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Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco

Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco: jardim barroco do bispo D. João de Mendonça, escadarias dos reis e apóstolos, estatuária, classificação e visita.

Perguntas frequentes Fontes
Canteiros de buxo recortado, lagos com repuxos e estátuas de granito no Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco, com o antigo paço ao fundo
Bennekikkek, CC BY 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Castelo Branco, Castelo Branco
Construção
c. 1715–1726; obras após 1782

O Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco é um jardim barroco em socalcos, povoado de estátuas de granito, lagos e sebes de buxo, construído nas traseiras da antiga residência dos bispos. O Município também lhe chama Jardim de São João Baptista, por ser dedicado a esse santo. Mais do que um jardim de passeio, é um programa simbólico em pedra: reis, apóstolos, virtudes, estações e signos do zodíaco organizados em percursos que o visitante pode ler.

Um jardim de bispos

O Paço foi fundado no final do século XVI por D. Nuno de Noronha, bispo da Guarda. Segundo o registo nacional, a inscrição do portal de entrada do pátio fronteiro indica maio de 1596 como início da obra, concluída dois anos depois. Castelo Branco pertencia então à diocese da Guarda, e o Paço serviu de residência a vários dos seus bispos. A diocese de Castelo Branco só foi criada em 1771; os seus bispos usaram o Paço até 1831, segundo o Município.

O jardim deve-se a D. João de Mendonça, bispo da Guarda. O Decreto n.º 15/2018 situa a sua construção no primeiro quartel do século XVIII, a par da remodelação do Paço, e descreve-o como um jardim «de gosto italiano erudito», organizado em patamares com estatuária moralizante, topiária, escadarias, lagos e repuxos.

As fontes divergem quanto ao autor do desenho. O registo nacional (Património Cultural, 2016) data a reedificação do Paço e a execução dos jardins de 1715 a 1725 e atribui o desenho a Valentim da Costa Castelo Branco. O texto municipal diz que o bispo mandou construir o jardim cerca de 1720, depois de três anos em Roma, e que o risco original e o seu autor são desconhecidos, admitindo a hipótese de um arquiteto italiano. O mesmo texto refere datas inscritas no próprio jardim: 1725 nas peanhas de São João Baptista e de Maria Madalena, e 1726 nas Tábuas da Lei de Moisés. Também em 1726 foi lançado o passadiço sobre a antiga Rua da Corredoura, que ligava o jardim às hortas do bispo sem passar pela via pública.

Depois de 1782, o bispo D. Frei Vicente Ferrer da Rocha fez novas obras no Paço, nos jardins e no bosque, com a colaboração do arquiteto dominicano Daniel da Sagrada Família, segundo o registo nacional. Nesta época intensificou-se a aquisição das peças ornamentais que hoje povoam o Paço e os jardins.

De logradouro episcopal a jardim municipal

No século XVIII, o jardim era apenas uma parte dos logradouros do Paço, que incluíam olivais, vinha, bosque e hortas ajardinadas. Depois de 1834, com a instalação de serviços públicos no Paço, esses espaços foram abandonados. Segundo o Município, em 1911, em consequência da Lei da Separação, o jardim passou para a Câmara por arrendamento. Abriu ao público a 5 de outubro de 1912 e foi comprado em 1919, tornando-se jardim municipal. A entrada atual, pela Rua Bartolomeu da Costa, foi projetada em 1936 pelo engenheiro Manuel Tavares dos Santos.

O Paço alberga hoje o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, ligado à salvaguarda do bordado de Castelo Branco. Sobre a relação entre residências episcopais e jardins, veja seminários e paços episcopais.

Como ler o jardim

O Município divide o jardim em quatro áreas articuladas: a entrada, o patamar do buxo, o jardim alagado e o plano superior.

Na entrada, painéis de azulejo azul e branco mostram vistas antigas da cidade e retratos dos dois bispos que mais marcaram o jardim. O Jardim do Buxo, de planta retangular, divide-se em 24 talhões com sebes de buxo e tem cinco lagos com repuxos, que o texto municipal associa às cinco chagas de Cristo. As estátuas formam ciclos completos ou quase completos: o zodíaco, as quatro partes do mundo, as quatro estações, as virtudes teologais e cardeais e os Novíssimos do Homem (morte, juízo, inferno e paraíso). Dos quatro elementos só existem dois. São João Baptista vigia o conjunto do plano superior.

Entre o patamar do buxo e o jardim alagado, com canteiros trapezoidais que parecem emergir da água, fica o Lago das Coroas. Aí estão os reis da quarta dinastia até D. José I. A nascente, uma escadaria monumental apresenta os reis da 1.ª e da 2.ª dinastias e o conde D. Henrique. No patamar inferior, em menor escala, estão os Filipes e o cardeal D. Henrique. O Município assinala também jogos de água à italiana, que molham os visitantes desprevenidos. A poente, outra escadaria apresenta os apóstolos, identificáveis pelos símbolos do martírio, com os quatro evangelistas e os seus símbolos no patamar.

No plano superior, Moisés encima a cascata que alimenta o grande tanque de rega. Junto do Paço, uma escadaria de 33 degraus exibe nos balaústres os bustos dos quatro Doutores da Igreja ocidental.

Classificação

O jardim não tem classificação autónoma. Integra o Monumento Nacional designado Paço Episcopal de Castelo Branco, incluindo o Jardim Episcopal e o passadiço. O Paço foi classificado pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Decreto n.º 15/2018, de 18 de maio (Diário da República, 1.ª série, n.º 96), ampliou a área classificada ao jardim e ao passadiço e deu ao monumento a designação atual. O decreto justifica a ampliação com as relações históricas, simbólicas e urbanísticas entre o Paço e o jardim e com o valor do jardim como exemplar do barroco do interior do país. Um procedimento anterior, que incluía também a horta e o Bosque dos Loureiros (atual Parque da Cidade), foi arquivado em 2013.

Preparar a visita

A entrada faz-se pelo Centro de Interpretação do Jardim do Paço, na Rua Bartolomeu da Costa, onde se compra o bilhete. Na consulta de 5 de novembro de 2026, as páginas municipais indicavam abertura das 9h00 às 19h00 de abril a setembro. Para outubro a março, uma página indicava 9h00–18h00 e outra 9h00–17h00; confirme antes de ir. Os preços publicados eram 3 € (geral) e 2 € (maiores de 65 anos e grupos de mais de 12 pessoas), com entrada gratuita para crianças até 10 anos, investigadores, jornalistas, profissionais de turismo e visitas de estudo. A página do Centro de Interpretação indicava entrada gratuita nas manhãs, até às 13h00, do primeiro domingo de cada mês. Confirme na página municipal do jardim ou pelo telefone geral da Câmara, 272 330 330.

Para comparar com outros jardins barrocos e de recreio, continue em jardins históricos e na arquitetura barroca em Portugal.

Fotografia de Bennekikkek, de 18 de agosto de 2008. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem mandou fazer o Jardim do Paço Episcopal?
D. João de Mendonça, bispo da Guarda, no primeiro quartel do século XVIII. O Paço de Castelo Branco era então residência dos bispos da Guarda; a diocese de Castelo Branco só foi criada em 1771.
O jardim está classificado?
Sim, como parte do Monumento Nacional «Paço Episcopal de Castelo Branco, incluindo o Jardim Episcopal e o passadiço». O paço foi classificado pelo Decreto de 16 de junho de 1910; o Decreto n.º 15/2018, de 18 de maio, ampliou a classificação ao jardim e ao passadiço.
Que estátuas se veem nas escadarias?
Segundo o Município, numa escadaria estão os reis da 1.ª e 2.ª dinastias e o conde D. Henrique, com os reis Filipes e o cardeal D. Henrique, em menor escala, no patamar inferior; noutra, os apóstolos, com os quatro evangelistas ao fundo. Os reis da 4.ª dinastia até D. José I ladeiam o Lago das Coroas.
Quanto custa a entrada?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Município indicava 3 euros (geral) e 2 euros para maiores de 65 anos e grupos de mais de 12 pessoas, com gratuitidade para crianças até 10 anos e outras categorias. Confirme na página municipal antes da visita.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Paço Episcopal de Castelo Branco, incluindo o Jardim Episcopal e o passadiço (70390)
  2. Diário da República — Decreto n.º 15/2018, de 18 de maio
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação
  4. Município de Castelo Branco — Passeio é no Jardim do Paço
  5. Município de Castelo Branco — Centro de Interpretação do Jardim do Paço
  6. Wikidata — Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco (Q1862815)

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