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Muralhas e Porta da Almedina de Silves

Muralhas e Porta da Almedina de Silves: cerca islâmica de Xelb, com torres albarrãs e porta em cotovelo, distinta do castelo e Monumento Nacional desde 2012.

Perguntas frequentes Fontes
Torre maciça de pedra avermelhada com arco de passagem em baixo e janelas com varandas em cima, na muralha da almedina de Silves
Hovallef, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Silves, Faro
Construção
Período islâmico (sobretudo séc. XII–XIII), com alterações da época cristã

Em Silves, quase toda a gente sobe ao castelo. Mas a muralha avermelhada que se vê no alto da colina é só o recinto do poder, a antiga alcáçova. Mais abaixo, a cidade islâmica de Xelb tinha a sua própria cintura de muralhas, com torres, portas e uma couraça até ao rio. É essa cerca da almedina, a cidade onde vivia a população, que está classificada como Muralhas e Porta da Almedina de Silves. O monumento mais visível é a porta principal, um torreão maciço sobre um arco de passagem, à entrada do centro histórico.

Castelo e almedina: dois monumentos diferentes

Numa cidade muçulmana, a cidade organizava-se em dois polos. A alcáçova era o recinto fortificado do governo e da guarnição. A almedina, ou medina, era a cidade propriamente dita, onde trabalhavam comerciantes e artesãos e onde, cita o registo nacional, se abrigavam os camponeses que de dia saíam a cultivar os campos do arrabalde. As duas ligavam-se por, pelo menos, uma porta.

Em Silves, a alcáçova corresponde ao Castelo de Silves, classificado como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910. O decreto de 2012 que classificou as muralhas da almedina é muito claro: a classificação de 1910 “abrange somente a antiga alcáçova e parte da muralha da medina”. A nova classificação veio completá-la. Por isso, quando se fala das muralhas de Silves, convém distinguir as do castelo, que se visitam com bilhete, das da cidade, espalhadas pelo centro histórico.

Uma cidade amuralhada do Gharb al-Andalus

Segundo o registo nacional, alcáçova e almedina eram rodeadas por muralhas com mais de um quilómetro de extensão, que encerravam cerca de sete hectares. Citando Cláudio Torres, o registo admite uma população que, em períodos de apogeu, poderia chegar às cinco mil pessoas, parte delas já nos arrabaldes.

O traçado das ruas pode ser ainda mais antigo. A arqueóloga Rosa Varela Gomes, citada no registo, identificou dois eixos que se cruzam a meio da cidade, à maneira de um cardo e de um decumanus romanos. O primeiro parte da Porta da Almedina pela antiga Rua Direita, hoje Rua da Sé, até à porta da alcáçova. O segundo, a atual Rua de D. Sancho I, ligava as portas poente e nascente. No cruzamento ficava a mesquita maior, transformada a partir do século XIII na Sé de Silves.

O decreto de classificação sublinha a técnica construtiva: o uso de taipa militar, típico das dinastias magrebinas, e um dispositivo defensivo reforçado com torres albarrãs, couraças e portas em cotovelo. Para o registo nacional, o que resta é suficiente para fazer de Silves o principal monumento militar islâmico citadino do país.

Torres, couraça e água

Várias torres protegiam a almedina. Uma delas, octogonal, junto à porta da Azóia, foi destruída no século XIX. No século XIII, o último governante muçulmano de Silves, Ibn al-Mahut, mandou reforçar o sistema com uma nova torre, de que resta uma lápide comemorativa.

A cidade tinha também uma couraça, referida na primeira conquista cristã de Silves, em 1189. Era um troço de muralha com uma ou várias torres que permitia ir buscar água perto do rio Arade com alguma proteção. A água não dependia só do rio. Havia cisternas e poços em vários pontos da cidade. Junto à Porta de Loulé foi identificado um poço-cisterna que abastecia parte da medina. Está hoje no interior do Museu Municipal de Arqueologia e é classificado à parte como Monumento Nacional.

A Porta da Almedina

A Porta da Almedina, também chamada Porta de Loulé, era a entrada principal da cidade. O registo nacional descreve-a como uma estrutura maciça, muito alterada na época cristã, protegida por duas torres albarrãs e com entrada em cotovelo, que obrigava quem entrava a mudar de direção. As outras portas tinham torres poligonais, quadrangulares e, na da Azóia, a torre octogonal.

O registo admite que boa parte do sistema desapareceu nos séculos cristãos, incluindo a couraça, alguns troços de muralha e a configuração original de quase todas as portas. As campanhas arqueológicas continuam a revelar novos vestígios. Sobre esse trabalho, veja Silves islâmica.

Classificação

As Muralhas e Porta da Almedina de Silves são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-C/2012, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31 de dezembro de 2012. O processo tinha sido reaberto em 2005, porque o processo inicial se extraviou. A zona especial de proteção foi proposta no Anúncio n.º 15560/2011, de 27 de outubro de 2011. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos portaria que a fixe. Na mesma área há outros imóveis classificados à parte: o castelo, o poço-cisterna e o pelourinho. As muralhas não fazem parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

A Porta da Almedina e os troços que sobrevivem estão no espaço público do centro histórico e veem-se livremente a partir das ruas. O melhor complemento é o Museu Municipal de Arqueologia, na Rua das Portas de Loulé. Inaugurado em 1990, foi construído em torno do poço-cisterna almóada e integra um tramo da muralha da cidade. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal do museu indicava bilhete de 2,10 euros e um bilhete conjunto com o castelo de 3,90 euros. O Geoparque Algarvensis indicava o museu aberto todos os dias, das 10h00 às 18h00, com última entrada às 17h30, e encerrado a 25 de dezembro e 1 de janeiro. Confirme os horários junto do município.

Para continuar, suba ao Castelo de Silves e compare com o Castelo de Paderne, outra fortificação almóada de taipa no Algarve. A arte do período está em arte islâmica em Portugal, e as cercas urbanas de outras cidades em muralhas e cercas urbanas.

Fotografia de Hovallef, de 4 de agosto de 2018. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o Castelo de Silves e as muralhas da almedina?
O castelo é a antiga alcáçova, o recinto do poder no alto da colina, classificado como Monumento Nacional em 1910. As muralhas da almedina cercavam a cidade onde vivia e trabalhava a população. Foram classificadas à parte, em 2012, precisamente porque a classificação de 1910 só abrangia a alcáçova e parte da muralha da medina.
Onde fica a Porta da Almedina?
É a antiga porta principal da cidade, também chamada Porta de Loulé. Dela partia a antiga Rua Direita, hoje Rua da Sé, que subia até à porta da alcáçova. O Museu Municipal de Arqueologia fica muito perto, na Rua das Portas de Loulé.
Quando foram classificadas?
São Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-C/2012, publicado no Diário da República de 31 de dezembro de 2012. A zona especial de proteção foi proposta em 2011, mas não encontrámos portaria que a fixe.
Onde se vê melhor a muralha?
A Porta da Almedina e vários troços estão no espaço público do centro histórico. O Museu Municipal de Arqueologia integra um tramo da muralha da almedina como alçado sul. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o bilhete do museu custava 2,10 euros e o bilhete conjunto com o castelo 3,90 euros.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Muralhas e Porta da Almedina de Silves (72809)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Muralhas e Porta da Almedina de Silves (NINV 187)
  3. Diário da República — Decreto n.º 31-C/2012, de 31 de dezembro
  4. Município de Silves — Museu Municipal de Arqueologia de Silves
  5. Geoparque Algarvensis — Museu Municipal de Arqueologia de Silves
  6. Wikidata — Muralhas e Porta da Almedina de Silves (Q66813907)

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