmulos do rei e do Infante como tesouro nacional. O Município inaugurou também, no âmbito do centenário da morte do rei, uma exposição com resultados dessas investigações.

Do mosteiro ao instituto

Com a morte da última abadessa, em 1886, o mosteiro passou para a Fazenda Nacional. Para acolher as filhas órfãs de militares, nasceu aqui o Instituto Infante D. Afonso, inaugurado em 1900, que mudou de nome mais de uma vez e se chamou Instituto de Odivelas desde 1942. O registo nacional dá a extinção do instituto em 2013; o Município refere a transferência para o Colégio Militar e o encerramento definitivo das instalações em 2015. Desde então, o conjunto tem estado em requalificação, e o Município prevê aqui um centro interpretativo e um museu, hoje ainda «em construção» segundo o portal do mosteiro.

Classificação e proteção

O imóvel é Monumento Nacional com a designação Mosteiro de Odivelas, compreendendo os túmulos de D. Dinis e de sua filha, pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção, comum ao Mosteiro, ao Memorial de Odivelas e à Igreja do Santíssimo Nome de Jesus, foi fixada pela Portaria n.º 629/2013 (Diário da República, 2.ª série, n.º 182, de 20 de setembro de 2013). Não é Património Mundial.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Município de Odivelas anunciava visitas orientadas aos sábados à tarde (em novembro e dezembro, às 15h00 e às 16h30; novembro: dias 7, 14, 21 e 28) e visitas temáticas em alguns domingos, como a de 8 de novembro, às 15h00, sobre a arte no mosteiro. A inscrição é obrigatória, com um máximo de 20 pessoas por visita, e o preço indicado era de 2,50 euros. O município avisa que o mosteiro não tem acessos para mobilidade reduzida. Confirme tudo na página do mosteiro e junto do Município, pelo telefone 219 320 942 ou 219 320 943.

Para ver o mosteiro no seu contexto, compare-o com outras casas de Cister, como Lorvão e Arouca, e com as rotas de Cister em Portugal. Mais casas deste tipo estão em mosteiros e, na região, em Lisboa e Vale do Tejo.

Fotografia de GualdimG, de 21 de maio de 2022. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem fundou o Mosteiro de Odivelas?
O rei D. Dinis. Segundo o registo nacional do património, a construção começou em 1295 e, dez anos depois, o mosteiro já podia acolher o primeiro grupo de monjas de Cister. A obra foi orientada pelos arquitetos Antão e Afonso Martins, que deixaram siglas em muitos silhares.
D. Dinis está sepultado em Odivelas?
Sim. A igreja guarda o túmulo gótico do rei, falecido em 1325. A designação oficial do monumento fala dos túmulos de D. Dinis e «de sua filha»; o Município de Odivelas e a imprensa referem, porém, um segundo túmulo, do Infante, neto do rei. A identificação do ocupante deste segundo túmulo é uma questão de investigação e deve ser lida com essa reserva.
Que classificação tem o Mosteiro de Odivelas?
Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção, conjunta com o Memorial de Odivelas e a Igreja matriz, foi fixada pela Portaria n.º 629/2013. Em fevereiro de 2026, o espólio dos túmulos foi ainda classificado como tesouro nacional.
Como se visita o mosteiro?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Município de Odivelas anunciava visitas orientadas, com inscrição obrigatória, aos sábados à tarde e em alguns domingos temáticos, ao preço de 2,50 euros. Confirme datas e condições na página do mosteiro antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Mosteiro de Odivelas, compreendendo os túmulos de D. Dinis e de sua filha (70250)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3367)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Município de Odivelas — Mosteiro de Odivelas (portal do mosteiro)
  5. Município de Odivelas — Visitas ao Mosteiro de Odivelas (2026)
  6. Município de Odivelas — Instituto de Odivelas
  7. Município de Odivelas — Odivelas inaugura exposição sobre o espólio de D. Dinis
  8. RTP / Lusa — Espólio do túmulo de D. Dinis classificado tesouro nacional (2026)
  9. Wikidata — Mosteiro de Odivelas (Q3487677)

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