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Monumentos

Castelo de Montemor-o-Novo

Castelo de Montemor-o-Novo: cerca medieval com Paço dos Alcaides, igrejas e Convento da Saudação, Monumento Nacional desde 1951, e centro interpretativo.

Perguntas frequentes Fontes
Muralha de pedra avermelhada com torreões cilíndricos e ameias numa encosta, com a Torre do Relógio e a Casa da Guarda ao fundo, no Castelo de Montemor-o-Novo
Joaomartinho63, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Montemor-o-Novo, Évora
Construção
séc. XIII (após o foral de 1203; origem anterior incerta), com obras de D. Dinis e reforços até ao séc. XVII

O Castelo de Montemor-o-Novo não é apenas uma fortaleza: é a vila medieval inteira, abandonada pelos seus habitantes e hoje reduzida a muralhas, torres, igrejas e ruínas no alto do monte. Do lado norte, a cidade atual desce pela encosta. Dentro da cerca ficam o Paço dos Alcaides, três igrejas, o grande Convento da Saudação e uma área arqueológica com ruas e casas antigas. Visitar o castelo é, por isso, percorrer o núcleo de origem de Montemor-o-Novo.

Uma vila fortificada no alto do monte

A origem da fortificação é incerta. O roteiro arqueológico da Universidade de Évora admite duas hipóteses: uma fortificação do período almóada (século XII) ou uma fundação posterior ao foral de 1203, concedido por D. Sancho I. O registo do Património Cultural, I.P. lembra que a região teve ocupação muito antiga, incluindo um castro romanizado e possivelmente uma fortificação muçulmana. A povoação, conquistada no início do século XIII e então quase arruinada, foi repovoada a partir do foral, e a alcáçova parece datar dessa época.

As grandes obras vieram com D. Dinis (1279–1325), como noutros castelos do Alentejo, incluindo a construção da muralha da vila. Segundo o roteiro da Universidade de Évora, essa cerca chegou a ter 20 torres. O município descreve-a como uma das maiores cercas do reino, com quase dois quilómetros de perímetro e quatro portas.

No século XIV, D. João I integrou Montemor-o-Novo no senhorio doado a D. Nuno Álvares Pereira. Em finais do século XV, D. Manuel I encarregou o mestre de pedraria Afonso Mendes de Oliveira de novas obras. O castelo voltou a ser reforçado na Guerra da Restauração, por ordem de D. João IV, e foi atacado durante as invasões francesas, quando já estava degradado.

Cortes, Paço dos Alcaides e Vasco da Gama

Montemor-o-Novo acolheu as Cortes convocadas por D. Manuel I no início do reinado. O registo nacional data-as de 1496; o roteiro da Universidade de Évora situa-as em 1495, no Paço dos Alcaides, logo após a morte de D. João II. O registo nacional explica que destas Cortes, onde se terá decidido a viagem à Índia, nasceu a tradição de que Vasco da Gama ultimou aqui os planos da expedição. Trata-se de uma tradição, não de um facto documentado no registo.

O Paço dos Alcaides, ou alcáçova, era o núcleo primitivo do castelo. Fica no lado sul da cerca, tem planta retangular e era protegido por duas torres redondas. Hoje está em ruínas: o roteiro refere que foi muito afetado pelo terramoto de 1755.

Da vila velha à cidade nova

A partir do século XIV, num clima de paz, os habitantes começaram a instalar-se fora das muralhas, em zonas mais baixas. O município conta que, no século XVI, o crescimento económico e populacional acelerou esse movimento e o progressivo abandono do núcleo fortificado. As Memórias Paroquiais de 1758, citadas pelo roteiro da Universidade de Évora, registam que viviam então apenas dois casais na vila velha. É por isso que o recinto do castelo se lê hoje como uma vila medieval esvaziada.

O que se vê dentro da cerca

O acesso principal faz-se pela Porta da Vila, também chamada Porta Nova ou de Santarém, no lado norte, virada para a cidade. Aí ficam a Torre do Relógio, que o município apresenta como símbolo da cidade, e a Casa da Guarda, com o brasão de D. Manuel. Das quatro portas da cerca conservam-se três: a da Vila, a de Santiago (ou do Sol) e a do Bispo (ou do Anjo); a Porta de Évora desapareceu. Segundo o registo nacional, sobrevive essencialmente o lanço principal da muralha dionisina, de planta aproximadamente triangular, com onze torreões cilíndricos e barbacãs do século XIV. Há ainda vestígios de casas sobre os cubelos e uma cisterna na praça do castelo.

Dentro da muralha encontram-se:

  • a Igreja de Santiago, do século XIV, onde funciona o centro interpretativo e se conservam pinturas murais dos séculos XVII e XVIII;
  • a Igreja de São João Baptista;
  • as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo;
  • o Convento de Nossa Senhora da Saudação, cuja construção, segundo o registo, começou no reinado de D. Manuel, junto às muralhas;
  • uma área arqueológica com ruas e casas usadas entre os séculos XIII e XVII, segundo o roteiro da Universidade de Évora.

O Convento da Saudação

O convento pertenceu à Ordem Dominicana. Depois da extinção das ordens religiosas, no século XIX, o Estado ocupou-o e usou-o como asilo até aos anos 1960. O decreto de 1951 já o mencionava assim: «edifício do asilo denominado da Infância Desvalida, instalado no antigo convento». A associação cultural O Espaço do Tempo tem sede no convento.

Em 2018, o Estado cedeu o edifício ao município por 39 anos, para o recuperar para usos culturais. O presidente da câmara descreveu-o então à Lusa como muito degradado, com zonas fechadas ao público. Seguiram-se obras de escoramento de 1,6 milhões de euros, financiadas pelo Fundo de Salvaguarda do Património Cultural. Em 27 de outubro de 2025, a RTP, citando a Lusa, noticiou que a reabilitação tinha perdido o financiamento do PRR. Dois concursos tinham ficado desertos: um para a obra completa, lançado em maio de 2024, e outro só para a primeira fase. O Património Cultural, I.P. comprometera-se a estudar financiamento alternativo, e O Espaço do Tempo estava a trabalhar em vários espaços da cidade. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos informação oficial mais recente sobre o início das obras.

Proteção

O Decreto n.º 38 147, publicado no Diário do Governo de 5 de janeiro de 1951, classificou como Monumento Nacional o «Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas». O decreto enumera três torres (a de menagem, a do relógio e a da Má Hora), três cisternas, um «matadouro mourisco», duas capelas, o edifício do asilo no antigo convento, ruínas de prédios urbanos, terrenos com mata e ruas de passeio público e glebas de particulares. Não nomeia as igrejas uma a uma. É o registo do Património Cultural, I.P. que identifica as igrejas de São João Baptista e de Santiago, as ruínas de Santa Maria do Bispo e o Convento da Saudação como incluídos na classificação. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por portaria de 13 de julho de 1962. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. Para comparar com outras fortificações da região, veja os castelos de Portugal, o Castelo de Arraiolos e o Castelo de Évoramonte.

São João de Deus e a cidade baixa

Montemor-o-Novo é a terra natal de São João de Deus. A memória do santo liga-se sobretudo à cidade baixa. O município indica que a igreja matriz foi construída no local onde ele nasceu e apresenta-a na parte dedicada ao centro histórico, a cidade que cresceu pela encosta norte a partir do castelo. Nenhuma das fontes consultadas associa o santo aos imóveis da cerca. Uma visita completa junta as duas partes: o monte fortificado e a cidade que dele desceu.

Preparar a visita

O centro interpretativo fica na Igreja de Santiago e é um equipamento municipal sobre a história de Montemor desde a Antiguidade. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal, atualizada pela última vez em 8 de setembro de 2023, indicava abertura de terça-feira a domingo. No verão (abril a setembro), o horário era das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30; no inverno (outubro a março), das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. A entrada custava 2,50 €, e a visita guiada ao centro e ao castelo 5 €, para grupos de pelo menos dez pessoas e com marcação. A entrada era gratuita aos domingos e feriados e para crianças até aos 14 anos, entre outros casos. Como a página não é atualizada desde 2023, confirme horários e preços pelo telefone 266 898 103 antes de ir. O roteiro da Universidade de Évora indica que o castelo pode ser visitado por pessoas com mobilidade reduzida.

No mesmo concelho fica a Gruta do Escoural, com arte rupestre paleolítica. Para o contexto regional, continue no Alentejo.

Fotografia de Joaomartinho63, de 16 de setembro de 2011, para o concurso Wiki Loves Monuments. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que abrange a classificação do Castelo de Montemor-o-Novo?
O Decreto n.º 38 147, de 5 de janeiro de 1951, classificou como Monumento Nacional o castelo, «abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas». O registo do Património Cultural, I.P. identifica nesse perímetro o Paço dos Alcaides, as igrejas de São João Baptista e de Santiago, as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo e o Convento de Nossa Senhora da Saudação.
Quando foi construído?
A origem é incerta: pode remontar ao período almóada ou à refundação que se seguiu ao foral de D. Sancho I, em 1203. A alcáçova parece datar de inícios do século XIII, e a muralha da vila foi erguida no reinado de D. Dinis. Houve reforços em finais do século XV e durante a Guerra da Restauração.
Onde fica o centro interpretativo?
Na antiga Igreja de Santiago, do século XIV, dentro da cerca. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal (atualizada em 8 de setembro de 2023) indicava abertura de terça-feira a domingo e entrada de 2,50 €, gratuita aos domingos e feriados.
O castelo tem relação com São João de Deus?
Indireta. Segundo o município, a igreja matriz de Montemor-o-Novo foi construída no local onde nasceu São João de Deus, e o município apresenta-a no centro histórico, a cidade que cresceu pela encosta norte a partir do castelo, e não entre os imóveis da cerca.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas (70440)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2763)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 38 147, de 5 de janeiro de 1951
  4. Município de Montemor-o-Novo — Património Cultural
  5. Município de Montemor-o-Novo — Centro Interpretativo do Castelo de Montemor-o-Novo
  6. Universidade de Évora — Roteiros Arqueológicos do Alentejo: Castelo de Montemor-o-Novo
  7. Diário de Notícias / Lusa — Câmara de Montemor-o-Novo quer recuperar degradado Convento da Saudação (12-09-2018)
  8. RTP / Lusa — Convento em Montemor-o-Novo perde financiamento do PRR após concursos desertos (27-10-2025)
  9. Wikidata — Castelo de Montemor-o-Novo (Q5049796)

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