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Monumentos
Palácio e Quinta da Bacalhoa
Palácio e Quinta da Bacalhoa, em Azeitão: casa renascentista de Brás de Albuquerque (1528-1554), azulejos quinhentistas, Monumento Nacional, visita guiada paga.
- Localização
- Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal
- Construção
- 1528–1554 (obra principal de Brás de Albuquerque, sobre casas do século XV)
- Estilo
- Renascimento
O Palácio e Quinta da Bacalhoa fica em Vila Fresca de Azeitão, no concelho de Setúbal. Também conhecido como Palácio dos Albuquerques, é uma casa de recreio do século XVI cuja planta, galerias e jardim fazem dele, segundo o registo oficial, um dos primeiros e mais belos exemplares de arquitetura civil do Renascimento em Portugal. Pertence hoje a uma propriedade vitivinícola e visita-se com guia.
Das casas do Condestável a Brás de Albuquerque
Segundo o registo da Património Cultural, foi em 1427 que o infante D. João, mestre da Ordem de Santiago e condestável do reino, mandou erguer casas numa grande propriedade de Azeitão. Delas restam algumas abóbadas ogivais. A quinta passou à filha, D. Brites, e ao marido, o infante D. Fernando, pais do futuro rei D. Manuel, que a remodelaram com cerca torreada e revestimentos de azulejo de modelo levantino, ainda visíveis numa dependência.
Em 1528 a quinta, então chamada Villa Feyxe ou Vila Fresca, foi vendida a Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque e proprietário da Casa dos Bicos, em Lisboa. O registo atribui-lhe a maioria da construção atual, embora reconheça que é difícil saber o que já existia. Entre 1528 e 1554 fez-se a remodelação de gosto clássico; 1554 é a data de uma inscrição numa porta e marca o fim da obra principal. O nome Bacalhoa deriva, segundo o mesmo registo, de Bacalhau, apelido de D. Jerónimo Manuel, proprietário no final do século XVI.
O palácio e os pavilhões
A casa tem planta em L, que o registo liga às novidades que Albuquerque terá trazido de uma viagem a Itália em 1521-1522. Entra-se por um pátio murado diante da fachada principal, que tem uma galeria de treze arcos sobre colunas lisas. No interior do L abre-se o jardim, com um labirinto de buxo. Encostada ao muro sul está a Casa de Fresco, formada por três torreões ligados por galerias de arcadas sobre o grande tanque. A meio da quinta, junto ao muro, ficam dois pavilhões de recreio, a Casa da Índia e a Casa das Pombas.
O registo destaca elementos militares, como a cerca torreada e os torreões cilíndricos com cúpulas de gomos, que sugerem a intervenção de um arquiteto de fortalezas da Índia. Refere também medalhões de Della Robbia no muro do tanque e outros atribuídos a Nicolau de Chanterene. A autoria do projeto não está estabelecida: o registo lembra que já foi atribuído a Andrea Sansovino, mas considera mais plausível o círculo de Francisco de Arruda. Os temas da decoração são clássicos, de heróis da Antiguidade e referências mitológicas.
Azulejos
O que a fonte oficial documenta é isto. Numa dependência da casa há azulejos quatrocentistas de modelo levantino. Os pavilhões de recreio têm revestimentos de azulejo quinhentistas; no pavilhão sobre o tanque há um painel datado de 1565 e assinado por Eneas Vito, artista que trabalhou em Fontainebleau, que as imagens do registo identificam como Susana no Banho. A Bacalhôa apresenta a casa do lago como o lugar do primeiro azulejo datado em Portugal; é uma afirmação da empresa, que não encontrámos no registo oficial. Para o contexto destes painéis, veja azulejo e azulejo de majólica.
Classificação
O Palácio da Bacalhoa foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Decreto n.º 2/96, de 6 de março de 1996, alterou a designação para Palácio e Quinta da Bacalhoa, e a Declaração de Retificação n.º 10-E/96 corrigiu o distrito de Lisboa para Setúbal. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada pela Portaria n.º 255/96, de 13 de novembro de 1996; o registo lista também uma portaria anterior, de 15 de julho de 1949.
Propriedade e visita
Na cronologia da empresa, o palácio e a quinta foram comprados em 2000 por José Berardo, e hoje a visita é gerida pela Bacalhôa Vinhos de Portugal, que a integra no seu enoturismo. A titularidade jurídica atual não foi confirmada.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o sítio da Bacalhôa indicava visitas guiadas às 10h00 e às 15h00 (outros horários sob consulta), com duração média de 1h30 e disponibilidade para quem não marque antes. A loja funciona das 10h00 às 18h30. O palácio encerra aos domingos e feriados nacionais, a 1 de janeiro e a 25 de dezembro. O bilhete do palácio custava 13 euros, o da Adega Museu 7 euros e o conjunto 16 euros, com entrada gratuita até aos 12 anos e um mínimo de duas pessoas. A morada é Estrada Nacional n.º 10, 2925-901 Vila Nogueira de Azeitão; confirme tudo em bacalhoa.pt ou em [email protected]. Para o enquadramento das casas nobres, veja solares e casas senhoriais.
Fotografia de Mª Teresa Sousa, de 31 de março de 2018. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir a Bacalhoa?
- A maior parte do que se vê deve-se a Brás de Albuquerque, filho do vice-rei da Índia Afonso de Albuquerque, que comprou a quinta em 1528. Segundo o registo da Património Cultural, a obra principal estaria concluída em 1554, data que consta de uma inscrição numa porta. Antes dele, a propriedade teve casas mandadas erguer em 1427 pelo infante D. João, condestável do reino.
- Está classificada?
- Sim, como Monumento Nacional. O Palácio da Bacalhoa foi classificado por decreto de 16 de junho de 1910; o Decreto n.º 2/96, de 6 de março de 1996, alterou a designação para Palácio e Quinta da Bacalhoa.
- Pode visitar-se?
- Sim, em visita guiada. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o sítio da Bacalhôa indicava visitas às 10h00 e às 15h00 (outros horários sob consulta), com duração média de 1h30, encerramento aos domingos e feriados e bilhete de 13 euros para o palácio.
- O palácio é propriedade pública?
- Não é um monumento gerido pelo Estado: a visita é organizada pela empresa de vinhos Bacalhôa Vinhos de Portugal, que o apresenta no seu enoturismo. A titularidade jurídica atual não foi confirmada nas fontes consultadas.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Palácio e Quinta da Bacalhoa (registo 70212), cópia arquivada de 2018
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Palácio e Quinta da Bacalhoa (NINV 4063)
- Diário da República — Decreto n.º 2/96, de 6 de março
- Bacalhôa — Palácio da Bacalhôa (visitas, horários e preços)
- Bacalhôa — História da Bacalhôa (cronologia)
- Wikidata — Palácio e Quinta da Bacalhoa (Q2123275)
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