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Arqueologia

Cromeleque do Xerez

Cromeleque do Xerez, em Monsaraz: recinto neolítico com 55 menires e um menir central de 3,6 m, trasladado por causa de Alqueva para junto do Convento da Orada.

Perguntas frequentes Fontes
Menires de granito arredondados dispostos em recinto sobre terra batida, com o alto menir central ao fundo, no Cromeleque do Xerez
Raquel Nunes Rodrigues, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Telheiro, Monsaraz, Évora
Construção
Neolítico (remodelações no Neolítico final)

O Cromeleque do Xerez é um recinto megalítico neolítico que já não está no sítio onde foi erguido. Construído junto ao Guadiana, a cerca de 5 km a sul de Monsaraz, foi desmontado e reinstalado perto do Convento da Orada, na aldeia do Telheiro, porque a albufeira de Alqueva ia cobrir o seu vale. Visitá-lo hoje é ver um monumento pré-histórico e também um caso de arqueologia de salvamento. O grande menir central e os cerca de cinquenta monólitos que o rodeiam ficam num terreiro aberto, com Monsaraz no horizonte.

O local original

O registo nacional descreve o local de origem: o cromeleque estava em frente ao monte do Xerez, no centro de um pequeno vale limitado por duas linhas de água. Ficava muito perto do rio Guadiana e a cerca de 300 metros da anta do Xerez de Baixo. Fazia parte de uma paisagem megalítica mais ampla, que se pode explorar no complexo megalítico de Monsaraz.

Descoberta e uma reconstituição discutida

O cromeleque foi identificado em 1969 por José Pires Gonçalves, médico e entusiasta da arqueologia, depois de uma despedrega, isto é, a limpeza das pedras dos campos para a agricultura. Com exceção do menir central, os monólitos foram encontrados tombados e deslocados. Pires Gonçalves escavou o sítio e reconstruiu-o em 1972, com a forma de um quadrilátero com menir central.

O registo nacional alerta que essa intervenção não seguiu critérios propriamente científicos. O autor partiu do pressuposto de que as covinhas gravadas num dos menires representavam a disposição original do conjunto. A planta subquadrangular ou retangular que hoje se vê é, portanto, uma interpretação, e não uma disposição comprovada. É por isso que o Xerez se lê de outra forma do que o Cromeleque dos Almendres, de recintos circulares e ovais.

Menires e decoração

O município de Reguengos de Monsaraz descreve 55 monólitos a formar os lados do recinto e um grande menir central com 3,6 metros de altura. Segundo o registo nacional, os menires são de granitos locais de vários tipos. Têm formas muito diferentes (ovoides, cilíndricas, cónicas, poliédricas) e comprimentos entre 0,37 e 2,10 metros, sendo a maioria inferior a 1,20 metros. Muitos estão bastante fraturados. Sete menires, incluindo o central, têm decoração: covinhas, báculos e formas geométricas circulares, semelhantes às de outros recintos da região.

Cronologia

As escavações de 1998 recolheram materiais muito fragmentados: utensílios em sílex, xisto, quartzo e quartzito (trapézios, furadores, lamelas e lascas), percutores, mós manuais e fragmentos de taças decoradas com impressões. A partir da arquitetura, das decorações e destes materiais, o registo nacional propõe uma hipótese de cronologia. As primeiras fases de construção pertenceriam ao Neolítico antigo e médio. O grande menir central teria sido colocado numa remodelação do Neolítico final, e o sítio teria sido reutilizado durante o Calcolítico. Para o contexto geral, veja megalitismo.

Alqueva e a trasladação

A barragem de Alqueva obrigou a um vasto programa de minimização de impactes patrimoniais no vale do Guadiana. Em 1998, nesse âmbito, Mário Varela Gomes escavou a área do cromeleque. O município acrescenta que o sítio foi também sujeito a prospeção geofísica antes de ser trasladado para a localização atual, junto ao Convento da Orada. O Convento da Orada é ele próprio um imóvel protegido, registado no Atlas como monumento de interesse municipal. As coordenadas desta página correspondem ao local atual do monumento, segundo o Atlas do Património Cultural, I.P. e o Wikidata, e não ao local original, que ficou na área afetada pela albufeira.

Os materiais e a sequência do Xerez provêm, portanto, da escavação no sítio de origem. A disposição que hoje se vê resulta de duas reconstituições sucessivas: a de 1972 e a da reinstalação.

Proteção

O Conjunto megalítico da Herdade do Xerez é Imóvel de Interesse Público pelo Decreto do Governo n.º 1/86, de 3 de janeiro de 1986. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Atlas do Património Cultural, I.P. incluía também o «Cromeleque do Xarez / Xerez» no conjunto Megalitismo Alentejano, em vias de classificação de âmbito nacional. Esse procedimento foi anunciado pelo Anúncio n.º 17/2023, e o prazo foi prorrogado por mais um ano pelo Anúncio n.º 61/2024. O cromeleque não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

O cromeleque está ao ar livre, perto do Convento da Orada, no Telheiro, a curta distância de Monsaraz e do seu castelo. Na consulta de 5 de novembro de 2026, nem o município nem o Património Cultural, I.P. publicavam horários ou condições de entrada para o local. Confirme o acesso junto do Município de Reguengos de Monsaraz, pelo telefone +351 266 508 040, ou na página municipal do cromeleque. Respeite o recinto: muitos menires estão fraturados.

Fotografia de Raquel Nunes Rodrigues, de 30 de julho de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Onde está hoje o Cromeleque do Xerez?
Junto ao Convento da Orada, na aldeia do Telheiro, freguesia de Monsaraz. Não é o local original: o monumento estava cerca de 5 km a sul de Monsaraz, perto do Guadiana, numa área afetada pela albufeira de Alqueva.
Porque foi mudado de sítio?
A subida das águas da barragem de Alqueva ia inundar o vale onde estava. Em 1998, no âmbito da minimização de impactes patrimoniais da barragem, Mário Varela Gomes escavou a área, e o conjunto foi depois trasladado para a localização atual.
Quantos menires tem?
O município de Reguengos de Monsaraz descreve 55 monólitos de granito em planta de tendência quadrangular e um grande menir central com 3,6 metros de altura. Sete menires, incluindo o central, têm decoração.
Está classificado?
Sim. O Conjunto megalítico da Herdade do Xerez é Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 1/86, de 3 de janeiro. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Atlas do Património Cultural, I.P. incluía-o também no procedimento, ainda em curso, de classificação do Megalitismo Alentejano.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Conjunto megalítico da Herdade do Xerez (69688)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2796 e 75562)
  3. Diário da República — Decreto do Governo n.º 1/86, de 3 de janeiro
  4. Diário da República — Anúncio n.º 61/2024 (Megalitismo Alentejano)
  5. Município de Reguengos de Monsaraz — Cromeleque do Xerez
  6. Município de Reguengos de Monsaraz — Megalitismo
  7. Wikidata — Conjunto megalítico da Herdade do Xerez (Q1140864)

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