Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Villae romanas classificadas do Ribatejo e Alentejo

Três villae lusitano-romanas classificadas como Monumento Nacional: Vila Cardílio (Torres Novas), Santa Vitória do Ameixial (Estremoz) e Nabância (Tomar).

Perguntas frequentes Fontes
Muros baixos curvos e colunas de tijolo das ruínas romanas de Vila Cardílio, em Torres Novas, com oliveiras ao fundo
Paulo Juntas, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Torres Novas, Santarém

Uma villa lusitano-romana era a casa e a exploração de um proprietário rural, com residência, áreas de produção e, nas melhores, termas e mosaicos. Entre os Monumentos Nacionais do Ribatejo e do Alentejo há três sítios deste tipo cuja informação pública é muito desigual: a vila junto de Torres Novas, bastante conhecida; Santa Vitória do Ameixial, em Estremoz, com escavações recentes; e as «Ruínas ditas de Nabância», em Tomar, de que se sabe pouco. Para a visão geral, leia as villae romanas da Lusitânia; para uma villa com visita regular e basílica paleocristã, Torre de Palma.

Os dados de classificação vêm do Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026. O texto descritivo dos registos nacionais (SIPA) não foi legível nessa data; os pormenores abaixo vêm de museus, de sínteses que citam o inventário e de bibliografia citada.

Vila Cardílio, junto de Torres Novas

O Atlas (NINV 3986) designa-a «Vila lusitano-romana junto de Torres Novas (ruínas)», com a designação alternativa Villa Cardillio, na União de Freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago). Foi classificada pelo Decreto n.º 47 508, de 24 de janeiro de 1967.

As sínteses que remetem para o inventário situam-na a cerca de 3 km da vila, perto de Caveira, numa planície agrícola junto do rio Almonda. Descrevem uma casa com mosaicos, sistema de aquecimento por hipocausto, termas e pátio interior com peristilo. O nome vem de uma inscrição em mosaico que se lê como um augúrio de felicidade a um Cardílio e a uma Avita, presumivelmente os proprietários. Houve uma fase inicial no século I, de que restam o átrio primitivo e as termas, e uma remodelação por volta do século IV. As moedas encontradas, centenas, vão do século II ao século IV, e um estudo numismático de 2017 (Conejo Delgado, Portugalia) reviu-as. O espólio está no Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas.

As escavações estão datadas de forma ligeiramente diferente consoante a fonte: a Wikipédia portuguesa fala de 1962, a inglesa de uma investigação inicial em 1932 e de escavações formais em 1963–1964 sob Afonso do Paço, com revisão, na década de 1980, por Jorge Alarcão e uma equipa de Coimbra. Não conseguimos aceder ao inventário para confirmar. As mesmas sínteses dizem que o sítio está aberto ao público; não encontrámos horários nem condições de acesso oficiais, por isso consulte o município de Torres Novas antes de ir. A vila tem também o Castelo de Torres Novas.

Santa Vitória do Ameixial, em Estremoz

O Atlas (NINV 2690) regista a Villa Lusitano-Romana de Santa Vitória do Ameixial, na freguesia do Ameixial (Santa Vitória e São Bento), classificada pelo Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro de 1974. O mesmo decreto classificou o Castro de São Caetano, em Monção (veja os castros classificados).

O sítio é mais conhecido pelo Mosaico de Ulisses, hoje no Museu Nacional de Arqueologia (inventário 17950). O museu refere um painel com Noto, o vento do sul, entre as divindades dos ventos que dificultaram o regresso de Ulisses a Ítaca. O mosaico foi restaurado no Museu Nacional de Conímbriga e integrou, de 24 de abril a 7 de outubro de 2024, a exposição Energias. Perpétuo Movimento, na antiga Central Tejo, em Lisboa. Em julho de 2023 (de 3 a 28), o museu divulgou uma campanha de escavações nas ruínas, integrada num programa de investigação plurianual e na Carta Arqueológica do Concelho de Estremoz. Um estudo publicado em O Arqueólogo Português refere que a villa foi descoberta no decurso da exploração de uma pedreira na aldeia e que, num amontoado de materiais de construção, foi achado em 1970 um tijolo romano reaproveitado com inscrição árabe.

Uma ficha turística consultada situa os mosaicos nos séculos III–IV e diz que foram escavadas parte das termas e da zona residencial. Não confirmámos a cronologia completa do sítio. Na mesma aldeia há outros bens classificados, como o Padrão do Ameixial e o Terreiro da Batalha, sem relação com a villa. Para o enquadramento, Estremoz.

Ruínas ditas de Nabância, em Tomar

O Atlas (NINV 3981) usa a designação «Ruínas ditas de Nabância» e dá como alternativa Villa romana de Cardais, em Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais. É a mais antiga classificação do grupo: o decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910).

O nome Nabância tem história própria. Segundo um estudo universitário de que só lemos o resumo, os achados de Cardais, a cerca de 2 km de Tomar, na margem esquerda do Nabão, foram interpretados em tempos como os restos de uma cidade romana identificada com a lendária Nabância; essa identificação foi abandonada. A cidade romana de Tomar é Sellium, e Cardais é hoje tratada como villa. Um estudo sobre marcas de oficina em tijolos romanos de Seilivm nota que uma marca de Res Publica Conimbrigensis surgiu nas escavações antigas de Cardais, sem proveniência exata. Não encontrámos descrição das estruturas nem informação de visita. Veja Tomar.

O que comparar

Torres Novas é a única com termas e mosaicos descritos e acesso público indicado; Santa Vitória do Ameixial tem uma peça célebre (o mosaico de Ulisses) e escavação ativa; Nabância é, sobretudo, um nome que mudou de sentido. As três ficam fora do conjunto que a página geral compara em Rabaçal, Pisões, São Cucufate e Torre de Palma. Para o contexto da romanização, arqueologia romana.

Fotografia de Paulo Juntas, de 24 de outubro de 2009. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Que villae são tratadas nesta página?
A Vila lusitano-romana junto de Torres Novas (Vila Cardílio), a Villa Lusitano-Romana de Santa Vitória do Ameixial, em Estremoz, e as Ruínas ditas de Nabância (Villa romana de Cardais), em Tomar. As três são Monumento Nacional.
Quando foram classificadas?
Nabância pelo decreto de 16 de junho de 1910; a vila junto de Torres Novas pelo Decreto n.º 47 508, de 24 de janeiro de 1967; e Santa Vitória do Ameixial pelo Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro de 1974.
O que revela o nome Cardílio?
Uma inscrição em mosaico, na leitura das sínteses consultadas, refere um Cardílio e uma Avita, a quem se desejaria felicidade na casa; é por isso que o nome se associa aos prováveis proprietários.
Nabância foi uma cidade romana?
Não é essa a leitura atual da bibliografia consultada: os achados de Cardais foram interpretados no passado como uma cidade romana identificada com Nabância, identificação depois abandonada, e hoje o sítio é tratado como uma villa.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Imóvel, camada PatrimonioImovel (NINV 3986, 2690, 3981)
  2. Museu Nacional de Arqueologia — Campanha de escavações arqueológicas nas ruínas romanas de Santa Vitória do Ameixial (2023)
  3. Museu Nacional de Arqueologia — Mosaico de Ulisses, restauro e exposição 2024
  4. Wikipédia — Vila Cardílio (ponteiro para o SIPA 3376 e Alarcão, Dicionário de Arqueologia Portuguesa, 2012)
  5. Wikipédia — Roman ruins of Villa Cardillio (ponteiro para Paço, Alarcão e Conejo Delgado, Portugalia, 2017)
  6. Wikidata — Roman ruins of Villa Cardillio (Q10390694), coordenadas
  7. Wikidata — Nabância (Q10335278)
  8. Marcas de oficina em tijolos romanos de Seilivm, Universidade de Coimbra (repositório)

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