- Início
- Tipologias do património edificado
- Jardins históricos
- Quinta das Lágrimas
Monumentos
Quinta das Lágrimas
Quinta das Lágrimas, em Coimbra: Fonte dos Amores de 1326, Fonte das Lágrimas e a lenda de Pedro e Inês, jardins históricos, classificação IIP e visita.
- Localização
- Coimbra, Coimbra
- Construção
- Canal dos Amores, 1326; palácio c. 1730, reconstruído após o incêndio de 1879
A Quinta das Lágrimas fica na margem esquerda do Mondego, em Coimbra, a poucas centenas de metros do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Duas nascentes, a Fonte dos Amores e a Fonte das Lágrimas, ligam-na à história de D. Pedro e D. Inês de Castro e à lenda que dela nasceu. A quinta reúne um palácio reconstruído no século XIX, hoje hotel, e jardins de várias épocas, entregues à Fundação Inês de Castro.
Água para Santa Clara
O documento mais antigo citado sobre o lugar é de 26 de junho de 1326. Nessa data, a Rainha Santa Isabel pediu aos frades de Santa Cruz de Coimbra, então donos da Quinta do Pombal, a terra onde nasciam duas fontes. Pediu também uma faixa de terreno à volta das nascentes e ao longo do cano que levaria a água ao Mosteiro de Santa Clara. O texto, transcrito pela Fundação Inês de Castro, fala do direito de «hir vir e estar» junto das fontes. A Fundação celebra em 2026 os 700 anos da Fonte e do Canal dos Amores.
Segundo a Fundação, o lugar já se chamava Fonte dos Amores antes de Pedro e Inês, e ninguém sabe ao certo porquê. O registo nacional descreve a mina de onde sai a água, com uma porta em arco quebrado, «provavelmente do século XIV», segundo um estudo de 1947. A Fonte dos Amores é um pequeno canal que termina em duas pedras cobertas de musgo.
História e lenda de Pedro e Inês
A base histórica é conhecida. Inês de Castro, fidalga galega, veio para Portugal no séquito de D. Constança, noiva do infante D. Pedro. Depois da morte de Constança, Pedro e Inês viveram em Coimbra, no paço junto ao Mosteiro de Santa Clara. Inês foi executada a 7 de janeiro de 1355 por ordem de D. Afonso IV, como regista o Livro da Noa do Mosteiro de Santa Cruz. Já rei, Pedro declarou que tinha casado secretamente com ela e mandou trasladar o corpo para o Mosteiro de Alcobaça. O registo nacional designa esse monumento como «Mosteiro de Alcobaça, compreendendo os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês».
A lenda acrescentou à história um cenário. A tradição popular situou na quinta a morte de Inês e explicou a Fonte das Lágrimas pelas lágrimas que ela teria chorado. As algas vermelhas do canal seriam, para o povo, o seu sangue. A Fundação Inês de Castro apresenta a Quinta como «lugar histórico dos amores e lugar mítico da morte», distinguindo as duas coisas. O hotel refere ainda a tradição de que o fantasma de Inês percorre o jardim.
Luís de Camões deu nome e fama à fonte. A estância 135 do Canto III de Os Lusíadas diz que as filhas do Mondego transformaram as lágrimas choradas numa fonte, com um nome «que ainda dura / Dos amores de Inês que ali passaram». Uma lápide com esses versos está colocada junto da Fonte das Lágrimas. Ao contrário de outras fontes, esta não é uma obra de cantaria esculpida: a água sai diretamente da rocha para o canal.
O palácio e os jardins
A origem da quinta como propriedade é pouco clara. Segundo o registo nacional, as suas matas foram coutadas de caça da família real e a quinta pertenceu à Universidade e a uma ordem religiosa. A partir de 1730, foi propriedade da família Osório Cabral de Castro, que construiu então o palácio. Um incêndio em 1879 destruiu grande parte do edifício. Miguel Osório Cabral de Castro reconstruiu-o no final do século XIX, com influências revivalistas recolhidas em viagens pela Europa. O edifício tem um corpo central e dois laterais, com galerias de colunelos quadrados na fachada principal, e uma capela à direita. Entre as imagens que o registo nacional guarda do jardim estão ruínas neogóticas, testemunho do mesmo gosto pelos revivalismos, explicado em romantismo e revivalismos.
A Fundação descreve hoje vários jardins:
- o Jardim Romântico, do século XIX, com lagos serpenteados, um bambuzal e árvores de grande porte vindas de outros continentes, como a canforeira, o podocarpo e o fícus;
- o Jardim Medieval, uma interpretação moderna da arquiteta paisagista Cristina Castel-Branco, que a própria Fundação diz não ser um restauro, regada com a água da Fonte dos Amores;
- a Mata, nas encostas, com cedros, pinheiros-de-alepo e sequoias, cujos muros e caminhos de passeio foram recuperados;
- o anfiteatro Colina de Camões, também de Cristina Castel-Branco, distinguido em 2008 com o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista.
Segundo a Fundação, o general Wellington e o botânico Brotero plantaram ou registaram árvores na quinta, e as duas sequoias aproveitadas no anfiteatro terão sido plantadas por volta de 1810. São afirmações da entidade gestora, não verificadas noutra fonte. O hotel fala em 12 hectares de jardins históricos e menciona ainda um jardim japonês e uma horta.
Hotel, Fundação e classificação
O palácio funciona como hotel de cinco estrelas, membro da Small Luxury Hotels of the World. A Fundação Inês de Castro foi criada a 7 de janeiro de 2005, quando se completavam 650 anos sobre a morte de Inês. Tem sede na quinta e dedica-se à investigação e divulgação da temática inesiana. A sociedade proprietária do hotel cedeu-lhe em comodato os terrenos dos locais históricos, jardins, encosta e mata. A Fundação gere as visitas e organiza um prémio literário e um festival de artes.
A proteção legal tem um âmbito preciso. O Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro (Diário da República, I série, n.º 226), classificou como Imóvel de Interesse Público os «elementos mais representativos existentes na Quinta das Lágrimas». A classificação não abrange a quinta inteira. O registo nacional não indica zona especial de proteção nem relação com o Património Mundial: a quinta não faz parte da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia.
Preparar a visita
A bilheteira dos jardins fica na Rua José Vilarinho Raposo; o hotel e a Fundação têm morada na Rua António Augusto Gonçalves. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Fundação indicava o horário de inverno (16 de outubro a 15 de março) de terça-feira a domingo, 10h00–17h00, e o de verão (16 de março a 15 de outubro) das 10h00 às 19h00, também com encerramento à segunda-feira. Os preços em vigor desde 5 de maio de 2026 eram 3,50 € (bilhete simples), 2 € (menores de 15 e maiores de 65 anos) e 7 € (família de dois adultos e duas crianças). As visitas guiadas e de grupos de mais de 10 pessoas exigem marcação; a visita ao palácio e ao jardim japonês só se faz em visita guiada marcada. Confirme na página da Fundação ou pelo telefone da bilheteira, 912 464 332.
Na mesma margem ficam Santa Clara-a-Velha e o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Para outros jardins, continue em jardins históricos e quintas de recreio.
Fotografia de Daderot, de 4 de novembro de 2019. Original no Wikimedia Commons, sob CC0 1.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Inês de Castro morreu na Quinta das Lágrimas?
- A tradição popular situa ali a morte de Inês e explica a Fonte das Lágrimas pelas suas lágrimas. Historicamente, Inês foi executada a 7 de janeiro de 1355; a Fundação Inês de Castro apresenta a localização da morte na Quinta como parte da lenda.
- O que está classificado na Quinta das Lágrimas?
- Os «elementos mais representativos existentes na Quinta das Lágrimas», classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro. A classificação não abrange toda a quinta nem o hotel enquanto tal.
- Qual é a origem da Fonte dos Amores?
- Em 26 de junho de 1326, a Rainha Santa Isabel obteve dos frades de Santa Cruz o direito à água de duas nascentes da quinta e a um canal para a levar ao Mosteiro de Santa Clara, segundo o documento citado pela Fundação Inês de Castro.
- Quanto custa visitar os jardins?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Fundação Inês de Castro indicava 3,50 € (bilhete simples), 2 € (menores de 15 e maiores de 65 anos) e 7 € (família). Confirme na página da Fundação antes da visita.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Elementos mais representativos existentes na Quinta das Lágrimas (73803)
- Diário da República — Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro (I série, n.º 226)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação
- Fundação Inês de Castro — Jardins da Quinta das Lágrimas
- Fundação Inês de Castro — Inês de Castro
- Fundação Inês de Castro — Apresentação
- Fundação Inês de Castro — 700 anos da Fonte e do Canal dos Amores
- Quinta das Lágrimas — Hotel
- Quinta das Lágrimas — Jardins
- Wikidata — Quinta das Lágrimas (Q3414568)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
mosteirosMosteiro de Santa Clara-a-Velha (Coimbra)O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, é um templo gótico do século XIV protegido pela Rainha Santa Isabel e resgatado das cheias do Mondego.
unesco culturalMosteiro de AlcobaçaMosteiro de Santa Maria de Alcobaça, obra-prima cisterciense gótica e Património Mundial da UNESCO desde 1989, guarda os túmulos de Pedro e Inês.
Universidade de Coimbra — Alta e SofiaA mais antiga universidade portuguesa e a cidade que cresceu à sua volta, inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2013.
tipologiasJardins históricosJardins históricos de Portugal: cercas conventuais, tapadas, jardins barrocos e parques românticos como património vivo, das suas origens à classificação…
tipologiasQuintas de RecreioAs quintas de recreio: tipologia de vilegiatura dos séculos XVII a XIX, com casa apalaçada, capela, jardins formais e azulejaria nos arredores de Lisboa…
periodosRomantismo e Arquitetura RevivalistaRomantismo e revivalismos na arquitetura portuguesa do século XIX: o neomanuelino, o neogótico e o neoárabe, do Palácio da Pena a Monserrate e ao Buçaco.