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Ponte e Torre de Ucanha

Ponte e Torre de Ucanha, em Tarouca: ponte medieval fortificada sobre o Varosa, torre de portagem do couto de Salzedas, obras de 1465 e Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Ponte de Ucanha em granito, com tabuleiro em cavalete e grande arco apontado sobre o rio Varosa, e a torre quadrangular de portagem na margem
Joseolgon, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Ucanha, Tarouca, Viseu
Construção
2.ª metade do séc. XII (primeira configuração); reconstrução provável no séc. XIV; obras em 1465

A Ponte e Torre de Ucanha atravessa o rio Varosa na localidade de Ucanha, no concelho de Tarouca. O conjunto junta uma ponte medieval de granito e uma torre quadrangular erguida na cabeceira. Era ali que se entrava no couto do Mosteiro de Salzedas e que se pagava portagem. Poucas obras mostram com tanta clareza como uma ponte podia ser, ao mesmo tempo, passagem, fronteira senhorial e fonte de rendimento.

Uma ponte à entrada do couto

O registo nacional do património situa a primeira configuração do monumento na segunda metade do século XII. Nessa época, esta parte do território pertencia ao couto do Mosteiro de Salzedas. A ponte ficava na entrada desse território, e o aglomerado que cresceu à sua volta aparece referido como Vila da Ponte.

O conjunto que hoje se vê é, porém, mais tardio. O mesmo registo admite que a ponte e a torre tenham sido reconstruídas eventualmente no século XIV. Não há, portanto, uma data única de construção: a obra resulta de várias fases, e a cronologia exata continua por estudar.

Como é a ponte

A ponte tem tabuleiro em duplo cavalete, solução comum nas pontes medievais: o perfil sobe até ao centro e desce para as margens. Apoia-se em cinco arcos apontados. O arco central, de vão muito maior, vence o leito principal do Varosa, e os seus pilares são os únicos reforçados por talhamares.

Apesar da antiguidade, não se trata de uma das pontes romanas do país: o registo nacional descreve-a como obra medieval, e a forma em cavalete e os arcos apontados correspondem a essa tradição construtiva.

A torre de portagem

O que torna o conjunto singular é a torre associada à ponte, construída para proteger a passagem e controlar pessoas e mercadorias. Num território com poucas travessias de rios, a cobrança de portagem podia ser uma receita importante, e é à luz desse imposto que o registo nacional explica a torre.

Segundo o registo nacional, a torre implanta-se do lado do mosteiro de Tarouca. Tem planta quadrangular e três pisos. No último andar, as quatro faces têm balcões com matacães axiais, aberturas que permitiam defender a base do edifício; há também algumas seteiras. Ao longo do século XIV, vários grupos de moradores tentaram ficar isentos da portagem. Segundo o registo, os monges de Salzedas conseguiram impedir todas essas tentativas.

As obras de 1465

Em 1465, há notícia de obras no conjunto promovidas pelo abade D. Fernando de Salzedas, assinaladas por uma epígrafe comemorativa. O registo nacional sublinha que se desconhece o alcance desses trabalhos. As marcas da campanha do século XV não são fáceis de identificar, e o conjunto aguarda um estudo mais completo. Por isso, 1465 deve ser lido como data de uma intervenção documentada, e não como data de construção da torre.

Declínio e restauro

A portagem foi extinta a partir de 1504, e o monumento perdeu grande parte da sua função original. O tabuleiro continuou a ser a principal passagem na zona, mas a torre entrou em decadência e serviu apenas de armazém. A tendência só se inverteu na década de 1930, quando a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) restaurou o conjunto.

Classificação

O registo nacional identifica o monumento como Torre de Ucanha, com a designação alternativa Ponte e Torre de Ucanha. Está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Na mesma localidade, o Pelourinho da Ucanha tem classificação própria, como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933; veja também pelourinhos.

Visitar no vale do Varosa

A ponte é uma passagem pública na localidade, e a torre fica na Avenida Nova da Ponte, segundo o registo nacional. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos informação oficial sobre visitas ao interior da torre. Conte com a observação exterior e confirme eventuais aberturas junto do Município de Tarouca.

Ucanha completa bem uma visita aos dois grandes mosteiros cistercienses do vale: Salzedas, senhor do couto onde ficava a ponte, e São João de Tarouca. O percurso está enquadrado nas rotas de Cister em Portugal; para a região, veja também Lamego.

Fotografia de Joseolgon, de 16 de março de 2025. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Para que servia a torre de Ucanha?
Controlava a passagem na entrada do couto do Mosteiro de Salzedas e servia para cobrar portagem a quem atravessava o rio Varosa. Tinha também dispositivos de defesa, como balcões com matacães no último piso.
A torre foi construída em 1465?
O registo nacional não o afirma. Situa a primeira configuração do conjunto na segunda metade do século XII e a reconstrução da ponte e da torre, eventualmente, no século XIV. Em 1465 há notícia de obras promovidas pelo abade D. Fernando de Salzedas, assinaladas por uma epígrafe, mas o seu alcance é desconhecido.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, com a designação «Torre de Ucanha», pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O registo usa «Ponte e Torre de Ucanha» como designação alternativa.
É uma ponte romana?
Não. As fontes oficiais consultadas tratam-na como obra medieval: ponte em cavalete com cinco arcos apontados, associada a uma torre de portagem monástica.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Torre de Ucanha (70487)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Diário do Governo — Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933 (Pelourinho da Ucanha)
  5. Wikidata — Torre de Ucanha (Q9088953)

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