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Monumentos
Castelo de Castro Laboreiro
Castelo de Castro Laboreiro, em Melgaço: fortaleza roqueira a cerca de mil metros de altitude, conquistada em 1141 e refeita por D. Dinis. Monumento Nacional.
- Localização
- Castro Laboreiro, Melgaço, Viana do Castelo
- Construção
- Origens desconhecidas; conquistado por D. Afonso Henriques em 1141; reforma no reinado de D. Dinis; consolidação em 1979–1980
O Castelo de Castro Laboreiro ocupa o topo de um maciço de granito isolado, por cima da vila de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço. Fica numa linha interior da fronteira entre o Alto Minho e a zona de influência de Ourense, na Galiza. O registo nacional do Património Cultural, I.P. coloca-o “a praticamente 1000 metros de altitude”; o site de turismo da Câmara Municipal de Melgaço indica 1033 metros. Está classificado como Monumento Nacional com o nome Castelo de Castro Laboreiro ou Laboredo. O registo sublinha que a sua fama vem mais da localização, aberta aos planaltos galegos, do que de um papel de primeiro plano na história militar portuguesa.
Origens desconhecidas
As origens do castelo não são conhecidas. O registo nacional reúne o que a maioria dos autores admite: a fortaleza teve funções importantes desde a primeira fase da reconquista. É nesse contexto que se explica a ligação da família condal de D. Hermenegildo ao castelo, na primeira metade do século X, no repovoamento promovido por Afonso III das Astúrias. As escavações feitas na década de 1970 revelaram materiais da Alta Idade Média, ainda à espera de estudo conclusivo.
O site de turismo municipal apresenta outra versão. Faz remontar a história do local à Idade do Ferro e diz que o castelo, destruído por um violento temporal, foi reconstruído por D. Dinis. O registo nacional não menciona nem uma coisa nem outra.
De D. Afonso Henriques a D. Dinis
No século XII, quando Portugal se afirmava como reino, Castro Laboreiro mereceu atenção constante de D. Afonso Henriques, que conquistou o castelo em 1141. Não se sabe que obras se fizeram então. O registo admite um pátio com torre de menagem isolada, à maneira românica, mas as transformações posteriores apagaram essa primeira estrutura.
Cerca de 150 anos depois, já com a fortaleza parcialmente arruinada, o reinado de D. Dinis trouxe a reforma que lhe deu o aspeto geral que ainda mantém. D. Dinis é mais conhecido no Alto Minho pelas póvoas ribeirinhas que criou ao longo do rio, mas esta campanha mostra que a coroa também cuidava da raia seca. O projeto tinha dois recintos muralhados:
- no topo, o núcleo principal, com torre de menagem e cisterna. Era o centro militar e corresponderia ao reduto mais antigo;
- a sul, um segundo recinto, maior e acessível por uma só porta, servia para “recolher gados e bens em épocas de invasão”. O registo considera que esta característica parece ser única no país. Para o registo, prova como a criação de gado foi essencial na vida das comunidades serranas medievais de Castro Laboreiro.
No início do século XVI, Duarte de Armas desenhou um castelo altaneiro, isolado do povoado, que ficava bem mais abaixo. O núcleo militar tinha cinco torres quadrangulares, incluindo a de menagem, e duas portas: a Porta do Sol, que dava para o recinto maior, e outra que ligava os dois redutos.
Época moderna e restauro
O castelo foi parcialmente alterado na Idade Moderna, mas não voltou a ter uma reforma comparável à de D. Dinis. Na guerra de armas de fogo, valia sobretudo pela posição estratégica numa zona de acesso difícil.
Também ficou à margem das grandes campanhas de restauro do Estado Novo, que procuravam devolver aos castelos uma suposta forma medieval original. Os trabalhos indispensáveis só chegaram em 1979–1980. Limitaram-se a consolidar e reforçar as estruturas, sem alterações de relevo, segundo o registo nacional.
O que se vê hoje
Segundo o site de turismo municipal, da fortificação, quase em ruínas, restam troços das muralhas, a torre de menagem e uma velha cisterna. Segundo o município, do alto tem-se uma das mais belas vistas de Melgaço. A rede municipal de trilhos descreve o castelo como um castelo roqueiro sobre um maciço de granito isolado, rodeado de escarpas. Avista-se também do miradouro natural do percurso PR IV, Interpretativo de Castro Laboreiro.
Castro Laboreiro e o Peneda-Gerês
O plano de cogestão do Parque Nacional da Peneda-Gerês, disponível no site da Câmara Municipal de Melgaço, inclui a União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro entre as freguesias do parque. O site de turismo municipal diz que o parque foi criado em 1971, que se estende do planalto da Mourela ao de Castro Laboreiro, e põe o castelo na lista de locais a visitar no Peneda-Gerês. Segundo a mesma fonte, a Porta de Lamas de Mouro é o centro de receção e informação do parque em Melgaço. O parque integra a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurês.
À volta da vila há outros bens classificados, segundo o Atlas do Património Classificado. São Imóveis de Interesse Público a Igreja de Santa Maria da Visitação e o Pelourinho de Castro Laboreiro. O Conjunto Megalítico e de Arte Rupestre do Planalto de Castro Laboreiro é Sítio de Interesse Público.
Classificação e proteção
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 33 587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944. O decreto inscreve-o como “Castelo de Castro Laboreiro ou Laboredo”, no concelho de Melgaço. O registo nacional inscreve-o na tipologia de povoado fortificado (categoria Arqueologia). O Atlas do Património Classificado não indica zona especial de proteção própria. O castelo não está na Lista do Património Mundial da UNESCO. A Reserva da Biosfera Gerês-Xurês, que inclui o território do parque, é uma designação diferente da UNESCO.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site de turismo da Câmara Municipal de Melgaço indicava:
- acesso: estacionamento junto ao Miradouro do Castelo, seguido de um trilho algo acidentado de cerca de 20 minutos até ao alto;
- horário: todos os dias;
- preço: entrada livre.
Como o trilho é acidentado, convém levar calçado adequado. A visita pode juntar-se à do Castelo de Melgaço, no vale do Minho. Para outras fortificações da raia, consulte os castelos de Portugal e a região Norte.
Fotografia de Joseolgon, de 14 de agosto de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem construiu o Castelo de Castro Laboreiro?
- As origens são desconhecidas. Segundo o registo do Património Cultural, I.P., D. Afonso Henriques conquistou o castelo em 1141, e a reforma do reinado de D. Dinis deu-lhe o aspeto geral que ainda mantém, com dois recintos muralhados.
- Como se chega às ruínas?
- Segundo o site de turismo da Câmara Municipal de Melgaço, consultado a 5 de novembro de 2026, estaciona-se junto ao Miradouro do Castelo e segue-se um trilho algo acidentado de cerca de 20 minutos até ao alto. A entrada é livre e o local está aberto todos os dias.
- O castelo fica no Parque Nacional da Peneda-Gerês?
- A freguesia de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro consta entre as freguesias do Parque Nacional da Peneda-Gerês no plano de cogestão do parque, e o site de turismo municipal inclui o castelo entre os locais a visitar no Peneda-Gerês. Não encontrámos, contudo, uma fonte oficial que indique o limite do parque no local exato do castelo.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 33 587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944, com a designação Castelo de Castro Laboreiro ou Laboredo.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Castro Laboreiro ou Laboredo (69848)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Castro Laboreiro ou Laboredo (NINV 4115)
- Diário do Governo — Decreto n.º 33 587, de 27 de março de 1944
- Câmara Municipal de Melgaço (Discover Melgaço) — Castelo de Castro Laboreiro
- Câmara Municipal de Melgaço (Discover Melgaço) — Peneda-Gerês
- Câmara Municipal de Melgaço — Rede municipal de trilhos
- Câmara Municipal de Melgaço — Plano de Cogestão do Parque Nacional da Peneda-Gerês, III. Atores-chave
- Wikidata — Castelo de Castro Laboreiro (Q5050787)
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