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Castelo de Montalegre

Castelo de Montalegre, no Barroso: castelo gótico de fronteira com torre de menagem concluída cerca de 1331, Monumento Nacional desde 1910. História e visita.

Perguntas frequentes Fontes
Torre de menagem do Castelo de Montalegre, em granito, com ameias, balcões de matacães e escada metálica até à porta elevada, sob céu azul
Joseolgon, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Montalegre, Vila Real
Construção
Séculos XIII–XIV (torre de menagem concluída c. 1331)

O Castelo de Montalegre domina a vila do mesmo nome, no planalto do Barroso, a pouca distância da fronteira com a Galiza. É um castelo gótico de dimensões modestas, com um pequeno pátio muralhado, mas a sua torre de menagem de granito, alta e maciça, vê-se de longe e tornou-se a imagem da vila. É uma das peças da rede de castelos que defendia o norte de Trás-os-Montes, a par de fortalezas como as de Chaves e Bragança.

Uma fundação régia numa fronteira difícil

O registo nacional do Património Cultural, I.P. descreve o castelo como uma estrutura militar medieval de construção relativamente tardia. Insere-se na reorganização dos espaços fronteiriços a leste e a oeste de Chaves empreendida por D. Afonso III, que procurou dar à fronteira transmontana setentrional uma ordem territorial e jurídica dependente do rei. O resultado ficou aquém do esperado. Ainda antes do fim do século XIII, D. Dinis teve de dar novo foral a Montalegre, em 1289, e de entregar o povoamento a Pedro Anes, porque a póvoa estava então erma.

Estas dificuldades refletem-se na obra. O projeto inicial incluiria as três torres mais pequenas integradas no recinto oval. O registo nacional considera o castelo modesto em recursos, mas com as características principais de uma fortaleza gótica: planta ovalada, panos de muralha interrompidos por torres quadrangulares e retangulares, e uma torre de menagem ligada à cerca, em vez de isolada no centro do pátio.

A torre de menagem

A torre de menagem não pertence à primeira fase de obras. Segundo o registo nacional, data do reinado de D. Afonso IV e estaria concluída por volta de 1331. É mais alta e mais larga do que as outras torres e assume-se como a principal marca de poder do castelo e da vila.

Tem embasamento escalonado e saliente e quatro pisos, que do exterior só se adivinham pelas frestas e pelos balcões de matacães. No interior há espaços abobadados e sistemas de escoamento de águas. No último piso, estreitos corredores abertos na espessura das paredes dão acesso aos balcões. A torre é rematada por ameias pentagonais, também usadas nos balcões. Entra-se por uma única porta elevada, ao nível do caminho de ronda e voltada para o pátio. Em caso de assalto, a torre podia assim funcionar como reduto independente.

O recinto e as outras torres

O registo nacional identifica três torres além da de menagem. A Torre Furada é a única de planta quadrangular e é coroada por ameias. Tem duas portas, uma ao nível do pátio e outra à altura do caminho de ronda. Esta última, em arco de volta perfeita, tem o tímpano decorado com a cruz da Ordem de Cristo. As torres Pequena e do Relógio são retangulares e mais baixas.

O pátio é pequeno e tem uma cisterna. O castelo tinha duas portas, das quais resta a do lado nascente. A entrada principal ficava a norte, protegida pela torre de menagem.

Obras da Idade Moderna

A última grande campanha medieval decorreu no reinado de D. João II. É conhecida pelos desenhos de Duarte de Armas, do início do século XVI. Reforçou-se então a entrada principal com um reduto de torres circulares, equipadas com troneiras de dois níveis de tiro. Restam apenas os níveis inferiores.

O castelo só voltou a receber obras no século XVII, durante as Guerras da Restauração. Dessa fase datam vários baluartes e revelins em ponta de estrela. Foi este o conjunto que chegou até hoje. O registo nacional refere ainda que o castelo recebeu em 1990 um núcleo museológico e que, mais recentemente, foram feitas escavações exploratórias no local.

Classificação e proteção

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Tem uma zona especial de proteção, com zona non aedificandi, fixada pela Portaria de 21 de setembro de 1957, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 272, de 22 de novembro de 1957. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

O castelo fica no alto da vila, no Terreiro do Açougue. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal turístico da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso indicava abertura das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento à segunda-feira, exceto feriados. A informação sobre o preço de entrada não era clara. Não encontrámos horários publicados no site da Câmara Municipal de Montalegre. Antes de ir, confirme horários, preço e o acesso ao interior da torre junto do município ou no portal turístico regional.

A visita pode continuar para leste, até Chaves, outra praça da antiga fronteira transmontana. Para comparar Montalegre com outras fortalezas, consulte os castelos de Portugal e o que significa a classificação de Monumento Nacional.

Fotografia de Joseolgon, de 14 de março de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Castelo de Montalegre?
O castelo nasce da reorganização da fronteira transmontana promovida por D. Afonso III, no século XIII. D. Dinis deu novo foral à vila em 1289. A torre de menagem é posterior: data do reinado de D. Afonso IV e estaria concluída por volta de 1331.
O Castelo de Montalegre está classificado?
Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Tem ainda zona especial de proteção, com zona non aedificandi, fixada por portaria de 1957.
Que torres tem o castelo?
Além da torre de menagem, o registo nacional identifica três torres: a Torre Furada, a única quadrangular, com a cruz da Ordem de Cristo no tímpano da porta superior, e as torres Pequena e do Relógio, retangulares e mais baixas.
Pode visitar-se o castelo?
Sim. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal turístico da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso indicava abertura das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento à segunda-feira, exceto feriados. Confirme antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Montalegre (70167)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Montalegre (NINV 4485)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Visit Alto Tâmega e Barroso (CIM do Alto Tâmega e Barroso) — Montalegre Castle
  5. Wikidata — Castelo de Montalegre (Q6904195)

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