- Início
- Arqueologia em Portugal
- Torre de Centum Cellas
Arqueologia
Torre de Centum Cellas
Torre de Centum Cellas, em Belmonte: edifício romano de granito, lido como parte de uma villa, Monumento Nacional desde 1927 e gerido pelo município desde 2020.
- Localização
- Colmeal da Torre, Belmonte, Castelo Branco
- Construção
- séculos I–II d.C.
A Torre de Centum Cellas é um edifício romano de granito que se ergue isolado num terreno agrícola junto ao Colmeal da Torre, perto de Belmonte. Durante muito tempo discutiu-se para que servia: vigia, prisão, templo, estalagem. Hoje, o registo nacional do património e a ficha do município de Belmonte inclinam-se para a mesma leitura, a de uma construção ligada a uma villa romana, embora o primeiro mantenha a função do edifício como indefinida.
O edifício
Segundo o inventário do SIPA (Direção-Geral do Património Cultural), a torre tem planta retangular e volume único, sem cobertura, com três pisos e cerca de 12 metros de altura. É feita de silhares graníticos de grandes dimensões, em aparelho isódomo, com diferença de aparelho entre os pisos inferiores e o superior. Os vãos têm lintéis retos, sem moldura, e três registos de aberturas em cada fachada. Por dentro forma um único espaço, com cornija interna, e o pavimento aproveita o afloramento rochoso. A ficha municipal dá outras medidas (cerca de 22 metros de altura e dois pisos elevados), por isso convém tratar as dimensões exatas como não harmonizadas entre as fontes.
O SIPA aponta ainda afinidades com a Torre de Almofala, em Figueira de Castelo Rodrigo, e descreve o edifício como ligado a um conjunto de compartimentos de que subsistem sobretudo as fundações, com duas alas paralelas ao lado maior e uma planta geral possivelmente em U ou com pátio central.
Cronologia
O SIPA situa a construção nos séculos I–II d.C.; a ficha municipal fala do século I. Antes das escavações modernas, atribuiu-se a obra ao imperador Augusto ou ao general Agripa, hipótese que o SIPA regista como proposta de Aurélio Ricardo Belo, e uma tradição associa ao edifício, de cem celas, o cativeiro de São Cornélio, morto em 253. Estas são leituras antigas, não factos arqueológicos.
A fase que a escavação documenta é a dos séculos III–IV, quando um incêndio levou à reconstrução do conjunto, ligado a exploração agrícola. Surgiu então uma sala com ábside e larário, onde apareceram sete aras decoradas, uma delas com referências a Vénus e Minerva. A ficha municipal acrescenta moedas do século I ao século IV, algumas de ouro, e muita cerâmica comum e sigilata, e refere que a parte rústica e as eventuais termas foram em grande parte destruídas pela lavoura. Na época medieval o local continuou ocupado, com um templo, nove sepulturas e a provável reconstrução do terceiro piso.
Escavações
O SIPA regista escavações dirigidas por Helena Frade entre 1993 e 1998, depois de o imóvel ser afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico em 1992. Mostraram que a torre não estava isolada, mas integrada num conjunto maior. A área escavada é limitada, o que explica que a planta completa do estabelecimento continue por estabelecer.
Classificação e gestão
O Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026, regista a Torre de Centum-Cellas como Monumento Nacional (NINV 2465), classificada pelo Decreto n.º 14 425, Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927. O Atlas não indica zona especial de proteção. Segundo o SIPA, a gestão, valorização e conservação passou do Estado para a Câmara Municipal de Belmonte por auto assinado a 30 de setembro de 2020.
Contexto
O SIPA situa o edifício na proximidade da via militar romana Mérida–Braga e de uma zona de exploração mineira. Para o enquadramento geral, veja arqueologia romana e as vias romanas; em Belmonte, o Castelo de Belmonte é a outra visita patrimonial de referência.
Preparar a visita
O SIPA descreve o local como rural, junto à ribeira do Colmeal e visível da EN 18, a cerca de 30 metros de uma estrada municipal do Colmeal da Torre. Não encontrámos, na consulta de 5 de novembro de 2026, uma página oficial com horários ou regras de acesso. Confirme com a Câmara Municipal de Belmonte antes de ir.
Fotografia: David Perez, 9 de junho de 2022, Belmonte 05 Centum Cellas by-dpc.jpg, licença CC BY 4.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que é a Torre de Centum Cellas?
- É um edifício romano de granito, com três pisos conservados, em Belmonte. O registo do SIPA descreve-o como edifício de função indefinida, provavelmente integrado numa villa romana; a ficha do município de Belmonte apresenta-o como o edifício central de uma villa.
- De que época é?
- O SIPA indica construção nos séculos I–II d.C.; a ficha municipal data-a do século I. Os dois registos referem remodelações posteriores, com um incêndio e reconstrução nos séculos III–IV.
- Está classificada?
- Sim, como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo n.º 228, de 15 de outubro de 1927.
- Quem gere o monumento?
- Segundo o SIPA, a gestão, valorização e conservação foi transferida do Estado para a Câmara Municipal de Belmonte por auto assinado a 30 de setembro de 2020.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (Torre de Centum-Cellas, NINV 2465)
- Diário do Governo — Decreto n.º 14 425, de 15 de outubro de 1927
- DGPC — SIPA, Torre de Centum Cellas (IPA.00002545)
- Município de Belmonte — Património Arquitetónico Classificado (março de 2023)
- Wikidata — Centum Cellas (Q2524965)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresBelmonteBelmonte, aldeia histórica do distrito de Castelo Branco e berço de Pedro Álvares Cabral, com castelo medieval, torre romana e comunidade cripto-judaica única.
castelosCastelo de BelmonteCastelo de Belmonte, fortaleza românica da Beira Baixa, berço de Pedro Álvares Cabral e solar da família Cabral, classificada Monumento Nacional.
Portugal romano e pré-romanoDos castros da Idade do Ferro às cidades da Lusitânia: a primeira camada urbana do território português e o que dela sobrevive.
arqueologiaArqueologia romana de PortugalArqueologia romana de Portugal: cidades, villae, vias e minas da Lusitânia e da Gallaecia, de Bracara Augusta a Conímbriga e ao Algarve.
arqueologiaVias romanas e calçadas romanas em PortugalAs vias e calçadas romanas em Portugal: a rede da Lusitânia e da Gallaecia, o Itinerário de Antonino, a técnica construtiva, os miliários, as pontes e a Geira.arqueologiaVillae romanas da LusitâniaCompare quatro villae romanas da Lusitânia em Portugal: Rabaçal, Pisões, São Cucufate e Torre de Palma. Saiba o que observar e como preparar cada visita.