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Monumentos
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra: criação na reforma pombalina de 1772, terraços, estufa de ferro de 1865, Mata, classificação, UNESCO e visita.
- Localização
- Coimbra, Coimbra
- Construção
- 1772–1774 (criação e início das obras); estufa concluída em 1865
O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra ocupa um pequeno vale entre a Alta universitária e o Mondego, com cerca de 13 hectares de terraços, alamedas, estufas e mata. Nasceu como instrumento de ensino na reforma pombalina da Universidade e continua a ser um jardim científico, com coleções vivas organizadas para estudo. Para o visitante, é também uma das maneiras mais calmas de percorrer a Universidade de Coimbra – Alta e Sofia.
Um jardim para ensinar botânica
A reforma da Universidade de 1772, conduzida pelo Marquês de Pombal, introduziu ou reorganizou o estudo das ciências naturais e criou os espaços necessários para esse ensino. A Universidade de Coimbra identifica o Jardim Botânico como uma dessas obras, ao lado do Laboratório Chimico, do Gabinete de Física e da Galeria de História Natural.
Segundo o registo nacional, participaram na criação do jardim os naturalistas italianos Domingos Vandelli e João Dalla Bella e o engenheiro Guilherme Elsden. As obras começaram em 1774, sob a direção de Vandelli, em terras adquiridas aos frades Marianos e Beneditinos; Júlio Mattiazi traçou planos e conduziu as primeiras plantações. Na origem, o programa era modesto: um terrapleno quadrado limitado às «hervas medicinaes» indispensáveis aos exercícios botânicos. O ensino da agricultura, previsto em programas posteriores, justificou os acrescentos seguintes.
Félix de Avelar Brotero, diretor de 1791 a 1811, sistematizou a coleção, adquiriu terrenos e promoveu obras. O registo nacional cita um mapa de 1795, de Manuel Macomboa, que dá por concluídos os canteiros lineares da escola botânica organizada pelo sistema de Lineu. Diplomas de 1836, 1840 e 1848 juntaram ao jardim a cerca do Mosteiro de São Bento e parte da cerca dos Carmelitas Descalços, destinadas à cultura de árvores e arbustos.
A estufa e os diretores do século XIX
Com Henrique do Couto d’Almeida, a partir de 1854, construíram-se grandes reservatórios para a rega e a «magnífica estufa de ferro e de crystal» de José Pezerat, concluída em 1865. A partir de 1866, a estufa passou a ser dirigida por Edmond Goëze. A Universidade apresenta esta Estufa Tropical, também conhecida como Estufa Grande, como um dos edifícios mais antigos da arquitetura do ferro em Portugal. O projeto de requalificação venceu em 2017 o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, na categoria de melhor intervenção com impacto social. No interior, as plantas distribuem-se por secções de clima tropical, subtropical e temperado.
O primeiro Index Seminum, o catálogo de sementes para troca com outras instituições, data de 1868, segundo o registo nacional. Júlio Henriques, diretor a partir de 1873 e fundador da Sociedade Broteriana, intensificou a permuta de plantas e reorganizou a coleção. Luís Carrisso, diretor desde 1918, criou novas escolas sistemáticas, entre elas a das Monocotiledóneas, e enriqueceu a coleção com plantas das então colónias portuguesas. Em 1925 foi criado o Instituto Botânico Dr. Júlio Henriques, que abrange o jardim.
O desenho atual do quadrado central é do século XX. Durante a direção de Abílio Fernandes (1942–1974), seguiu-se uma proposta de 1945 de Cottinelli Telmo e Armand Bellinghen: retiraram-se os lancis que guiavam a coleção, desenharam-se canteiros concêntricos, introduziu-se a topiária de buxo e instalou-se a grande fonte no lago central.
O que ver
A Universidade descreve duas partes distintas. O Jardim Clássico, na zona mais alta, organiza-se em terraços e alamedas com muros de cantaria, portões de ferro forjado, lagos e um fontanário. Aí ficam o Quadrado Central, o Terraço Superior, as Escolas de Sistemática e a Escola Médica, a Alameda das Tílias e a Estufa Tropical. O registo nacional descreve cinco terraços retangulares à volta do primitivo horto botânico, ligados por três escadarias duplas com portões. Destaca também exemplares antigos, como as Erythrina crista-galli e as Cryptomeria japonica plantadas nos primeiros tempos do jardim.
A Mata, um arboreto que ocupa cerca de dois terços da área, desce de forma mais naturalizada pelo vale. Inclui o bambuzal, a estufa fria, coleções de monocotiledóneas e de eucaliptos, um pomar, as capelas de São Bento e de Santo Ilídio e vestígios da cerca muralhada da cidade.
Classificação e Património Mundial
O registo nacional classifica o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, incluindo a respectiva cerca como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 2/96, de 6 de março (Diário da República, I série-B, n.º 56). O decreto situa-o na Avenida de Júlio Henriques e na Rua de Vandelli, confinando com o Aqueduto de São Sebastião.
O jardim faz também parte do bem Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, inscrito na Lista do Património Mundial em 2013. Não é uma inscrição separada. A declaração de valor universal excecional, publicada pelo Aviso n.º 14917/2013, nomeia «o Jardim Botânico» entre os elementos do século XVIII da Alta, com o Laboratório Químico e a Imprensa da Universidade. O Atlas do Património Cultural confirma que o jardim fica dentro da área do bem inscrito. Na mesma área está a Biblioteca Joanina.
Preparar a visita
O registo nacional localiza o jardim entre a Avenida Júlio Henriques e a Rua Domingos Vandelli; a Universidade usa a entrada lateral junto aos Arcos do Jardim como ponto de encontro de visitas. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página de turismo da Universidade indicava horário de inverno das 09h00 às 17h30 (1 de outubro a 31 de março) e de verão das 09h00 às 20h00 (1 de abril a 30 de setembro). A mesma página avisava que obras de recuperação e requalificação impediam temporariamente o acesso a algumas áreas. Alguns espaços não são acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida nem a carrinhos de bebé. A Universidade oferece visitas guiadas ao jardim e à Estufa Tropical; confirme condições, preços e datas de encerramento em visit.uc.pt antes de ir.
Para comparar com outros jardins científicos e de recreio, continue em jardins históricos e no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, que integra o Jardim Botânico de Lisboa.
Fotografia de Daderot, de 4 de novembro de 2019. Original no Wikimedia Commons, sob CC0 1.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi criado o Jardim Botânico de Coimbra?
- Foi criado no âmbito da reforma pombalina da Universidade de 1772, por iniciativa do Marquês de Pombal. Segundo o registo nacional, as obras começaram em 1774, sob a direção de Domingos Vandelli.
- O Jardim Botânico faz parte do Património Mundial?
- Sim. A declaração de valor universal excecional da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, inscrita em 2013, nomeia o Jardim Botânico entre os elementos do século XVIII da Alta. Não tem uma inscrição UNESCO própria.
- Que classificação nacional tem?
- Está classificado como Imóvel de Interesse Público, com a designação «Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, incluindo a respectiva cerca», pelo Decreto n.º 2/96, de 6 de março.
- Qual é o horário do jardim?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Universidade indicava 09h00–17h30 de 1 de outubro a 31 de março e 09h00–20h00 de 1 de abril a 30 de setembro. Algumas áreas estavam temporariamente fechadas por obras. Confirme em visit.uc.pt.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, incluindo a respectiva cerca (73924)
- Diário da República — Decreto n.º 2/96, de 6 de março
- Diário da República — Aviso n.º 14917/2013 (inscrição da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia na Lista do Património Mundial)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação
- Universidade de Coimbra — Visitar a UC: Jardim Botânico e Estufa Tropical
- Universidade de Coimbra — Visitar a UC: Horário de funcionamento
- Wikidata — Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (Q66942450)
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