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Castelo de Vinhais

Castelo de Vinhais: cerca gótica de uma vila nova raiana, fundada sob D. Afonso III e ativa com D. Dinis, com portas e torres restauradas; Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Pano de muralha ameada do Castelo de Vinhais com arcos na base e uma torre em ruína, sobre um talude de erva e casas da vila ao fundo
Pedro from Maia (Porto), Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Vinhais, Bragança
Construção
2.ª metade do séc. XIII – séc. XIV; torreões e barbacã do séc. XVI

O Castelo de Vinhais não é uma fortaleza isolada num monte, mas a cerca de uma vila. As muralhas fecham um núcleo urbano onde ainda se encontram o pelourinho, os antigos Paços do Concelho e a igreja paroquial. Vinhais fica no distrito de Bragança, perto da fronteira. O castelo nasceu de uma política régia de criação de vilas novas e passou por cercos, traições de alcaides e uma tentativa de demolição no século XX. O que se vê hoje, sobretudo portas, torres e panos de muralha, é em boa parte fruto dos restauros iniciados nessa altura.

Uma vila nova da Coroa

O registo nacional do Património Cultural, I.P. explica o castelo como produto das tentativas de organizar o território transmontano em vilas novas, diretamente sob controlo do rei. A primeira tentativa ocorreu no reinado de D. Sancho II. Só sob D. Afonso III a vila se constituiu de facto, depois de uma primeira carta de foral passada em 1253. A nova vila foi implantada num cabeço fronteiro a Crespos, onde já havia um núcleo de povoamento em torno da igreja de São Facundo.

A construção da vila, com o castelo e a igreja matriz, terá sido demorada. A igreja paroquial ainda não aparece no catálogo de 1320–1321. Rita Costa Gomes admite que as muralhas estariam concluídas no século XIII e que foram reformadas no século seguinte. O registo não confirma esta hipótese, mas não a exclui.

A cerca gótica de D. Dinis

O registo considera certo que, no reinado de D. Dinis, o sistema militar de Vinhais estava em funcionamento. Dessa época data uma cerca com cinco ou seis torres. A porta principal era flanqueada por duas delas, numa composição simétrica típica das vilas dionisinas. Não havia alcáçova: a torre de menagem estava integrada na própria cerca, segundo a tipologia dos castelos góticos. A planta oval, ainda que ligeiramente irregular, confirma esse tempo de construção. Para o contexto, veja a arquitetura gótica em Portugal e as vilas fortificadas do país.

A página do Município de Vinhais resume a questão de outra forma. Diz que não se sabe quando o castelo foi mandado edificar nem por que monarca. Acrescenta que alguns autores o atribuem a D. Dinis, por haver referências a obras e à construção de torres em Vinhais durante o seu reinado.

Um castelo de fronteira disputado

A proximidade de Castela, com fáceis vias de acesso, marcou a história do castelo no século XIV. Durante as guerras do reinado de D. Fernando, Vinhais esteve ocupada por tropas castelhanas entre 1369 e 1371. Cerca de doze anos depois, durante a crise que se seguiu à morte do rei, o alcaide tomou o partido castelhano. A situação repetiu-se em 1397, quando o alcaide João Afonso Pimentel se revoltou contra D. João I. Vinhais só voltou à posse portuguesa em 1403.

No final da Idade Média houve várias reformas, incluindo obras no reinado de D. Afonso V, quando a alcaidaria estava ligada aos condes de Atouguia. O desenho de Duarte de Armas, no início do século XVI, é a representação mais antiga do conjunto. As notas que o acompanham já referem a face interna da torre de menagem destruída e duas outras torres com as fundações desgastadas.

Degradação e restauro

Na época moderna construíram-se uma barbacã e vários torreões complementares, estes do século XVI. Mesmo assim, as casas particulares foram-se encostando às muralhas. Em 1527, as muralhas já estavam parcialmente derrubadas, e as tentativas de recuperação dos dois séculos seguintes falharam. O Município conta que, em 1666, durante as guerras da Restauração, o general espanhol D. Baltasar Pantoja atacou a vila e foi repelido. O episódio é narrado num manuscrito citado por Francisco Manuel Alves.

No início da década de 1960, segundo o registo nacional, a Câmara tentou destruir o que restava da fortaleza. A população opôs-se. Seguiram-se obras de restauro da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que consolidaram três portas, duas torres e alguns panos de muralha, em parte reconstruídos.

Classificação

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 36 383, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 147, de 28 de junho de 1947. O registo nacional documenta uma clarificação recente. Em 2018, a Câmara pediu esclarecimentos sobre a delimitação do bem classificado. A Direção Regional de Cultura do Norte propôs que a classificação de 1947 se limitasse às estruturas defensivas sobreviventes, identificadas pelo arqueólogo Armando Redentor num estudo publicado em 2008. A diretora-geral da DGPC concordou por despacho de 10 de agosto de 2018. O castelo não integra nenhum bem do Património Mundial.

Preparar a visita

O antigo recinto é hoje um espaço urbano. A página municipal descreve o interior organizado em torno de um largo com o pelourinho, os Paços Medievais Concelhios e a igreja paroquial de Nossa Senhora da Assunção. Os pelourinhos são outro capítulo do património transmontano. O Posto de Turismo fica na Praça do Município. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Município indicava abertura de segunda a sexta, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 12h00. Confirme horários e informação na página do Posto de Turismo.

A cidade de Bragança, com o seu castelo e cidadela, completa a visita a esta raia. Para outras fortalezas, consulte os castelos de Portugal e o guia do Norte.

Fotografia de Pedro from Maia (Porto), Portugal, de 12 de junho de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Castelo de Vinhais?
A vila nova de Vinhais foi instituída no reinado de D. Afonso III, que lhe deu foral em 1253. Segundo o registo nacional, o sistema defensivo estava em funcionamento no reinado de D. Dinis, de que data uma cerca com cinco ou seis torres. O Município indica que a data e o monarca da fundação não são conhecidos com segurança.
O que resta do castelo?
As obras de restauro iniciadas nos anos 60 do século XX consolidaram três portas, duas das torres remanescentes e alguns panos de muralha, em parte reconstruídos. O interior do antigo recinto é hoje um bairro da vila, com o pelourinho, os Paços do Concelho medievais e a igreja paroquial.
O castelo está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 36 383, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 147, de 28 de junho de 1947. Em 2018, a DGPC concordou com uma proposta para limitar essa classificação às estruturas defensivas sobreviventes.
Onde obter informação para a visita?
No Posto de Turismo de Vinhais, na Praça do Município. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Município indicava abertura de segunda a sexta, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 12h00.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Vinhais (70570)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Vinhais (NINV 2453)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 36 383, de 28 de junho de 1947
  4. Município de Vinhais — Muralha Medieval – Castelo de Vinhais
  5. Município de Vinhais — Posto de Turismo
  6. Wikidata — Castelo de Vinhais (Q5049847)

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