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Castelo de Alfaiates

Castelo de Alfaiates, no Sabugal: fortaleza manuelina de dupla muralha, construída de raiz a partir de 1510 junto a uma vila de Riba-Côa. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Castelo de Alfaiates visto do largo empedrado, com alpendres de granito à esquerda, um corpo com portal em arco e cruz no remate e, ao fundo, as torres arruinadas
CorreiaPM, Public domain — Wikimedia Commons
Localização
Alfaiates, Sabugal, Guarda
Construção
Castelo manuelino construído de raiz a partir de 1510 (obras ainda em curso em 1525); muralhas abaluartadas do séc. XVII inacabadas

O Castelo de Alfaiates fica na aldeia de Alfaiates, no concelho do Sabugal, na zona fronteiriça de Riba-Côa. Não é uma fortaleza medieval adaptada. Foi construído de raiz no reinado de D. Manuel I, num local afastado do centro da vila, e pensado desde o início para a guerra de artilharia. O registo nacional do Património Cultural, I.P. considera-o um dos projetos mais importantes da Beira Interior no período manuelino.

Uma vila leonesa em Riba-Côa

O Município do Sabugal lembra que a origem da povoação não é conhecida com segurança. Foram encontrados vestígios proto-históricos, e o nome deve ser de origem árabe, possivelmente de al-haet, «muro» ou «cerca». Alfaiates pertenceu ao reino de Leão até ao final do século XIII. Segundo o município, foi elevada a vila e recebeu foral do rei leonês entre 1209 e 1226.

O registo nacional situa a primeira fortaleza no século XII ou já no XIII, conhecida como «Castillo de la Luna». Ficava no meio da vila, junto à atual Igreja da Misericórdia, a zona mais alta e mais propícia a um castelo. Nada dela chegou aos nossos dias. O registo admite que fosse uma estrutura rudimentar, talvez uma torre dominante com uma cerca incipiente, mais destinada à vigia e ao refúgio da população do que à defesa ativa.

A passagem de Riba-Côa para Portugal, confirmada pelo Tratado de Alcanizes de 1297, terá levado a obras no velho castelo. A tradição local atribui a fundação a D. Dinis, mas o registo nota que também dessa fase nada se conhece. Terá sido uma campanha pontual e modesta, porque dois séculos depois a fortaleza foi inteiramente refeita.

O castelo de D. Manuel I

D. Manuel tentou revitalizar Alfaiates com sucessivos privilégios e com a criação de um couto de homiziados. Ao mesmo tempo, mandou construir um castelo novo. Um diploma de 1510, citado pelo registo a partir de Rita Costa Gomes, diz: «mandemos fazer forteleza na dicta vila de Alfaiates». As obras avançaram devagar. Em 1525, Diogo de Arruda ainda visitava o castelo para vistoriar o andamento dos trabalhos.

A grande novidade foi o lugar. Em vez de reocupar o castelo do centro da vila, o projeto escolheu um local ermo, a algumas dezenas de metros da povoação. A planta é típica do início do século XVI: um quadrilátero com uma torre quadrangular no vértice voltado para a vila. À volta, um muro de aparelho irregular integrava torreões circulares em três ângulos. O resultado é um castelo de dupla muralha, como ainda hoje se vê.

A entrada principal abre-se num corpo saliente da muralha. Por cima dela, uma composição esculpida reúne os emblemas da propaganda régia manuelina: uma coroa real ao centro, ladeada por duas esferas armilares e duas cruzes da Ordem de Cristo.

Restauração, invasões francesas e abandono

No século XVII, segundo o registo, o castelo manuelino era dos mais eficazes da Beira Interior. Decidiu-se então protegê-lo com novas muralhas abaluartadas, com baluartes e cortinas, que defendessem toda a vila. O projeto nunca ficou concluído. O município destaca o papel do capitão Brás Garcia de Mascarenhas na defesa da região durante a Guerra da Restauração e nas obras da praça-forte. O seu busto está no largo em frente à entrada do castelo.

Alfaiates voltou a ter importância militar nas invasões francesas. O município refere que o castelo participou na defesa da zona fronteiriça em 1811, durante os últimos combates da terceira invasão. Depois, a extinção do concelho e o despovoamento ditaram o abandono da fortaleza. As muralhas da vila foram desaparecendo, aproveitadas como pedra de construção ou integradas em paredes de casas. Subsiste o castelo, com as suas duas torres e a dupla cintura de muralhas.

Classificação

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro, publicado no Diário da República, I Série, n.º 47, de 26 de fevereiro de 1982. O decreto inclui-o na lista de monumentos nacionais do distrito da Guarda, concelho do Sabugal. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Na mesma aldeia estão classificados como imóveis de interesse público o Pelourinho de Alfaiates e a Capela da Santa Casa da Misericórdia.

Obras recentes

O Município do Sabugal promoveu uma operação de conservação e reabilitação do castelo, cofinanciada pelo FEDER, com início em outubro de 2020 e conclusão prevista para 30 de setembro de 2023, segundo a ficha do projeto. Além da conservação, o projeto previa um miradouro na torre de menagem e um percurso interpretativo desde a entrada até à torre. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrada informação oficial que confirme o funcionamento atual do miradouro.

Preparar a visita

O castelo fica junto à vila, na Rua de Alfaiates. Em frente à entrada há um largo com os alpendres onde se fazia o mercado. A Rua Direita atravessa a aldeia e passa pelo Solar dos Camejos e pelas traseiras da igreja matriz. Termina na Praça Rainha Santa Isabel, onde ficam a Igreja da Misericórdia, o pelourinho e a antiga Casa da Câmara. Perto, na estrada para Aldeia da Ponte, fica o Santuário de Sacaparte, antigo centro de peregrinação, junto às ruínas de um convento.

Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado horário oficial publicado para o castelo. Para informações, o município indica o posto de turismo do Museu do Sabugal, pelos telefones 271 750 080 e 800 262 788 ou por [email protected]. Confirme as condições na página dos postos de turismo antes de ir.

Alfaiates é uma das cinco vilas medievais que o município promove, com o Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior. Para continuar, visite o Castelo do Sabugal e o Castelo de Sortelha, consulte o roteiro do Centro de Portugal ou compare Alfaiates com outros castelos de Portugal.

Fotografia de CorreiaPM, de 21 de maio de 2011. Original no Wikimedia Commons, em domínio público; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem mandou construir o Castelo de Alfaiates?
O castelo atual é obra de D. Manuel I. Um diploma de 1510 citado pelo registo nacional manda «fazer forteleza» na vila, e em 1525 Diogo de Arruda ainda visitava a obra para vistoriar os trabalhos. O castelo leonês anterior, no centro da vila, não deixou vestígios.
Porque fica o castelo fora do centro da vila?
Em vez de reaproveitar o velho castelo junto à atual Igreja da Misericórdia, o projeto manuelino escolheu um local ermo a algumas dezenas de metros da povoação, onde se construiu de raiz uma fortaleza pensada para a guerra de artilharia.
O castelo está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28/82, publicado no Diário da República, I Série, n.º 47, de 26 de fevereiro de 1982.
Alfaiates faz parte das Aldeias Históricas de Portugal?
Não. O Município do Sabugal apresenta Alfaiates como uma das suas cinco vilas medievais, com Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior. Dessas, só Sortelha pertence à rede das Aldeias Históricas.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Alfaiates (71168)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Alfaiates (NINV 2998)
  3. Diário da República — Decreto n.º 28/82 (I Série, n.º 47, 26-02-1982)
  4. Município do Sabugal — Alfaiates (5 vilas medievais)
  5. Município do Sabugal — Ficha de projeto: Conservação e reabilitação do Castelo de Alfaiates
  6. Município do Sabugal — Postos de Turismo
  7. Wikidata — Castelo de Alfaiates (Q5049739)
  8. Aldeias Históricas de Portugal — Página inicial (lista das 12 aldeias)

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