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Arqueologia

Torre de Centum Cellas

Torre de Centum Cellas, em Belmonte: edifício romano de granito, lido como parte de uma villa, Monumento Nacional desde 1927 e gerido pelo município desde 2020.

Perguntas frequentes Fontes
Vista aérea da torre de granito de Centum Cellas, de três pisos, no centro de um recinto vedado de escavação, com casas, estrada e vinhas à volta
David Perez, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Colmeal da Torre, Belmonte, Castelo Branco
Construção
séculos I–II d.C.

A Torre de Centum Cellas é um edifício romano de granito que se ergue isolado num terreno agrícola junto ao Colmeal da Torre, perto de Belmonte. Durante muito tempo discutiu-se para que servia: vigia, prisão, templo, estalagem. Hoje, o registo nacional do património e a ficha do município de Belmonte inclinam-se para a mesma leitura, a de uma construção ligada a uma villa romana, embora o primeiro mantenha a função do edifício como indefinida.

O edifício

Segundo o inventário do SIPA (Direção-Geral do Património Cultural), a torre tem planta retangular e volume único, sem cobertura, com três pisos e cerca de 12 metros de altura. É feita de silhares graníticos de grandes dimensões, em aparelho isódomo, com diferença de aparelho entre os pisos inferiores e o superior. Os vãos têm lintéis retos, sem moldura, e três registos de aberturas em cada fachada. Por dentro forma um único espaço, com cornija interna, e o pavimento aproveita o afloramento rochoso. A ficha municipal dá outras medidas (cerca de 22 metros de altura e dois pisos elevados), por isso convém tratar as dimensões exatas como não harmonizadas entre as fontes.

O SIPA aponta ainda afinidades com a Torre de Almofala, em Figueira de Castelo Rodrigo, e descreve o edifício como ligado a um conjunto de compartimentos de que subsistem sobretudo as fundações, com duas alas paralelas ao lado maior e uma planta geral possivelmente em U ou com pátio central.

Cronologia

O SIPA situa a construção nos séculos I–II d.C.; a ficha municipal fala do século I. Antes das escavações modernas, atribuiu-se a obra ao imperador Augusto ou ao general Agripa, hipótese que o SIPA regista como proposta de Aurélio Ricardo Belo, e uma tradição associa ao edifício, de cem celas, o cativeiro de São Cornélio, morto em 253. Estas são leituras antigas, não factos arqueológicos.

A fase que a escavação documenta é a dos séculos III–IV, quando um incêndio levou à reconstrução do conjunto, ligado a exploração agrícola. Surgiu então uma sala com ábside e larário, onde apareceram sete aras decoradas, uma delas com referências a Vénus e Minerva. A ficha municipal acrescenta moedas do século I ao século IV, algumas de ouro, e muita cerâmica comum e sigilata, e refere que a parte rústica e as eventuais termas foram em grande parte destruídas pela lavoura. Na época medieval o local continuou ocupado, com um templo, nove sepulturas e a provável reconstrução do terceiro piso.

Escavações

O SIPA regista escavações dirigidas por Helena Frade entre 1993 e 1998, depois de o imóvel ser afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico em 1992. Mostraram que a torre não estava isolada, mas integrada num conjunto maior. A área escavada é limitada, o que explica que a planta completa do estabelecimento continue por estabelecer.

Classificação e gestão

O Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026, regista a Torre de Centum-Cellas como Monumento Nacional (NINV 2465), classificada pelo Decreto n.º 14 425, Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927. O Atlas não indica zona especial de proteção. Segundo o SIPA, a gestão, valorização e conservação passou do Estado para a Câmara Municipal de Belmonte por auto assinado a 30 de setembro de 2020.

Contexto

O SIPA situa o edifício na proximidade da via militar romana Mérida–Braga e de uma zona de exploração mineira. Para o enquadramento geral, veja arqueologia romana e as vias romanas; em Belmonte, o Castelo de Belmonte é a outra visita patrimonial de referência.

Preparar a visita

O SIPA descreve o local como rural, junto à ribeira do Colmeal e visível da EN 18, a cerca de 30 metros de uma estrada municipal do Colmeal da Torre. Não encontrámos, na consulta de 5 de novembro de 2026, uma página oficial com horários ou regras de acesso. Confirme com a Câmara Municipal de Belmonte antes de ir.

Fotografia: David Perez, 9 de junho de 2022, Belmonte 05 Centum Cellas by-dpc.jpg, licença CC BY 4.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que é a Torre de Centum Cellas?
É um edifício romano de granito, com três pisos conservados, em Belmonte. O registo do SIPA descreve-o como edifício de função indefinida, provavelmente integrado numa villa romana; a ficha do município de Belmonte apresenta-o como o edifício central de uma villa.
De que época é?
O SIPA indica construção nos séculos I–II d.C.; a ficha municipal data-a do século I. Os dois registos referem remodelações posteriores, com um incêndio e reconstrução nos séculos III–IV.
Está classificada?
Sim, como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo n.º 228, de 15 de outubro de 1927.
Quem gere o monumento?
Segundo o SIPA, a gestão, valorização e conservação foi transferida do Estado para a Câmara Municipal de Belmonte por auto assinado a 30 de setembro de 2020.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (Torre de Centum-Cellas, NINV 2465)
  2. Diário do Governo — Decreto n.º 14 425, de 15 de outubro de 1927
  3. DGPC — SIPA, Torre de Centum Cellas (IPA.00002545)
  4. Município de Belmonte — Património Arquitetónico Classificado (março de 2023)
  5. Wikidata — Centum Cellas (Q2524965)

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