Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Pelourinhos da Beira Interior

Os pelourinhos Monumentos Nacionais da Beira Interior: Aguiar da Beira, Melo, Ranhados, Pinhel, Moreira de Rei, Rua, Freixo de Espada à Cinta e Fundão.

Perguntas frequentes Fontes
Pelourinho de Moreira de Rei, coluna de granito de fuste octogonal rematada por uma gaiola de colunelos, sobre degraus de pedra
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

A Beira Interior conserva alguns dos pelourinhos mais elaborados do país, em vilas que foram sede de concelho até ao século XIX. Este guia reúne os que têm a classificação de Monumento Nacional: Aguiar da Beira, Melo, Ranhados, Pinhel, Moreira de Rei, Rua, Freixo de Espada à Cinta e Fundão. Para a função do pelourinho, a reforma manuelina dos forais e o enquadramento geral, veja a página sobre pelourinhos; o pelourinho de Évora tem texto próprio. As descrições abaixo seguem o registo oficial do Património Cultural, I.P., salvo indicação em contrário.

Aguiar da Beira

O Largo dos Monumentos Nacionais reúne o pelourinho, a torre ameada e a fonte ameada, três peças que o Decreto n.º 8 330, de 17 de agosto de 1922, classificou em conjunto como “trecho de arquitectura medieval”. O pelourinho já tinha sido classificado individualmente pelo decreto de 16 de junho de 1910, e por isso o Atlas mostra dois registos, o do pelourinho e o do trecho.

A vila teve foral em 1120 (D. Teresa), confirmado em 1220, reformado em 1258 e renovado por D. Manuel em 1512; o pelourinho terá sido erguido na sequência deste último, embora alguns autores o considerem anterior. Tem soco de quatro degraus octogonais, fuste octogonal liso cingido por um anel de ferro e, no topo, uma gaiola quase inteiramente aberta: um tronco de pirâmide invertido, outro por cima, um colunelo central e uma esfera armilar em granito. Dos oito colunelos que a gaiola teria, o registo diz que não restam vestígios e duvida de que tenham existido.

Os outros dois elementos do trecho são medievais. A torre, de planta quadrada, é o que resta do castelo mandado construir por D. Dinis no início do século XIV; os merlões coroam-na e as quatro gárgulas de canhão são acrescento posterior. A fonte, de poço e tanque com terraço ameado sobre a praça, é gótica, atribuída aos séculos XIV-XV; no murete do terraço lê-se uma inscrição pouco legível, “rui periz me fez” ou “rui periz martiinz”.

Melo (Gouveia)

Melo já era vila no século XIII e recebeu foral de D. Manuel em 1515, depois do qual se terá levantado o pelourinho, junto à Casa da Câmara e cadeia comarcã que ainda existem e guardam o brasão dos Melo. Classificado pelo Decreto n.º 2 167, de 31 de dezembro de 1915, assenta num soco de quatro degraus muito desgastados. O fuste octogonal liso, com base quadrada talhada no mesmo bloco, sustenta uma larga roca octogonal de seis molduras lavradas, que traz o escudo de Portugal, e uma peanha com esfera armilar e cruz de ferro.

Ranhados (Mêda)

O foral de Ranhados é de D. Dinis (1286), com foral novo de D. Manuel em 1512; a povoação foi dos Templários e depois comenda da Ordem de Cristo, e foi sede de concelho até 1836. O pelourinho, também classificado em 1915, ergue-se diante da igreja matriz. O fuste é um feixe de quatro colunelos, cada um com um mascarão perto do topo, três de homens barbados e um de rosto imberbe, e sobre eles assenta um remate de pináculos com figuras humanas e animais, entre as quais uma cabeça de lobo ou de leão. O registo vê nele um manuelino na sua vertente “silvestre”, com referências românicas, e não exclui que os rostos representem os ciclos quaternários, como as estações do ano.

Pinhel

Em Pinhel o foral de D. Sancho I é de 1209, confirmado em 1217 e reformado por D. Dinis; a renovação manuelina de 1510 é a época a que o registo atribui o pelourinho, na Praça Sacadura Cabral. Assenta num soco de cinco degraus octogonais, tem fuste octogonal e capitel com anel em cabo decorado com florões e quadrifólios, e termina numa gaiola de oito colunelos estriados com coroamento cónico e pináculos. O registo salienta as afinidades com o pelourinho de Castelo Rodrigo e nota que, nos anos 1940, foram feitas obras de consolidação por causa da inclinação gradual do conjunto. Sobre a vila, veja também o castelo de Pinhel e o castelo de Castelo Rodrigo.

Moreira de Rei (Trancoso)

O primeiro foral de Moreira de Rei é do século XII, de data desconhecida, e o foral novo manuelino é de 1512. O concelho extinguiu-se em 1855 e a vila passou a freguesia de Trancoso. O pelourinho, classificado pelo Decreto n.º 21 354, de 13 de junho de 1932, levanta-se na praça principal sobre seis degraus octogonais. O fuste é octogonal e liso, o capitel tem molduras crescentes e o remate é uma gaiola de grandes dimensões com nove colunelos, alguns de factura recente, resultado de restauro, e um pináculo com esfera armilar ovalada. O topónimo “de Rei” é explicado pelo registo pelos privilégios do primeiro foral. Ver também o castelo de Moreira de Rei e Trancoso.

Rua (Moimenta da Beira)

Rua foi honra de Egas Moniz e cabeça do concelho de Caria (ou Caria e Rua), criado pelo foral manuelino de 1512; o concelho foi extinto em 1855. O pelourinho, classificado em 1915, é descrito no registo como o mais rico e grandioso entre os do distrito de Viseu, só comparável, nesse aparato, com os de Ranhados e de Vila Nova de Foz Côa. Assenta em seis degraus octogonais; o capitel cúbico tem quatro cabeças de reis coroados nos cantos e o remate, monumental, combina quatro vieiras, florões, quatro pináculos nos cantos e um central com séries de cabeças aladas. O registo recorda leituras possíveis, como a justiça temporal e a divina ou uma alusão ao Caminho de Santiago, mas apresenta-as como interpretações.

Freixo de Espada à Cinta

O Atlas identifica o pelourinho (freguesia de Freixo de Espada à Cinta e Mazouco) como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8 228, de 4 de julho de 1922; não encontrei ficha descritiva do registo oficial. Um texto museográfico sobre a vila descreve-o como manuelino, com o fuste a sustentar um capitel paralelepipédico com as armas de Portugal e as da vila e um remate onde figura uma figura antropomórfica coroada por um motivo vegetal e uma pequena pinha, e liga o foral de 1512 à renovação da vila. Veja o castelo de Freixo de Espada à Cinta.

Fundão

O caso do Fundão é o inverso dos anteriores. A vila proclamou-se vila em 1580, ao tomar partido de D. António, Prior do Crato, e levantou então pelourinho, cadeia e forca, o que só foi oficializado em 1669; o município data de 1747. O monumento do Largo do Município é uma reconstrução de 1935 com alguns fragmentos do primitivo, destruído em 1882: alto soco de degraus quadrangulares, fuste octogonal, capitel coríntio e pinha moldurada com cruz de ferro sobre um globo. Foi classificado pelo decreto de 16 de junho de 1910.

Ler o conjunto

Estes oito pelourinhos mostram as variantes que a página nacional descreve: a gaiola de Aguiar da Beira, Pinhel e Moreira de Rei, a roca de Melo e os remates carregados de figuras de Ranhados e de Rua, com a esfera armilar ainda presente em vários. Quase todos remontam à renovação dos forais por D. Manuel I, entre 1510 e 1515, o que explica as datas tão próximas. O de Fundão lembra que a classificação protege também reconstruções.

O Atlas indica ainda como Monumento Nacional o pelourinho da vila de Trancoso, fora deste guia; vários outros pelourinhos da região, como Carapito, Marialva ou Alverca da Beira, estão classificados como Imóvel de Interesse Público. Todos estão em espaço público, sem horário de visita.

Fotografia de Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, de 8 de novembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Que pelourinhos da Beira Interior são Monumentos Nacionais?
Neste guia: Aguiar da Beira, Melo (Gouveia), Ranhados (Mêda), Pinhel, Moreira de Rei (Trancoso), Rua (Moimenta da Beira), Freixo de Espada à Cinta e Fundão. Há outros pelourinhos na região com a categoria inferior de Imóvel de Interesse Público, e o da própria vila de Trancoso também consta como Monumento Nacional no Atlas.
O que é uma gaiola num pelourinho?
É o remate aberto de alguns pelourinhos, formado por colunelos que sustentam um chapéu em forma de tronco de pirâmide. Os registos oficiais descrevem remates deste tipo em Aguiar da Beira, Pinhel e Moreira de Rei.
O pelourinho do Fundão é original?
Em parte. Segundo o registo oficial, o actual resulta de uma reconstrução de 1935 que aproveitou alguns fragmentos do primitivo, destruído em 1882.
Porque é que o pelourinho de Aguiar da Beira tem duas classificações?
Foi classificado individualmente por decreto de 16 de junho de 1910 e voltou a ser classificado pelo Decreto n.º 8 330, de 17 de agosto de 1922, como parte de um trecho de arquitectura medieval com a torre ameada e a fonte ameada.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Aguiar da Beira (70357)
  2. Património Cultural, I.P. — Trecho de arquitectura medieval constituído por pelourinho, torre ameada e fonte ameada (3719537)
  3. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Melo (70289)
  4. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Ranhados (71116)
  5. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Pinhel (70410)
  6. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Moreira de Rei (70419)
  7. Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Rua (71218)
  8. Património Cultural, I.P. — Pelourinho do Fundão (69816)
  9. Projecto museográfico ArqueoHoje — textos sobre Freixo de Espada à Cinta
  10. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Imóvel (serviço ArcGIS, camada 1)
  11. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — decreto de 16 de junho de 1910
  12. Diário do Governo n.º 265, de 31 de dezembro de 1915 — Decreto n.º 2 167
  13. Diário do Governo n.º 133, de 4 de julho de 1922 — Decreto n.º 8 228
  14. Diário do Governo n.º 167, de 17 de agosto de 1922 — Decreto n.º 8 330
  15. Diário do Governo n.º 136, de 13 de junho de 1932 — Decreto n.º 21 354