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Fortaleza de São Filipe (Setúbal)
Fortaleza de São Filipe, em Setúbal: forte filipino de seis baluartes sobre o Sado, desenhado por Fratino em 1583, com capela de azulejos e pousada desde 1964.
- Localização
- Setúbal, Setúbal
- Construção
- Década de 1580 (1582, segundo o município; projeto de 1583)
A Fortaleza de São Filipe, também chamada Castelo ou Forte de São Filipe, ergue-se numa encosta a oeste de Setúbal, sobre a baía e a entrada do Sado. É uma fortificação abaluartada do final do século XVI, mandada construir por Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) pouco depois da união das duas coroas. Hoje é sobretudo conhecida pelo miradouro sobre o estuário e a península de Tróia, pela pequena capela coberta de azulejos e pela pousada instalada no seu interior a partir de 1964.
Uma fortaleza filipina
O registo nacional do Património Cultural, I.P. apresenta a fortaleza como resultado das ordens de Filipe II para fortificar a linha de costa que protege Setúbal e a foz do Sado. A autoria tem uma história própria. Durante muitos anos, a obra foi atribuída a Filipe Terzi, engenheiro italiano ao serviço da coroa. O próprio Decreto n.º 23 007, de 1933, classifica-a como obra “segundo a tradição” do “célebre arquitecto de D. Sebastião e D. Filipe II de Espanha, o italiano Filipe Tercio”. O registo nacional indica hoje que foi desenhada pelo capitão Fratino, em 1583. O Município de Setúbal situa a construção em 1582, no reinado de Filipe I. As fontes divergem nesta data inicial e as que consultámos não indicam quando a obra foi concluída.
A planta é um polígono irregular em estrela de seis pontas, com seis baluartes, implantado num declive acentuado sobre o mar. Do lado norte, uma segunda linha de muralhas reforça a defesa. Segundo os trabalhos de Rafael Moreira citados pelo registo, o esquema lembra o do castelo de Sant’Elmo, em Nápoles.
Defesa da barra ou símbolo de poder?
A importância militar da fortaleza é discutida. Alguns autores sublinham a modernidade da obra. Outros notam um desajuste entre o plano adotado e as necessidades reais de defesa da região. Rafael Moreira fala de uma “opção formal claramente conservadora”: mais “uma rocca à antiga, pesada e impressionante, destinada a manter uma guarnição fiel” do que uma fortaleza moderna. José Custódio Vieira da Silva observou que São Filipe não recebeu melhoramentos estratégicos ao longo dos séculos, ao contrário do forte do Outão, a verdadeira defesa da foz do Sado.
O registo nacional conclui que a fortaleza surge como uma clara marca de poder do novo rei, num território acabado de integrar na monarquia hispânica. O Município de Setúbal nota que já na época havia quem visse na fortificação sobretudo um meio de controlar a população. A comparação com outras fortalezas abaluartadas e com os fortes costeiros do país ajuda a perceber esta diferença.
A capela e os azulejos
O interior tinha originalmente a Casa do Governador e outros edifícios militares. Conserva-se a pequena capela barroca, dedicada a Nossa Senhora e construída no reinado de D. João V. A nave está inteiramente revestida de azulejos azuis e brancos de Policarpo de Oliveira Bernardes, datados de 1736.
Do incêndio de 1868 à pousada
Em 1868, um incêndio violento destruiu praticamente todas as estruturas interiores. Segundo o Município de Setúbal, o interior foi profundamente transformado a partir de 1964 para receber uma das Pousadas de Portugal. O registo nacional chama-lhe também Pousada de São Filipe.
A encosta onde assenta o forte é um problema antigo. O município refere fissuras abertas pelo terramoto de 1755, um deslizamento na escarpa sudeste provocado pelo sismo de 1969, obras de estabilização em 1986 e, no final de 2011, um cenário de risco elevado identificado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Segundo notícia de 2018, a pousada suspendeu a atividade em 2014 por instabilidade da encosta. O mesmo artigo anunciava um investimento de cerca de 1 milhão de euros para a remodelar e alargar de 16 para 35 quartos. A fortaleza esteve encerrada ao público durante dois anos, por razões de segurança, e reabriu em março de 2017, com algumas zonas vedadas, segundo a agência Lusa.
O Município de Setúbal conduziu depois uma intervenção estrutural para evitar derrocadas na encosta, em duas fases. A primeira começou em 2018 e aparece como concluída em 2020 na página municipal de obras financiadas. A segunda foi consignada em outubro de 2022 e concluída em agosto de 2025, por cerca de 4,18 milhões de euros sem IVA. Incluiu ancoragens definitivas, microestacas e estacas, drenos, o reforço do caneiro interior e a injeção de calda para preencher fissuras nas muralhas. Em novembro de 2025, o jornal O Minho noticiou a conclusão desta fase e a recuperação da iluminação das muralhas viradas ao Sado.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos confirmação oficial de que a pousada tenha reaberto.
Classificação
A fortaleza é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 23 007, de 30 de agosto de 1933, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 196. Tem uma zona especial de proteção, com zona non aedificandi, fixada pela Portaria de 13 de julho de 1962, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 176, de 27 de julho de 1962. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
O forte fica a oeste do centro de Setúbal. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos no site do Município de Setúbal uma página com horários de visita da fortaleza. As condições de acesso, sobretudo depois das obras na encosta, devem ser confirmadas junto do município ou do posto de turismo antes de ir.
A visita combina bem com o centro histórico de Setúbal, o Convento de Jesus e o Castelo de Palmela. Para outras fortalezas, consulte os castelos de Portugal e a região de Lisboa e Vale do Tejo.
Fotografia de Diego Delso, de 12 de setembro de 2021. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem projetou a Fortaleza de São Filipe?
- Durante muito tempo foi atribuída ao engenheiro italiano Filipe Terzi (Filipe Tércio), atribuição que o próprio decreto de classificação de 1933 regista como tradição. O registo nacional do Património Cultural indica hoje que foi desenhada pelo capitão Fratino, em 1583.
- Porque foi construída?
- Por ordem de Filipe II de Espanha, I de Portugal, que o Município de Setúbal situa em 1582, no plano de fortificação da costa que protege Setúbal e a foz do Sado. Vários historiadores leem-na sobretudo como afirmação do poder do novo rei, mais do que como peça eficaz da defesa da barra.
- Que classificação tem?
- É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 23 007, de 30 de agosto de 1933, e tem zona especial de proteção, com zona non aedificandi, desde a Portaria de 13 de julho de 1962.
- A pousada está aberta?
- Não conseguimos confirmar. A pousada instalada no forte suspendeu a atividade em 2014 por instabilidade da encosta; em 2018 foi anunciado um projeto de remodelação. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos confirmação oficial da reabertura. Confirme junto das Pousadas de Portugal.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de São Filipe (69878)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de São Filipe (NINV 4049)
- Diário do Governo — Decreto n.º 23 007, de 30 de agosto de 1933 (I Série, n.º 196)
- Município de Setúbal — Obras municipais financiadas
- Município de Setúbal — Intervenção de natureza estrutural para evitar derrocadas na encosta do Forte de São Filipe, fase 2
- Correio da Manhã (Lusa) — Fortaleza de São Filipe, em Setúbal, reabre ao público (29-03-2017)
- Echo Boomer — Pousada de Setúbal vai ter investimento de 1 milhão de euros (27-09-2018)
- O Minho — Grupo de Braga evita derrocadas em forte que remonta ao tempo dos descobrimentos (22-11-2025)
- Wikidata — Castelo de São Filipe (Q8963003)
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