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Museu de Arte Popular

Museu de Arte Popular, em Belém: pavilhão da Exposição de 1940, museu aberto em 1948 com murais das regiões do país, hoje ligado ao Museu Nacional de Etnologia.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada lateral do Museu de Arte Popular, em Belém, revestida a azulejo branco, com grandes janelas envidraçadas entre dois relevos de pedra
Hugo Ferreira, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
1938–1940 (pavilhão); adaptado a museu em 1948

O Museu de Arte Popular ocupa um edifício térreo e comprido na margem do Tejo, em Belém, perto do Padrão dos Descobrimentos. Nasceu de um pavilhão da Exposição do Mundo Português de 1940 e abriu como museu em 1948. O que hoje mais justifica a visita é o próprio edifício: as salas conservam pinturas murais que representam as regiões do país. Estas pinturas são um testemunho direto da forma como o Estado Novo quis mostrar a cultura popular.

Um pavilhão de 1940

O edifício resulta da adaptação de alguns dos antigos Pavilhões da Vida Popular, projetados entre 1938 e 1940 pelos arquitetos António Maria Veloso Reis Camelo e João Simões. Faziam parte do conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, organizada sob a coordenação do Secretariado da Propaganda Nacional.

O registo do Património Cultural, I.P. descreve um edifício de construção ligeira, pensado para ser efémero. Tem alvenaria rebocada e pintada sobre estrutura metálica e armações de madeira e estuque, com pormenores em cantaria de calcário e ferro forjado. Os vários corpos retangulares, escalonados e de fachadas simétricas, usam texturas e decorações tiradas da arte popular e da arquitetura vernácula, como a telha, a cerâmica e a madeira. O mesmo registo lê o conjunto como modernista e historicista ao mesmo tempo, próximo do vocabulário da arquitetura do Estado Novo.

Em 1940, o pavilhão recebeu decoração efémera de vários nomes da época. Entre eles estavam os pintores e decoradores Tomás de Mello (Tom), Fred Kradolfer, Carlos Botelho, Bernardo Marques, Emmérico Nunes, José Rocha, Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory, e os escultores Barata Feyo e Henrique Moreira.

De pavilhão a museu (1948)

Depois da exposição, António Ferro, diretor do Secretariado Nacional de Informação, decidiu instalar ali um museu de arte popular. A adaptação foi entregue ao arquiteto Jorge Segurado, que já trabalhara na Exposição. Segundo a Museus e Monumentos de Portugal, o programa foi definido pelo etnógrafo Francisco Martins Lage e pelo artista Tomás de Mello. O museu foi inaugurado em 1948.

Nessa segunda fase trabalhou uma nova equipa. Tomás de Mello dirigiu a campanha pictórica, com Carlos Botelho, Estrela Faria, Paulo Ferreira e Manuel Lapa, e os escultores Barata Feyo, Henrique Moreira e Júlio de Sousa. As salas originais representavam as regiões de Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Estremadura, Alentejo, Ribatejo e Algarve. Algumas paredes envidraçadas deixam ver os pátios e jardins a partir do interior. No exterior mantiveram-se as esculturas de Barata Feyo e Henrique Moreira feitas para o pavilhão de 1940.

O registo nacional faz uma leitura crítica deste conjunto. Considera-o um dos últimos testemunhos da Exposição de 1940 e da ideologia que a inspirou: uma visão de ruralidade idealizada e folclórica. Lembra também que o interesse pelo campo e pelas tradições populares era então comum a outros países europeus.

A coleção e a ligação ao Museu Nacional de Etnologia

O acervo formou-se a partir de várias exposições e foi depois completado por aquisições e doações. Inclui cerâmica, ourivesaria popular, instrumentos musicais, cestaria, têxteis, trajos e bordados, alfaias agrícolas e miniaturas de barcos e de carros de tração animal.

Segundo a Museus e Monumentos de Portugal, a exposição permanente encerrou em 2000 para obras de requalificação do edifício. Em 2006, depois de anunciada a extinção do museu, o espólio foi transferido para o Museu Nacional de Etnologia. A ligação entre as duas instituições só se concretizou plenamente em 2016. Desde então, a atividade do Museu de Arte Popular está circunscrita a exposições temporárias, integradas no programa do Museu Nacional de Etnologia. Não conte, por isso, ver em Belém a antiga exposição permanente: a coleção é gerida a partir do Restelo.

Classificação e proteção

O processo de classificação teve avanços e recuos. Em 2007, um parecer chegou a propor a não classificação, porque o novo uso previsto para o edifício obrigaria a tapar as pinturas murais. O processo foi reaberto em 2009 a pedido de vários subscritores. O Edifício do Museu de Arte Popular acabou classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 263/2012, de 29 de junho de 2012, que fixou também uma zona especial de proteção.

O edifício está ainda dentro da zona especial de proteção do Mosteiro dos Jerónimos. Essa proximidade não o torna parte do Património Mundial: a inscrição da UNESCO abrange o mosteiro e a Torre de Belém, não o museu.

O Museu de Arte Popular consta do anexo II do Decreto-Lei n.º 79/2023, entre os museus geridos pela Museus e Monumentos de Portugal. O edifício, com a designação de pavilhão da Secção da Vida Popular, consta também dos imóveis afetos a essa entidade.

Preparar a visita

O museu fica na Avenida Brasília, 1400-038 Lisboa, junto ao rio. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava este horário:

  • quarta a sexta-feira, das 10h00 às 18h00;
  • sábado e domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00;
  • encerrado a 1 de janeiro, no domingo de Páscoa, a 1 de maio, a 13 de junho e a 25 de dezembro.

A mesma página não indicava o preço do bilhete. Como a abertura depende das exposições temporárias, confirme a programação e as condições na página da Museus e Monumentos de Portugal ou pelo telefone +351 213 011 282.

Fotografia de Hugo Ferreira, de 6 de janeiro de 2021. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Qual a origem do edifício do Museu de Arte Popular?
É a adaptação de pavilhões da Secção da Vida Popular da Exposição do Mundo Português de 1940, projetados por António Reis Camelo e João Simões. O museu foi inaugurado em 1948, com adaptação do arquiteto Jorge Segurado.
A coleção de arte popular ainda está em Belém?
A exposição permanente encerrou em 2000 e, em 2006, o espólio foi transferido para o Museu Nacional de Etnologia. Segundo a Museus e Monumentos de Portugal, desde 2016 a atividade do Museu de Arte Popular está circunscrita a exposições temporárias, ligada ao programa do Museu Nacional de Etnologia.
O edifício está classificado?
Sim. O Edifício do Museu de Arte Popular é Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 263/2012, de 29 de junho de 2012. A classificação valoriza sobretudo as pinturas murais e a arquitetura do conjunto.
O museu faz parte do Património Mundial dos Jerónimos?
Não. O edifício está dentro da zona especial de proteção do Mosteiro dos Jerónimos, mas não integra a propriedade inscrita pela UNESCO, que abrange o mosteiro e a Torre de Belém.

Fontes

  1. Museus e Monumentos de Portugal — Museu de Arte Popular
  2. Património Cultural, I.P. — Edifício do Museu de Arte Popular (70949)
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 323)
  4. Diário da República — Portaria n.º 263/2012, de 29 de junho
  5. Diário da República — Decreto-Lei n.º 79/2023, de 4 de setembro (anexo II)
  6. Ordem dos Advogados — Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. (texto do Decreto-Lei n.º 79/2023)
  7. Wikidata — Museu de Arte Popular (Q10333771)

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